Acessos ao dashboard de dados de RH cresceram 134% após a implementação; retenção chegou a 98%
Durante anos, as informações da área de recursos humanos (RH) da empresa de tecnologia Totvs estavam dispersas em diferentes sistemas. Isso dificultava o acesso dos líderes a dados sobre folha de pagamento, horas extras, admissões e treinamentos, o que tornava decisões mais subjetivas do que baseadas em evidências concretas.
Esse cenário começou a mudar em 2023, quando a companhia estruturou a área de People Analytics dentro do RH. “O objetivo foi digitalizar os dados, torná-los mais acessíveis e dar mais autonomia às lideranças para que pudessem tomar decisões baseadas em dados”, afirma Fernando Sollak, diretor de RH da Totvs.
Assim, surgiu o projeto Jornada de aculturamento, democratização e disseminação de People Analytics, que profissionalizou a área, estabeleceu novos processos e disseminou uma cultura data driven por toda a organização.
O caminho
A primeira etapa consistiu em consolidar os dados de RH em um data lake, integrando múltiplas bases antes isoladas. A cada rodada de testes, a ferramenta era ajustada: informações redundantes foram eliminadas, novas métricas incluídas e a usabilidade validada junto aos gestores.
Após testes com a alta liderança e primeiros usos em 2023, a ferramenta passou a ser usada massivamente pelos mil líderes da companhia, que conta com 12 mil funcionários.
O novo dashboard permitiu análises avançadas com o uso de algoritmos, como o de flight risk, que prevê com 90% de acuracidade o risco de saída de funcionários nos três meses seguintes. Outro algoritmo, voltado para mérito e promoção, trouxe critérios objetivos para decisões salariais e de carreira.
A empresa também passou a cruzar dados para identificar divergências de remuneração entre gêneros, garantindo uma política de equidade salarial.
“O dashboard também nos ajudou em programas como o de destaques, que concede ações da empresa aos colaboradores. Apenas 3% dos funcionários são elegíveis, é um programa restrito que exige decisões assertivas”, explica Sollak.
Resultados
Os efeitos foram imediatos. Entre 2022 e 2023, a média de acessos a plataformas de dados de RH cresceu 134% – de 956 para 2.237. Hoje, reuniões mensais de resultados incorporam os painéis às discussões, munindo as lideranças com informações atualizadas sobre remuneração, desenvolvimento profissional, diversidade etc.
O projeto consolidou a digitalização dos dados de RH, descentralizando o acesso e promovendo uma gestão mais estratégica. Também fortaleceu pilares da cultura da empresa, como a valorização de pessoas, o foco em resultados e o uso da tecnologia como viabilizadora, ao fornecer às lideranças informações confiáveis para decisões do dia a dia.
“Vimos melhoria em retenção, em adesão cultural aos nossos valores e em engajamento”, resume Sollak. A meta estabelecida pela companhia era manter 95% de retenção. Com o projeto, o índice chegou a 98%.
A ambição agora é ampliar ainda mais o uso das informações. “Para 2026, com o uso da inteligência artificial, esperamos gerar novos insights e mais dados preditivos. Queremos que o dashboard seja um assistente pessoal do gestor, ajudando-o a tomar decisões práticas e rápidas, reduzindo sua dependência de consultorias externas para interpretar dados”, projeta Sollak.
THINK & DO
As dicas da Totvs para as empresas que desejam criar projetos robustos de People Analytics em seus RHs:
- Dados no centro da estratégia. RH moderno é aquele que alia inteligência de dados ao capital humano. Decisões mais justas, ágeis e estratégicas começam com uma leitura correta das informações.
- Comece pequeno, pense grande. Projetos de People Analytics exigem visão de longo prazo. Começar com pilotos e investir de forma contínua é o caminho para maturidade e impacto real.
- RH técnico é RH estratégico. Ter profissionais capacitados para trabalhar com dados dentro da própria área evita dependência externa, acelera decisões e fortalece a autonomia da gestão de pessoas.
