Iniciativa capacita profissionais para acolher colegas em sofrimento psíquico e reforça cultura de cuidado nas 19 unidades da instituição
O aumento dos casos de sofrimento emocional e transtornos psicológicos entre profissionais da saúde levou a Rede Santa Catarina a agir em meados de 2024. “Não é só a intensidade do trabalho, é um problema social mesmo. Agressões físicas e casos de racismo contra profissionais têm sido mais frequentes”, afirma Elaine Regina Ferreira, diretora executiva de Gestão de Pessoas e ESG da Rede Santa Catarina.
Foi nesse contexto que nasceu o ASA – Agentes de Suporte ao Acolhimento, iniciativa que transforma funcionários em multiplicadores do cuidado emocional. O objetivo é identificar precocemente sinais de sofrimento psíquico, promover acolhimento entre os pares e encaminhar cada pessoa para o tratamento adequado.
“Vimos que não bastava o colaborador ter acesso a uma rede ampla de psicólogos e psiquiatras. Era preciso que houvesse um cuidado especializado também dentro da instituição, de modo a ganhar velocidade na identificação de sintomas e direcionamento para o tratamento”, explica Katia Yoshie Nakamura, gerente de Saúde, Segurança e Bem-Estar da organização.
O caminho
O projeto teve início em 2024, a partir de um estudo interno que identificou o aumento de afastamentos por ansiedade, estresse e ideação suicida. A equipe de Gestão de Pessoas cruzou esses dados com fatores de risco modificáveis – uso de tabaco, álcool e obesidade – e com indicadores sociais, como casos de violência doméstica. O diagnóstico orientou o desenho da rede de apoio.
Entre o fim de 2024 e o início de 2025, 45 funcionários foram capacitados e certificados como Agentes de Suporte ao Acolhimento. O treinamento, com 18 horas de duração, foi ministrado pela Inia Health Brasil, empresa de impacto social que desenvolveu a certificação PSSM – Primeiros Socorros em Saúde Mental, adaptada à realidade brasileira.
Durante o curso, os participantes aprenderam a:
- Reconhecer sinais de transtornos como burnout, depressão, ansiedade e sofrimento por luto;
- Abordar colegas com segurança, empatia e respeito;
- Agir em situações de crise, como ideação suicida e ataques de pânico;
- Encaminhar os profissionais aos canais adequados de cuidado.
A seleção dos agentes foi criteriosa. O perfil ideal combinava empatia genuína, escuta ativa, sigilo e influência positiva. Muitos dos escolhidos já eram reconhecidos por sua postura acolhedora no ambiente de trabalho.
“Foi desafiador garantir que todos os selecionados tivessem disponibilidade para as 18 horas de curso, mas o apoio das lideranças foi essencial para que isso fosse incorporado à rotina”, conta Katia.
Resultados
A atuação do ASA se estende às 19 unidades da Rede Santa Catarina, entre hospitais, unidades de saúde e pastorais, nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Inicialmente, os integrantes do grupo eram identificados por uma braçadeira colorida sobre o uniforme; depois, passaram a usar um selo no crachá. “As lideranças estão percebendo o impacto do projeto na prática, e gestores de diversas áreas têm solicitado a ampliação do número de agentes ASA”, comenta Elaine.
O grupo tornou-se um canal de escuta ativa dentro das equipes, aproximando o cuidado emocional do cotidiano de trabalho. Com isso, fortaleceu-se o sentimento de pertencimento, reduziu-se o estigma em torno da saúde mental e acelerou-se o encaminhamento para apoio especializado.
O ASA também valoriza talentos internos que não ocupam cargos formais de liderança, mas exercem papel essencial na cultura do cuidado. A iniciativa reforça a visão de que cuidar de quem cuida é parte da identidade institucional.
THINK & DO
As dicas da Rede Santa Catarina para criar projetos que abordam o tema da saúde mental no ambiente de trabalho:
- Dê visibilidade ao tema. Falar sobre saúde mental deve ser uma ação contínua, integrada à cultura e à estratégia da companhia. Por ser delicado, o tema exige abordagem recorrente, sensível e transparente.
- Tenha dados em mãos. Conheça sua população por meio de pesquisas e diagnósticos. Isso permite entender a realidade da empresa e priorizar os pontos mais urgentes.
- Busque bons parceiros. Faça uma curadoria cuidadosa para encontrar soluções e parceiros de alta qualidade no mercado.
