Projeto da Renner criou ponte com universidades, pólos de inovação e comunidades mirando o desenvolvimento de talentos e a marca empregadora
Já foi a época em que as empresas olhavam apenas para talentos já construídos, moldados e prontos. Hoje em dia, em um mercado cada vez mais competitivo, uma grande parte das organizações já entendeu que é preciso apostar em treinamento e desenvolvimento de profissionais internos e externos em potencial para atrair e reter os melhores talentos.
Há diversas formas de se fazer isso e, desde 2019, a Renner S.A. encontrou a sua através do “Programa Circuito – grandes talentos circulam por aqui”, um projeto de relacionamento e desenvolvimento de talentos entre os funcionários do grupo (que engloba Renner, Camicado, You Com, Realize e Repassa), profissionais externos e os ecossistemas de educação e inovação.
Segundo Fernanda Laitano, gerente de desenvolvimento de RH da Lojas Renner S.A., o que motivou a criação do projeto foi o crescimento das demandas de candidatos dos programas de trainee e estágio da empresa, além de “algumas questões de marca empregadora, em que posicionamos a empresa como referência em temas importantes para nós, como inovação, sustentabilidade, diversidade, moda e lifestyle”.
Caminho
Inicialmente, o programa foi criado como uma conexão apenas com as universidades. Na época, foram selecionados funcionários de diversas áreas da empresa, principalmente daquelas relacionadas ao cliente, que tinham muitos desafios com a parte de talentos. Mas, diante de seu potencial para o treinamento e desenvolvimento em escala, o que era para ser uma ação pontual, se expandiu para todas as áreas da Renner.
Hoje em dia, qualquer pessoa que queira desenvolver sua carreira, inclusive o público geral, pode participar do projeto. A empresa disponibiliza um formulário online para que os interessados entrem em contato. Ele também é aberto para todos que quiserem se tornar parceiros e criar eventos para compartilhar conteúdos, imersões, aceleração de ideias e projetos ou programas de capacitação de talentos.
O projeto é gerido pela área de Relacionamento com Talentos da Renner, mas a sua governança é compartilhada, uma vez que participam dele funcionários de todas as áreas, como tecnologia, dados, produto, operações, gente e sustentabilidade. A colaboração, explica Fernanda, é a essência do projeto.
“Cada área contribui com as ações de forma técnica, compartilhando conteúdo, conhecimento, fazendo palestras, ministrando workshops, hackathons, entre outros”, diz ela.
Dessa forma, a iniciativa consegue garantir o desenvolvimento interno e externo de talentos, a troca de conhecimento entre as universidades e comunidades e as empresas do grupo e uma melhora na atração e retenção de profissionais. Tudo isso com base em competências e habilidades que são essenciais para o futuro do trabalho e para a geração de valor na sociedade.
Por ser um projeto criado antes da pandemia, ele precisou passar por alguns ajustes. O primeiro deles foi a ampliação da atuação, que passou a ser nacional, uma vez que as ações ganharam o ambiente online durante o isolamento social.
“As características de ações presenciais, como o olho no olho e a troca de conhecimento, precisaram ser trabalhadas com os parceiros mais interessantes e que conseguiram emular essas características no ambiente remoto da melhor forma possível”, conta Fernanda.
Outro ponto, segundo ela, é que, com o tempo, a empresa percebeu que o projeto também é muito valioso para o público interno. As ações do programa contribuem para o desenvolvimento dos funcionários em muitos pontos de carência, independente do cargo que eles ocupam: comunicação, influência, liderança, visão de negócio, ou seja, as famosas soft skills, tão desejadas pelo mercado.
Esse ponto está relacionado com o principal desafio do projeto hoje em dia, que é ajudar as lideranças a atuarem de forma mais estratégica e com visão de longo prazo em relação aos seus talentos e as habilidades que eles precisam. “Isso requer que os líderes não olhem para suas equipes somente no momento que surge uma posição, mas tenham clareza do que precisam no futuro para criar um pipeline assertivo”, explica.
Resultados
Só em 2022, o Programa Circuito impactou mais de 120 mil talentos, com 25 mil pessoas inscritas nos projetos.
A empresa também percebeu que a iniciativa está fortemente relacionada com o recrutamento da organização. No ano passado, ela contratou mais de 70 profissionais que passaram pelo programa. 40% das pessoas que se candidataram para o trainee já haviam se relacionado com o projeto e 50% dos contratados já haviam vivenciado alguma experiência com ele.
Em média, segundo Fernanda, o programa realizou 18 ações por mês, o que totalizou 221 ações no ano e 449 horas de conteúdo compartilhado. Ao todo, foram envolvidos 270 funcionários.
A empresa também atribui ao programa o NPS de 9,3 conquistado e os 70% de aumento de percepção da marca.
“Os ganhos para o negócio, além dos tangíveis, refletem na percepção positiva da Lojas Renner S.A. para todo o ecossistema de Educação e Inovação sobre marca empregadora, referência em temas importantes como ESG, Tecnologia e Moda”, diz Fernanda.
THINK & DO
- Valorize a colaboração. Para um projeto assim acontecer, é preciso envolver muita gente, tanto de dentro quanto de fora da organização. Por isso, a colaboração precisa ser o principal motor.
- Escute os funcionários. Em programas nos quais os funcionários são os principais atores, é preciso ouvi-los para entender quais parceiros, projetos e temas fazem mais sentido para eles. Só assim é possível obter o engajamento para investir em algo que renda frutos internos.
- Olhe para além da sua empresa. A sua organização, com certeza, detém bastante conhecimento, mas existem muitos aprendizados e vivências que estão fora dela. Então, saiba encontrar e também deixar as portas abertas para potenciais parceiros.
