Como surge a inovação no RH?

Alessandra Morrison, jurada do Think Work Flash Innovations, discute os maiores desafios e missões do RH que quer inovar

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Na última década, a área de Recursos Humanos passou por uma grande transformação: RHs ascenderam aos Comitês Executivos, reportando-se aos CEOs. Centro de Serviços Compartilhados foram implementados, centralizando demandas operacionais e gerando dados que suportam as decisões. Temas como Planejamento Sucessório, Gestão de Performance, Agile, Engajamento, EVP, Cultura e Diversidade passaram a ser mais comuns na agenda, assim como a gestão do modelo organizacional com mudanças, ora para atender a estratégia, ora para acomodar economias necessárias para sustentar o P&L. 

Mais recentemente, saúde mental e trabalho híbrido também passaram a compor a de Qualidade de Vida, ou “well-being”, tema na mesa há 30 anos, mas que se ampliou e ganhou relevância no contexto da pandemia. 

E o que vem pela frente? 

O Gartner divulgou um relatório com as grandes prioridades para 2022 de acordo com pesquisa realizada com 500 Líderes de RH: 

  1. Construir habilidades e competências críticas
  2. Desenho organizacional e Change Management
  3. Pipeline de Liderança atual e futuro
  4. Futuro do Trabalho
  5. Diversidade, equidade e inclusão

Estas estratégias estão ancoradas em três fatos:

  1. O Trabalho híbrido está transformando o negócio
  2. O aumento do turnover está acelerando a competição por talentos
  3. Há uma demanda de consumidores, colaboradores e Conselhos por mais diversidade. 

Eu acrescentaria alguns outros desafios a este cenário:

  1. Monitoramento da Covid: os casos de Covid continuam gerando afastamento e medidas de segurança, como o uso de máscaras, estão sendo revisitadas para garantir a segurança das pessoas e a continuidade dos negócios. 
  1. Modelo Híbrido: é preciso acompanhar os impactos no engajamento resultante do modelo híbrido. Na prática, isso significa que ajustes nos rituais e nos combinados, assim como ouvir colaboradores sobre o que está funcionando ou não serão uma constante. 
  1. ESG: com a demanda crescente nos Conselhos e na sociedade sobre o ESG, as organizações precisam garantir que suas equipes dominem os repertórios necessários para traçar estratégias e atuar de forma coerente com esses temas. 
  1. Benefícios Flexíveis: mais empresas estão aderindo a esta prática, que customiza a oferta de benefícios às necessidades dos colaboradores. O home office mais frequente, por exemplo, gerou novas necessidades a serem atendidas.
  1. Estruturas organizacionais: os modelos mais horizontalizados e ágeis continuam sendo testados nas organizações e a demanda por estruturas mais produtivas cresce.

O desafio é: como inovar face a tantas demandas de curto prazo? 

Primeiro, a agenda de gestão de pessoas deveria endereçar temas relevantes da estratégia que, por sua vez, deveria estar alinhada ao propósito da empresa e às análises internas e externas de tendências e demandas do mercado e da sociedade. 

É preciso ter um ritual de reflexão estratégica banhado de todos os inputs necessários para a criação de um caminho coerente que construa valor. O plano é um documento vivo, que deve ser revisitado e ajustado sempre que necessário e compartilhado com os stakeholders para que seja um compromisso coletivo e que cujos avanços, à medida que evolui, sejam celebrados.

Segundo, é fundamental que a empresa possua um ambiente que favoreça a inovação. Steven Johnson na TED Talk “De onde vêm as grandes ideias”, menciona que a criação é um processo coletivo: uma ideia vem de uma network de neurônios que estabelecem uma sincronia e geram uma nova configuração que não existia antes. 

Ter um ambiente diverso, inclusivo e aberto em que as pessoas tenham voz, é fundamental para que questionamentos, sugestões e diálogos possam existir, gerando espaços para inovações emergirem. Neste ambiente, é importante valorizar o aprendizado constante e a abertura da aprendizagem através da experimentação. Sem experimentar, testar e errar, não se descobre novos caminhos. 

Terceiro, construir repertórios, trocas e novas referências que, ao serem conectadas, gerem novos insights e, portanto, novas possibilidades. 

Como a empresa está incorporando novos conhecimentos? Quais são os temas que são discutidos? Quais novas ferramentas, metodologias e perspectivas estão sendo incorporadas que viabilizem gerar novas soluções, caminhos e alternativas? 

Atualmente, há formas diversas de aprender e é importante incorporá-las ao dia-dia das pessoas e da organização. Além de métodos tradicionais como treinamentos, leituras e workshops, é importante manter trocas entre empresas, como benchmarkings, fazer parte de grupos de interesse internos e no mercado, acompanhar podcasts, observar o mercado (ir aonde o consumidor está, como no varejo, por exemplo) e, claro, conversar com pessoas interessantes através de seu networking

Quanto mais intencional, curioso e direcionado você for ao navegar pelas possibilidades, mais sentido fará o seu aprendizado e mais antenado(a) você estará com as tendências que estão emergindo. 

O quanto a sua empresa tem aplicado estes três caminhos para inovar?

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<strong>Alessandra da Costa Morrison</strong>
Alessandra da Costa Morrison

Mentora de executivos, consultora e conselheira de organizações. Possui experiência de 25 anos em gestão de pessoas e de organizações em bens de consumo, serviços financeiros e varejo.

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