Amazon lança IA para acelerar contratações em massa

Sistema entrevista candidatos por voz e gera avaliações; empresa contratou cerca de 250 mil trabalhadores sazonais no último fim de ano

A Amazon lançou uma ferramenta de inteligência artificial para conduzir entrevistas e acelerar contratações em massa, ampliando o uso da automação no recrutamento e seleção.

Chamado de Connect Talent, o sistema realiza entrevistas por voz, aplica avaliações, gera transcrições e atribui notas aos candidatos antes da análise humana. A ferramenta foi apresentada pela Amazon Web Services (AWS) no fim de abril e ainda está em fase de testes. Segundo a empresa, as entrevistas podem ocorrer 24 horas por dia, com candidatos sendo avaliados simultaneamente e em larga escala.

O foco da empresa é o recrutamento de alto volume, comum em setores como varejo, logística, restaurantes e centrais de atendimento. A Amazon contratou cerca de 250 mil trabalhadores sazonais para as festas de fim de ano em 2025.

O movimento não é isolado. No Brasil, empresas com alto volume de contratações já aplicam inteligência artificial para automatizar etapas críticas do recrutamento, como mostram projetos de transformação digital do RH do prêmio Think Work Innovations.

Na BRF, uma ferramenta própria analisa currículos em poucos segundos, gera rankings e reduziu em 25% o tempo médio de contratação, em um universo que chega a milhões de candidaturas por ano. Já a Vivo automatizou etapas como elegibilidade e triagem curricular com uso de IA, reduzindo o tempo de análise de horas para segundos e gerando economia operacional, além de redesenhar o modelo de recrutamento para dar mais autonomia aos gestores.

Em diferentes formatos, as áreas de recursos humanos estão transferindo para sistemas automatizados tarefas que antes dependiam diretamente de recrutadores. A tecnologia, antes mais concentrada na triagem de currículos e no atendimento inicial por chatbot, começa agora a conduzir entrevistas e produzir avaliações padronizadas antes do contato com uma pessoa.

Nos Estados Unidos, esse tipo de uso tem enfrentado pressão regulatória. Em Nova York, empregadores são obrigados a auditar ferramentas automatizadas de decisão de emprego e informar candidatos sobre seu uso. A Equal Employment Opportunity Commission (EEOC) também alerta que sistemas de IA podem violar leis antidiscriminatórias se não forem adequadamente testados.

No Brasil, não há exigências equivalentes, mas a adoção de IA no recrutamento avança. Dados da Think Work mostram que 41% das empresas já utilizam inteligência artificial em recrutamento e seleção, e 45% delas aplicam a tecnologia na triagem de currículos.

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