Inovando com InteligêncIA conecta tecnologia e cultura na Loggi

Projeto com treinamentos, ferramentas próprias, princípios éticos e rituais culturais já reduziu em até 80% o tempo de tarefas em Operações e RH

A empresa brasileira de logística Loggi nasceu digital e, nos últimos anos, vinha expandindo o uso de inteligência artificial (IA) em suas operações. Não demorou a perceber, no entanto, que apenas adotar novas ferramentas do mercado não bastava. O desafio estava em criar uma mudança de mentalidade: preparar seus 2,1 mil funcionários para utilizar a tecnologia com estratégica e segura. 

A IA era considerada uma aliada para impulsionar a eficiência, um dos pilares da Loggi — mas isso só se concretizaria com uma cultura organizacional voltada para a inovação e o aprendizado contínuo.

Foi nesse contexto que, em 2024, a companhia estruturou uma iniciativa unindo diferentes áreas, como RH, Segurança da Informação, Tecnologia e Jurídico, para repensar a relação das pessoas com a IA. O objetivo era construir uma jornada de aculturamento, em que capacitação, governança e comunicação interna caminhassem juntas para ampliar o emprego da tecnologia no dia a dia.

Assim nasceu o projeto Inovando com InteligêncIA, que consolidou frentes de treinamento, desenvolvimento de ferramentas próprias, definição de princípios éticos e rituais de engajamento cultural — tudo com o objetivo de tornar a Loggi uma organização AI First.

O caminho

A primeira frente foi a capacitação. A empresa construiu internamente trilhas de aprendizagem customizadas para diferentes grupos, como lideranças, RH e Operações. Os conteúdos dos cursos abordaram fundamentos de IA generativa, criação de prompts, aplicações por área e práticas com desafios reais.

Ao todo, foram 2,3 mil horas de treinamento, envolvendo mais de 730 pessoas, cerca de 70% do quadro administrativo. Só no início do programa, 107 lideranças foram treinadas e, em seguida, mais 250 participantes receberam formação sobre o pacote Gemini do Google.

“O objetivo foi colocar a IA na mente das pessoas, fazer com que elas, antes de executar alguma atividade, pensassem na maneira mais simples e eficiente de fazer tal tarefa”, afirma Natália Franco, gerente de Inovação em RH da Loggi.

A segunda frente foi tecnológica, com a criação de três ferramentas próprias — destaque para a LoggiIA, uma plataforma integrada aos modelos de linguagem GPT-4o Mini, Llama 3.3 e Mixtral 8x22B. Ela substituiu programas externos de automação de tarefas e suporte técnico, apoiando as áreas de RH, Operações, Jurídico, Atendimento e Financeiro. 

Essa escolha também gerou ganhos financeiros: a empresa estima ter economizado 1,6 milhão de reais em 2024 ao deixar de pagar por softwares do mercado.

Outra iniciativa importante foi cultural. No evento mensal All Hands, Loggers – como são chamados os funcionários – ganharam espaço para apresentar cases de suas áreas. Houve também a criação de um um chat interno, permitindo a troca de notícias, dicas e informações sobre o mundo da IA. Além disso, o onboarding da empresa incluiu um breve treinamento sobre a tecnologia.

Um Guia de Boas Práticas estabeleceu ainda os princípios éticos para utilização. “Nos preocupamos com dados sensíveis e LGPD [Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais]. Além das ferramentas internas, temos as externas homologadas, que o time de segurança já analisou e liberou para uso. Quando alguém quer testar uma nova ferramenta, deve pedir uma análise e aguardar aprovação”, afirma Natália.

Resultados

O impacto da estratégia para incorporação da tecnologia já é perceptível. As novas ferramentas, como a LoggIA, reduziram em até 80% o tempo de execução de tarefas em áreas como Operações e RH. No atendimento ao cliente, a IA já realizou 55 mil interações, com 86% de satisfação.

“Com isso, os colaboradores focam em ações mais estratégicas no dia a dia e melhoram suas entregas. Há um ganho não só de produtividade, mas de qualidade, criatividade, redução de reuniões, melhor comunicação entre as pessoas e áreas”, ressalta Natália.

Os próximos passos, segundo a gerente de Inovação em RH, são ampliar as possibilidades da LoggiIA com o lançamento de uma plataforma de agentes inteligentes que executarão tarefas de forma proativa. Prevista para 2026, a novidade deve reduzir ainda mais o tempo com tarefas repetitivas. 

“Também queremos fortalecer nossa comunidade, encontrar pessoas-chave dentro da empresa que são grandes entusiastas de IA e que podem levar essa bandeira para todas as áreas”, completa.

THINK & DO

As dicas da Loggi para criar projetos em IA que transformam a cultura organizacional:

  • O RH deve ser o protagonista. Não espere que outras áreas faça. Se a empresa precisa mergulhar no mundo da IA, o RH deve liderar essa transformação.
  • Envolva toda a empresa. Una diferentes áreas da companhia para garantir uma visão ampla, diversa e um trabalho que atenderá plenamente ao negócio.
  • Comece aos poucos. Não fique paralisado diante de um projeto com dezenas de etapas diferentes e anos de execução. Inicie com um pequeno passo, como um workshop de IA para o time de RH. Além disso, divida seus planos por semestre, já que a tecnologia muda rapidamente e exige constantes mudanças de rota.