Shift desenvolve internamente lideranças especializadas em tecnologia

Em 4 anos, dos 19 profissionais que participaram do treinamento, 17 foram promovidos a cargos de liderança e 16 permanecem na empresa

Em 2019, a Shift enfrentava um desafio: encontrar profissionais para ocupar as funções de liderança. Especializada em tecnologia da informação para centros de medicina diagnóstica, a empresa não encontrava com facilidade perfis que unissem as habilidades de gestão com conhecimentos técnicos. Ao ingressar, o profissional precisava passar por uma longa curva de aprendizagem devido à complexidade do negócio. 

Assim, em busca de uma solução para esse problema, a Shift decidiu criar um projeto para identificar entre seus 250 funcionários aqueles com altas habilidades técnicas e desejo de ascender como lideranças. 

O caminho

Batizado de On The Job Training Liderança, o programa teve início com uma pesquisa a fim de selecionar os funcionários elegíveis ao treinamento de 12 meses. Além disso, os gestores podiam indicar seus funcionários, e estes também podiam manifestar interesse em participar.

Logo após entrevistas e avaliações, considerando formação, tempo de casa, senioridade, potencial e competências, a primeira turma começou em 2020.

A abertura do programa fica sempre a cargo do departamento de Desenvolvimento Humano e Organizacional, que apresenta as expectativas, responsabilidades e etapas. Em seguida, cada funcionário passa por um processo de coaching em que acompanha um líder da empresa em diversas atividades do dia a dia, por exemplo, reuniões gerenciais e negociações. Ele também recebe formação teórica sobre tecnologia e mercado. 

“Todos são desafiados e enfrentam problemas técnicos e comportamentais que uma liderança deve vencer”, explica Luciana Bozzi, consultora de Educação Corporativa da Shift e uma das responsáveis por desenhar o programa. “Ou seja, há exposição a situações difíceis, como uma negociação de crise com um cliente”, completa.

O programa trata de temas como liderança situacional, gestão das gerações Y e Z, condução de conversas difíceis ou como montar planos de desenvolvimento individual. Há ainda tópicos sobre legislação trabalhista, compliance, gestão orçamentária, bem como métricas e indicadores. 

O programa segue a metodologia 70/20/10, destacando o aprendizado por meio da prática (70%), colaboração (20%) e estudo formal (10%)

Ao final, há uma autoavaliação do funcionário. Mas, a avaliação do gestor e de um comitê é que decide se o profissional segue para um primeiro nível de liderança ou se deve continuar no processo de treinamento. 

“Se após os 12 meses de programa a pessoa percebe que a liderança não é para ela e deseja retornar ao seu cargo técnico, está tudo bem” afirma Luciana. Em outras palavras, ela analisa: “Preferimos um bom técnico a um mau gestor”. 

Resultados

Após 4 anos, 19 funcionários da companhia participaram do On The Job Training, sendo 6 mulheres e 13 homens. Dos 19, houve apenas uma reprovação e uma desistência. Os outros 17 foram promovidos a lideranças, sendo que 16 permanecem na Shift. 

“Esse número de retenção mostra que tivemos sucesso e formamos em casa nossos líderes. Temos 31 cargos de liderança na empresa. Desses, 16 foram formados pelo programa”, analisa Luciana. 

A alta gestão da companhia tem preferido promover para as posições de liderança profissionais formados dentro da companhia, em vez de buscar alguém no mercado, sinal de que aprovou o programa “Trazer alguém de fora pode ser legal para dar uma oxigenada, mas a retenção é menor e o tempo de treinamento mais longo. O On The Job Training, portanto, resolveu essas duas questões”, completa Luciana.

THINK & DO

As dicas da Shift para quem deseja criar um projeto de capacitação de lideranças na área de tecnologia:

  • Mapeie sua empresa. Primeiramente, compreenda o momento atual do negócio e trace objetivos claros para o futuro antes de iniciar um programa de capacitação. Quantas lideranças existem hoje? Quantas lideranças quer ter no futuro? 
  • Descubra seus gaps. Saiba onde estão as lacunas de conhecimento do seu time. Desse modo, poderá oferecer aos profissionais o material adequado para se desenvolverem e se tornarem os líderes que a empresa deseja. 
  • Esteja conectado com as áreas técnicas. A relação do RH e do time de educação corporativa com áreas como desenvolvimento, produto, serviço e TI é essencial. Isto é, são elas que avisam das novidades do mercado e relatam quais novos conhecimentos e ferramentas a empresa precisa obter. Tecnologia é um mercado que tem novidade toda semana.