Pago para sair: a retenção reversa

Empresa americana adota uma curiosa ferramenta para a retenção: bônus para os descontentes saírem.

Pagar os funcionários que queiram pedir demissão após duas semanas no cargo: esse é o método inusitado da Trainual, empresa de software americana, para a retenção dos profissionais.

Segundo o CEO da companhia, Chris Ronzio, a prática ajuda a reter aqueles que, de fato, estão engajados e dá a liberdade para aqueles que não quiserem continuar de “demitirem” a empresa. “No mercado de hoje, as equipes que contratam precisam ser rápidas para avaliar candidatos e conseguir fazer com que passem pelo processos para uma oferta competitiva”, disse ele à Business Insider.

Para Ronzio, é impossível estar “100% certo o tempo todo”, sobretudo com as contratações acontecendo em tempo recorde. “A oferta para se demitir permite baixar a poeira depois de um processo rápido e permite ao recém-contratado jogar a bandeira se ele estiver se sentindo de qualquer maneira que não animado e feliz”.

Outra vantagem da prática seria aumentar a responsabilidade da empresa em garantir uma cultura inclusiva, onde todos se sintam bem-vindos – a ponto de recusar o dinheiro para sair.

Quando instituiu a política, em maio de 2020, a empresa pagava 2.500 dólares para os que queriam se demitir. Recentemente, o valor subiu para 5 mil dólares. Isso, porque perceberam que a soma anterior não era significante o suficiente para fazer alguém desistir do salário que poderia manter enquanto procurasse outro emprego.

Entretanto, nenhum dos 38 contratados pela Trainual desde que a política foi implementada aceitou a oferta. Apesar da tática causar estranhamento, pior do que ter uma alta rotatividade, talvez seja ter funcionários insatisfeitos e desmotivados com a empresa. Afinal, diversos estudos comprovam que os desengajados acabam contaminando os outros. Talvez aí esteja a lógica dessa política de “retenção ao contrário”.

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