Pesquisa mostra que 67% dos RHs veem trabalhadores se calarem sobre problemas no trabalho com frequência
O medo de falar honestamente dentro das empresas pode fazer com que falhas de inteligência artificial (IA) passem sem correção.
Uma pesquisa da Radical Candor com 600 respondentes dos Estados Unidos, realizada entre 24 de fevereiro e 30 de março de 2026, mostra que 67% dos líderes de recursos humanos (RH) afirmam observar trabalhadores se calarem sobre problemas no trabalho com frequência ou muita frequência. Entre executivos de C-level, 46% citam a falta de feedback honesto como uma das principais preocupações organizacionais.
O levantamento também aponta uma fragilidade na formação gerencial. Segundo a Radical Candor, 70% dos gestores disseram não ter sido ensinados a dar ou pedir feedback antes de assumir a função. O dado ajuda a explicar por que empresas que cobram agilidade, inovação e correção rápida de rota ainda convivem com medo de exposição, silêncio e baixa segurança psicológica.
A adoção de IA torna essa lacuna mais visível. De acordo com a pesquisa, 73% dos respondentes relataram inconsistências em trabalhos apoiados por inteligência artificial. Mais de metade dos trabalhadores e gestores disse que preocupações sobre a qualidade da IA são tratadas apenas “às vezes” ou “raramente”. Na prática, o risco não está apenas no erro da ferramenta, mas na incapacidade da organização de criar canais seguros para que esses erros sejam apontados.
Para Kim Scott, cofundadora da Radical Candor, gestores sem preparo tendem a punir quem traz críticas em vez de valorizar a franqueza. A consequência é a destruição da segurança psicológica e o aumento da distância de confiança entre liderança e equipes. Em empresas que aceleram o uso de IA sem fortalecer a cultura de feedback, o silêncio deixa de ser apenas um problema de clima e passa a ser um risco operacional.

