Mais de três quintos das empresas não usam indicadores em RH

Confira alguns dos resultados da pesquisa realizada pela Think Work em parceria com a Falconi para mapear uso de dados e tecnologia na gestão de pessoas

Mais de 60% das empresas ainda não se apoiam em dados para tomar decisões. Essa foi uma das descobertas da pesquisa “Como o RH tem usado dados e tecnologia?” feita pela Think Work em parceria com a Falconi, consultoria em gestão, e que foi divulgada ontem em um evento online.

 “O RH hoje é cobrado a saber de temas muito complexos e trazer respostas para questões que ainda não foram respondidas sobre o futuro do trabalho e da sociedade”, disse na abertura Tatiana Sendin, CEO da Think Work. “Queremos ajudá-lo nessa transição e a pesquisa é uma das maneiras de fazermos isso”.

Izabella Razaboni, team leader da Falconi, reforçou também a importância do tema de uso de people analytics para o futuro da área de gestão de pessoas. “Hoje não tem como pensar em RH sem falar em dados”, disse. “Muitas organizações já têm esses dados, mas como que podemos utilizar isso para justamente tomar decisões mais assertivas em relação a pessoas e negócios?”.

O estudo ouviu 163 empresas que, juntas, representam mais de 250 mil funcionários e mais de 30 setores. Por isso, ele se destaca por trazer um cenário mais diversificado das empresas no Brasil, incluindo aquelas organizações de menor porte.

Ter uma cultura que suporte o uso de dados

“O que vimos na pesquisa é que criar uma cultura de dados, tanto no RH quanto na empresa como um todo, ainda é um desafio muito grande”, disse Matthias Wegener, head de pesquisas e benchmarking da Think Work. Quase metade das empresas que disseram não usar dados afirma que é por uma questão cultural.

Por outro lado, entre as empresas que já usam dados, a percepção tem sido positiva. Para 86% delas o maior benefício é na tomada de decisão. Em seguida, 59% afirmam que o uso de dados possibilita que ações preventivas fiquem muito mais claras e 57% afirmam que ajuda o RH a ter uma imagem mais estratégica na organização – nenhuma empresa disse não ver benefício no uso de dados.

O estudo revelou também que a adoção de dados ainda é relativamente nova no Brasil. Na média, as empresas passaram a usá-los há cerca de 3,2 anos. Além disso, o uso ainda está concentrado em certos temas. “Normalmente turnover e absenteísmo são os primeiros a serem medidos”, diz Matthias. “E mesmo assim observamos que muitas empresas ainda não passaram da análise básica de indicadores”.

Durante a apresentação, Matthias compartilhou ainda insights dos próprios participantes a respeito do que é preciso para se ter uma cultura orientada por dados. O engajamento da liderança como um todo foi apontado como necessário, assim como o próprio RH vencer resistência a trabalhar com números e dados.

Em uma seleção de 28 indicadores, as empresas medem, em média, 9 deles – e 9% delas não mapeiam nenhum indicador. Os indicadores mais medidos são: turnover (69%), clima organizacional (63%) e horas extras e banco de horas (62%).

O papel das HR Techs na modernização do RH

A pesquisa também abordou como as HR Techs têm sido usadas e percebidas pelas empresas que trabalham com dados. Das organizações entrevistadas, 44% ainda não contrataram mas já avaliam contratar uma e 20% contrataram e tiveram êxito.

Os principais benefícios apontados na contratação das HR Techs foram a automatização de processos (42%) e liberar o RH para tarefas mais estratégicas (34%), além de ganho de agilidade e eficiência.

As principais áreas de atuação das HR techs contratadas são assinatura eletrônica de documentos (57%), recrutamento e seleção (59%) e folha de pagamento (47%). E, no futuro, as empresas pretendem contratar mais serviços para people analytics, saúde e bem-estar e onboarding digital.

Durante o evento, Fábio Brigagão, consultor de People Analytics na Falconi, comentou também sobre como o uso de dados pode ajudar empresas a resolverem de forma personalizada problemas comuns como a retenção de talentos.

Embora essas seja uma questão em várias organizações, as soluções que servem para uma não necessariamente são adequadas para outra – e isso é o que o uso de dados permite explorar de forma mais eficiente. “Existem diferentes camadas e começamos a entender todos esses fatores nos indicadores para fazer um diagnóstico e o que vai acontecer no futuro”, disse Fábio.

Ele concordou ainda com o que o estudo demonstrou sobre as dificuldades no uso de people analytics. “O maior desafio não é técnico, mas cultural: as pessoas têm uma percepção do negócio e que sabem como ele sempre foi e têm resistência a ver o que os números têm a dizer”, disse. “Nos projetos, gostamos de juntas esses dois lados e contar uma história completa”.

Estes e demais resultados do estudo serão disponibilizados em breve em um e-book. Para ficar por dentro desta e outras novidades do mercado, assine grátis a Fast, newsletter semanal da Think Work. Para se cadastrar, clique aqui.

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