Empresa investe no desenvolvimento de jovens talentos e em sua conexão com os desafios reais da organização
O Grupo Tigre, multinacional de soluções para construção civil, decidiu reformular seu programa de estágio em 2015. A premissa central era transformar o estágio em uma experiência genuína de desenvolvimento, indo além de uma simples exigência acadêmica.
Para isso, a empresa criou uma jornada de aprendizado estruturada e significativa, capaz de estimular o protagonismo dos estagiários e prepará-los tanto para demandas imediatas quanto para uma atuação consistente no futuro da companhia e no mercado de trabalho.
O novo modelo também introduziu a presença de tutores para acompanhar os participantes, e garantiu espaço de contribuição com resultados concretos para o negócio. Dessa forma, além de desenvolver jovens talentos, o programa os conectaria aos objetivos estratégicos da empresa.
O caminho
A base do Programa de Estágio Tigre, que dura de um a dois anos, seguiu o modelo 70/20/10:
- 70% do aprendizado acontece no dia a dia, com os estagiários atuando em projetos relevantes em sua áreas;
- 20% ocorre nas interações com profissionais da empresa, especialmente com o tutor, a pessoa designada que acompanha de perto sua jornada, promovendo trocas e orientações;
- e os 10% finais correspondem a treinamentos formais.
Três frentes compõem os treinamentos: Competências de Mercado (abordando habilidades como oratória, gestão de projetos e protagonismo), Temas Tigre (agendas focadas em processos e ferramentas específicos da companhia, como metas e plano de desenvolvimento individual) e Conheça a Minha Área, etapa que introduz cada estagiário em todas as áreas da companhia.
A última frente é a base para o Job Rotation, que acontece nos últimos três meses de programa e direciona o estagiário para outra área da empresa para que possa adquirir novas habilidades e compreender o negócio sob diferentes perspectivas.
“Esse é um dos principais diferenciais do nosso programa”, conta Juliano Pereira, diretor de Pessoas, Sustentabilidade e Comunicação Interna do Grupo Tigre. “Foi pensado para que cada profissional tenha uma visão mais ampla do negócio, estimulando um olhar mais crítico e interdisciplinar. A rotação também fortalece a rede de relacionamentos da companhia”, explica.
Outro diferencial do programa é a Liga de Feras, criada em 2021. Trata-se de um grupo formado por estagiários que visa estimular o protagonismo e transformar em ação as expectativas em relação ao programa. Nesse espaço, os participantes têm a oportunidade de se voluntariar e trabalhar em equipe ao longo do ano para desenvolver temas específicos.
Por meio da Liga de Feras, eles interagem com colegas de todas as unidades do Brasil e profissionais de diversas partes do mundo, como Argentina, Bolívia, Estados Unidos, Paraguai e Uruguai.
“Também atuam em contato direto com universidades, aumentando a aproximação com esse público e buscando novos talentos. Dos estagiários atuais, 15% conheceram o programa através da Liga de Feras”, conta Juliano.
Após o salto de eficiência do programa com o Liga de Feras, a empresa passou a investir mais na comunicação externa a partir de 2024, para aumentar o radar em busca de talentos.
Para 2025 e 2026, o plano é reforçar a presença internacional do programa. “Seria muito interessante que o Job Rotation acontecesse também entre as unidades de diferentes países, proporcionando um desenvolvimento cultural e de conexão entre elas”, explica Juliano.
Resultados
Até agora, 500 estagiários participam do Programa de Estágio em diferentes unidades da Tigre no Brasil, sendo que 75 participam dele atualmente. Nos últimos três anos, dos 218 estagiários que passaram pelo programa, 60 foram efetivados.
Entre os principais resultados colhidos, estão:
- NPS (Net Promoter Score) de 85 pontos para o Programa de Estágio (2023);
- Nota 4,8 de 5 nas avaliações de estagiários e ex-estagiários no Glassdoor;
- 79,31% de diversidade entre os participantes do programa.
Os projetos desenvolvidos pelos estagiários se tornam cases de sucesso que, posteriormente, são implementados pela empresa. “Um grupo desenvolveu um projeto de gestão de viagens de executivos da companhia com o uso de IA, reduzindo custos e aumentando a facilidade de controle”, revela Juliano.
THINK & DO
As dicas da Tigre para as empresas que desejam criar programas de estágios semelhantes:
- Tutoria é fundamental. É importante ter profissionais interessados nessa função, não somente para tirar dúvidas técnicas, mas principalmente para ser um parceiro de jornada.
- Estagiário é um profissional relevante. Nada de achar que estagiário serve para cumprir apenas tarefas operacionais e chatas. Eles precisam se conectar à empresa e aos seus desafios, e enxergar um propósito em seus trabalhos.
- Espaço para o protagonismo. É preciso que o estagiário sinta que tem chances reais de causar impacto e contribuir para a empresa. Mostre que ele tem voz e há espaço para iniciativa.
