TIM faz evolução cultural com dados e pessoas

Desde 2023, empresa registrou 18 mil reconhecimentos entre os 10 mil funcionários; mudança inclui novos critérios em avaliação de desempenho e seleção de talentos

Durante um offsite com o CEO e altas lideranças da TIM, no final de 2022, surgiu uma demanda estratégica: compreender com mais clareza qual era a cultura vigente na empresa de telecomunicações e como ela se conectava — ou não — aos desafios futuros.

“O CEO trouxe a necessidade de realizarmos um diagnóstico profundo da cultura da TIM, de modo a estruturar ações estratégicas para o triênio 2023–2025”, conta Simone de Magalhães, especialista sênior de Cultura e Inclusão da TIM. A partir desse direcionamento, nasceu o projeto Evolução Cultural.

O caminho

O diagnóstico cultural teve início em fevereiro de 2023, com base na metodologia Barrett Values, que permite medir, mapear e desenvolver valores individuais e organizacionais, a fim de alinhar cultura, liderança e estratégia. 

O levantamento foi realizado com 64 lideranças, incluindo o CEO, e serviu como farol para guiar as transformações nos anos seguintes.

“A pesquisa nos levou a refletir sobre quais comportamentos precisávamos abandonar e quais fortalecer. Queríamos uma cultura consistente, construída a partir de dados”, explica Érika de Oliveira Alves, gerente sênior de Cultura e Inclusão da TIM.

Com o diagnóstico, ficou evidente que era preciso reforçar a colaboração entre áreas, agilizar a tomada de decisão e fomentar o protagonismo no dia a dia. 

A partir dos dados levantados, a empresa criou o “101”, um novo modelo de identidade conectada aos valores culturais, composto por três pilares: cliente em primeiro lugar, zero barreiras e ser um protagonista. 

A proposta era alinhar esses pilares aos seis valores da TIM: construir confiança, superar barreiras, promover inclusão, surpreender o cliente, pensar grande e ser protagonista – e traduzi-los em comportamentos observáveis no cotidiano de trabalho.

Outro passo do projeto foi a implementação de dois programas de reconhecimento. O “Valeu, TIMe!” permite que qualquer funcionário envie mensalmente até três reconhecimentos a colegas de diferentes áreas, vinculando o elogio a um valor cultural. 

“Essa ação tangibiliza o que a gente queria que as pessoas entendessem sobre a cultura. Uma coisa é dizer quais comportamentos culturais a companhia deseja, outra,  outra é ver isso sendo colocado em prática no dia a dia”, afirma Érika.

O segundo programa, batizado de “TIMaço”, reconhece projetos que geram maior impacto para o negócio ao longo do ano. Um comitê seleciona os finalistas e os vencedores são definidos por votação com participação do CEO, em evento de celebração com premiação financeira.

Para ampliar o alcance da mudança, no início de 2024, a área de Cultura, em parceria com as vice-presidências, mapeou pessoas com alta influência, boa reputação e forte aderência aos valores para atuarem como embaixadoras da cultura. “A ideia era que a cultura se infiltrasse na rotina de todas as áreas e níveis”, explica Simone. 

Inicialmente, foram nomeados 52 embaixadores, em número proporcional ao tamanho de cada diretoria. Eles receberam seis sessões de mentoria e passaram a criar rituais, provocar conversas e sustentar o novo momento cultural em seus times.

Resultados

Desde o lançamento em 2023, o programa “Valeu, TIMe!” acumulou 18 mil reconhecimentos entre os 10 mil funcionários da empresa, reforçando os comportamentos desejados e promovendo a valorização entre pares.

Os embaixadores culturais, por sua vez, criaram dezenas de rituais e ações de celebração adaptadas à realidade de suas áreas, contribuindo para disseminar a nova cultura de forma prática e orgânica. “O primeiro ano de atuação deles foi em 2024. Essa ação foi fundamental para que o projeto Evolução Cultural ganhasse espaço em toda a empresa”, destaca Érika.

Em 2025, com a cultura mais incorporada à rotina, os embaixadores passaram a atuar como influenciadores culturais, sem a necessidade de acompanhamentos mensais e criações de novas ações. O número de participantes cresceu para cerca de 130 pessoas, ampliando a rede de influência e sustentação da cultura.

Além disso, a TIM passou a reformular práticas como avaliação de desempenho e processos seletivos, incluindo o novo fit cultural em ambos.

Como próximos passos, a empresa planeja refazer o diagnóstico cultural em 2026. O objetivo é comparar os resultados com os de 2023 e avaliar o quanto a cultura desejada se concretizou ao longo do triênio.

THINK & DO

Os ensinamentos da TIM para empresas que desejam promover um salto de cultura: 

  • Envolva a alta liderança. Os líderes são os patrocinadores da mudança e precisam compreender que a evolução cultural impacta diretamente os negócios.
  • Mobilize áreas estratégicas. A transformação cultural não é responsabilidade exclusiva do RH. Envolver áreas como Comunicação, Jurídico e Operações fortalece o plano e garante que a disseminação da cultura com consistência.
  • Crie redes de influência interna. A nomeação de embaixadores e influenciadores em diferentes áreas e níveis hierárquicos amplia a capilaridade do projeto. Isso torna a cultura parte viva da rotina e das decisões do dia a dia.