Solução lúdica é a aposta da e-Core para manter o perfil criativo, inovador e colaborativo de sua cultura que lhe rendeu liderança no ranking Great Place To Work
Por Guilherme Dearo
Entre 2020 e 2022, a empresa de serviços em tecnologia e-Core se viu diante de dois desafios. O primeiro, compartilhado com muitas companhias, foi a pandemia da Covid-19, que levou todos os seus funcionários para o trabalho remoto em suas sedes no Brasil e nos Estados Unidos – no México, todos já atuavam a distância. O segundo desafio foi encarar um momento de intenso crescimento, em que a companhia dobrou de tamanho: de cerca de 400 funcionários para quase 800.
Esses dois fatores, na visão do time de RH, ameaçavam a coesão dos times, a conexão entre as pessoas e o alinhamento com a cultura da e-Core. Desde a sua fundação, há mais de duas décadas, a marca preza pela criatividade, inovação e pela manutenção de ambientes colaborativos e multiculturais.
“A questão também foi colocada pelo time de executivos, principalmente pelos fundadores, que temiam ver os valores da empresa se perderem nesse cenário”, conta Luana Bohn Pinheiro, analista em people experience da e-Core.
Para a direção da empresa, era importante manter conquistas como o 1º lugar nacional entre médias empresas no ranking da consultoria Great Place To Work (GPTW). E a nota 4,9 (de 5) na avaliação de funcionários na plataforma Glassdoor.
O caminho
No início de 2022, o time de pessoas decidiu apostar em um projeto leve e lúdico para trabalhar a cultura organizacional: um jogo, bem ao gosto de muitos funcionários, que são fãs de games. A estruturação do projeto teve o apoio da área de tecnologia e o desenvolvimento, que levou dois meses, de um fornecedor especializado, a HSM.
Já em maio, o “E-Game da Cultura” foi lançado na intranet da companhia. Feito em 2D com inspiração no universo do Super Mario Bros., da Nintendo, o game trabalha os valores da organização em cinco fases: Build Trust, Better Together, Self Start, Deliver & Delight e Lifelong Learning.
A cada fase, o usuário aprende sobre um valor. Para passar de nível, deve solucionar um caso ligado a uma situação do dia a dia, respondendo uma questão de múltipla escolha. Esteja certo ou errado, ele recebe um feedback na hora, com um vídeo em que uma liderança fala sobre aquele determinado valor.
Enquanto avança, o jogador pode juntar moedas, ou e-Coins, e desviar de perigos como zumbis e ratos em cenários que remetem aos escritórios da companhia. Todo o conceito visual, além da divulgação do jogo, contou com a contribuição do time de marketing e comunicação.
A campanha de lançamento teve o impulso do CEO da empresa, que apresentou o jogo no “All Hands”, reunião bimestral conduzida para toda a companhia e um de seus principais eventos internos.
Também por ocasião do lançamento, os “e-Coreans”, como são chamados os funcionários da e-Core, receberam em casa uma caixa com o mascote da empresa, o e-Corito, e uma cartela de adesivos temáticos. O e-Corito é como um troféu: um reconhecimento a todos os que praticam os valores e que testaram a novidade.
“Tivemos a dupla missão de reciclar o treinamento sobre cultura entre quem já era da casa e treinar os novos funcionários no onboarding, garantindo que a conclusão do jogo fosse uma das etapas de entrada na empresa”, diz Luana.
Resultados
Um ano e meio após o lançamento do jogo, a e-Core constatou que ele de fato contribui para a manutenção da cultura da companhia. “O jogo nos ajudou a manter o perfil da empresa, mesmo em um período difícil para as empresas de tecnologia, com muitos layoffs”, explica Luana. Segundo ela, a empresa manteve suas notas e posições nas avaliações de GPTW e Glassdoor.
“Os funcionários nos disseram que gostaram de encontrar um jeito leve e divertido de trabalhar algo importante e sério, como cultura e valores. Além disso, na última pesquisa trimestral, perguntamos às pessoas se seu time vivenciava os valores da empresa e se seu líder praticava tais valores. Obtivemos 90% de respostas positivas, um resultado excelente”, ela avalia.
O engajamento dos gestores foi mesmo importante para o sucesso do projeto. Os líderes se dispuseram a pensar no jogo, a construir casos a serem solucionados em cada fase e cada valor e a gravar os vídeos de feedbacks.
E, é claro, a inclusão de todos no processo – uma vez que todos foram ouvidos – foi essencial. “Fizemos pesquisas em diversas áreas, para que as pessoas dissessem os desafios que enfrentavam, como os valores da companhia apareciam na vida real, quando havia problemas etc.”, explica Luana.
Desde a criação do jogo, a empresa vem investindo em outras iniciativas para trabalhar sua cultura organizacional. Uma delas foi a produção de um documentário celebrando os anos de empresa, trazendo depoimentos emocionados de fundadores e funcionários.
A ideia é lançar todos os anos um grande projeto que envolva os valores e-Core, para sempre manter ativas ações que trabalhem e reciclem questões de cultura.
A seguir, as dicas da e-Core para quem deseja criar um projeto semelhante que impacte a cultura da organização:
THINK & DO
- Crie algo que tenha a ver com seu público. A e-Core desenvolveu um jogo porque seus funcionários, a maioria da área de tecnologia, ama games. Mas o cenário da sua empresa pode ser diferente, requerendo outro carro-chefe para trabalhar cultura e valores. Descubra os interesses da sua população
- Construa o projeto em conjunto. Deixe que os funcionários participem da construção do projeto, evitando criar algo descolado da realidade e pouco prático. As pessoas trarão ideias, dores e histórias do dia a dia
- Lembre-se de engajar os trabalhadores. Não deixe de pensar em ações para chamar as pessoas a participar da ação, principalmente aquelas que estão na empresa há tempos e podem pensar que não precisam de um novo treinamento sobre cultura
