Projeto reúne empresas parceiras, em que lideranças de uma organização mentoram mulheres de outras companhias; iniciativa já impactou mais de 220 profissionais
Por Marina Dayrell
Em 2021, ainda em meio à crise da covid-19 no Brasil, a TIM, que atua no ramo de telefonia, percebeu que a pandemia trouxe muitas consequências negativas para a carreira das mulheres. Segundo dados do IPEA, a participação delas no mercado de trabalho retrocedeu 30 anos durante esse período.
Para contornar as desigualdades sociais e de gênero aprofundadas pela pandemia, a empresa lançou o Programa Mentoria Intercompany Mulheres Positivas, uma modalidade de desenvolvimento de carreira em que líderes executivos mentoram mulheres que querem alcançar cargos de liderança.
“Mobilizamos grandes companhias, em diferentes setores, que entenderam a urgência dessa iniciativa concreta de inclusão e transformação social e estão atuando com a TIM em ações de empregabilidade, capacitação e desenvolvimento profissional de mulheres”, conta Jessica Rodrigues, especialista em desenvolvimento de talentos na empresa.
A iniciativa está conectada ao Plano de ESG 2022/2024 da TIM, que tem como compromisso promover um ambiente inclusivo, com igualdade de oportunidade e valorização dos talentos, além de aumentar a representatividade de mulheres em posições de liderança.
O caminho
Como o próprio nome do projeto diz, ele funciona de maneira intercompany, ou seja, líderes de uma empresa mentoram mulheres de outras empresas. Para compor o programa, a TIM convida outras organizações parceiras que também querem desenvolver suas funcionárias e contribuir com o desenvolvimento de outras mulheres do ecossistema.
A primeira e a segunda edição contaram com 17 empresas, já a terceira, que acontece até maio de 2023, tem 26 companhias participantes.
Ao iniciar cada edição do programa, o primeiro passo é divulgar o projeto para as 100 empresas do ecossistema da TIM, para entender quais têm interesse em participar e se elas se encaixam no perfil buscado.
“Essa análise é importante porque algumas empresas são grandes, como o Bradesco e a Renner, e outras são menores. Então, a gente tem que garantir um equilíbrio nessa composição. Como fazemos um match entre as empresas, eu não posso ter um mentor mentorando uma pessoa de uma empresa de perfil totalmente diferente”, explica Jessica.
Após essas definições, o time analisa o orçamento disponível e o número de empresas interessadas para chegar ao número de vagas ofertadas por cada organização. A forma de selecionar mentores e mentoradas pode ser definida por cada empresa, a TIM apenas explica o escopo do projeto e mostra como fazem internamente. Mas, a decisão final é de cada companhia.
“Tem essa flexibilidade para que cada RH adeque a sua cultura. Na TIM, nós vemos várias premissas, como avaliação de carreira, performance, conversamos com VP de RH para refinarmos o olhar, checamos quem tem interesse e chegamos aos nomes das mentoradas. Mas tem empresas que preferem divulgar o programa, fazer um call to action para uma inscrição e depois analisar”, conta.
Ao longo das três edições, os critérios de seleção foram se adaptando a novos testes. Nas duas primeiras versões, foram selecionados como mentores líderes executivos, homens e mulheres. Já na terceira edição, apenas mulheres.
Em relação às mentoradas, nas duas primeiras edições, foram escolhidas apenas executivas de alta e média liderança. Já na última turma, profissionais que estão na primeira gestão ou que ainda não foram líderes também foram selecionadas.
“Quando a gente olha o perfil das empresas no Brasil, a maior concentração de mulheres está nesse nível mais baixo de liderança. Então, queremos acelerar a carreira delas para que cheguem lá um dia”, conta Jessica.
O programa dura de seis a oito meses e prevê até duas sessões de mentoria por mês. No início, ele era gerido apenas pela área de diversidade, mas foi incorporado à área de talentos da TIM.
Resultados
Nas duas primeiras edições, 146 mulheres foram mentoradas pela Mentoria Intercompany e 77 pessoas atuaram como mentoras, sendo 26 homens e 51 mulheres. Os números da terceira edição ainda não foram fechados, uma vez que o programa ainda está em andamento.
Para medir a satisfação com a iniciativa e entender os pontos de melhoria, a TIM criou pesquisas ao final da jornada e, também, encontros de debriefing. Nessas oportunidades, nas duas primeiras edições, 100% das mentoradas disseram acreditar que se desenvolveram, que se sentem mais confiantes e preparadas para alcançar e construir os seus objetivos. Do lado dos mentores, 100% também acreditam que conseguiram alcançar essas metas com as participantes.
Os envolvidos também avaliaram as sessões realizadas e a nota foi de 9,9.
Para as próximas edições, algumas sugestões surgiram por meio de feedbacks e a empresa estuda como melhorar esses itens para as próximas edições: aumentar a quantidade de materiais de suporte e momentos de troca entre mentores e a possibilidade de mudar de mentor ao longo do programa para fomentar ainda mais o networking.
“Ainda não temos os resultados da terceira turma, mas o que temos percebido informalmente é que algumas das mentoradas que ainda não tinham ocupado uma posição de liderança começaram a ser promovidas mesmo antes do programa acabar”, conta Jessica.
THINK & DO
- Alinhe bem a comunicação do seu programa. Por ser uma iniciativa que envolve várias empresas de tamanhos e segmentos diferentes, é preciso ter muito bem definida a comunicação com os RHs de todas as companhias envolvidas. O escritório de projetos, ou PMO, precisa estar muito próximo dos parceiros para garantir que a comunicação chegue na ponta do programa.
- Às vezes, é preciso dar um passo para trás. Criar um projeto que envolve várias empresas e participantes é bastante desafiador, principalmente no ponto de vista de conciliação de agendas. Para que dê certo, muitas vezes é preciso voltar atrás e flexibilizar o cronograma ou dar uma segunda chance para que as pessoas participem.
- A conexão é o mais importante. Para que a mentoria seja um sucesso e atinja os seus objetivos, é preciso que mentoras e mentoradas se conectem de verdade e consigam ficar confortáveis umas com as outras. Por isso, é necessário investir no processo de fazer o match entre as duas partes, seja com uma consultoria especializada ou até mesmo internamente.
