Projeto da Sanofi mira diversidade e oferece bolsas de estudo

Farmacêutica Sanofi criou projeto que oferece bolsas de estudo superior para pessoas negras

Por Marina Dayrell

A atuação de uma empresa que já tem pilares de ESG bem desenvolvidos vai além de olhar apenas para o negócio, mas encara também o setor em que está inserida e como ele pode ser mais útil para a população. Foi com essa ideia que a farmacêutica Sanofi decidiu entender como os grupos minorizados experienciam o sistema de saúde. 

Para isso, a empresa rodou uma pesquisa em cinco países (Brasil, França, Japão, Reino Unido e Estados Unidos) e coletou a opinião de 11.500 pessoas sobre o acesso à saúde. Como resultado, ela descobriu que 80% das pessoas de grupos étnicos minorizados (no caso do Brasil, principalmente, a população negra) tiveram experiências que prejudicaram a sua confiança na área da saúde. 

Entre as pessoas entrevistadas, 44% afirmaram que o que contribuiu para a perda de confiança foi o fato do profissional de saúde não explicar bem as coisas, 42% receberam serviços de má qualidade e 34% não se sentiram ouvidos. 

“Analisando os dados, descobrimos que uma maioria preocupante de pessoas tiveram sua confiança no sistema de saúde abalada devido a experiências negativas. A falta de confiança é um dos principais motores das desigualdades na esfera da saúde, por isso acreditamos que podemos ter um impacto tangível”, explica Neila Lopes, head de Diversidade e Cultura da Sanofi Brasil.

Segundo ela, muitas pessoas de grupos minorizados desconfiam do sistema de saúde e de seus profissionais e não se sentem representados, e isso limita o envolvimento com pesquisas clínicas, a aceitação de intervenções médicas e o envolvimento com o sistema de saúde.

Caminho

Para começar a resolver esses problemas, a Sanofi criou o projeto “Um Milhão de Diálogos”, uma iniciativa global cujo objetivo é promover maior confiança dos grupos minorizados na área da saúde. Até 2030, serão investidos 50 milhões de euros no projeto.

Dentro dele, foi lançada a “Bolsa Sanofi Geração de Futuro”, que promove 10 bolsas de estudos para pessoas negras estudarem Direito, Publicidade e Propaganda ou Administração. Para a execução, a empresa fez uma parceria com a Universidade Zumbi dos Palmares, que, em conjunto com a própria Sanofi, seleciona os candidatos para as bolsas. 

O projeto também prevê que os selecionados passem pelo estágio da Sanofi. Ao longo dessa jornada, eles irão receber suporte no desenvolvimento, orientação e oportunidade de vagas efetivas ao final do programa. Como benefício, eles também terão integração com bolsistas dos outros quatro países participantes do programa. 

Dentro da Sanofi, o projeto é liderado pela área de Diversidade, Equidade e Inclusão, tanto a nível local quanto global. Mas, para que ele dê certo, outras áreas são envolvidas, como o Jurídico, o RH, o Compliance, entre outras. 

“Estamos aprendendo conforme compreendemos melhor as necessidades dos grupos minorizados. Decidimos, por exemplo, buscar a parceria com a Zumbi dos Palmares para viabilizar a bolsa de estudos neste ano. Além disso, prevemos rodas constantes de diálogos, para ampliar o conhecimento das lacunas de confiança na área de saúde, que já identificamos na pesquisa”, conta Neila.

Resultados

Como está em sua primeira edição, o projeto ainda não possui resultados quantitativos. Mas Neila explica que, em breve, será publicado um relatório anual de confiança e inclusão, que acompanhará o seu progresso e os seus impactos.

A percepção do projeto internamente na empresa tem sido bastante positiva. Segundo Neila, a Sanofi tem feito rodas de diálogos com pessoas que fazem parte dos grupos minoritários da organização para que eles participem da iniciativa.

“Até o momento, o feedback sobre a bolsa de estudos tem sido de muito orgulho e de senso de propósito da companhia. Acredito que conforme os bolsistas entrem e comecem a participar do dia a dia da companhia, devemos ter mais reconhecimento da iniciativa”, explica.

Os próximos passos são receber os bolsistas na empresa no próximo mês de setembro e abrir diálogos externos com grupos minorizados até o fim do ano para refinar e desenvolver ainda mais o projeto. 

THINK & DO

  • Ouça os stakeholders: Para fazer qualquer projeto é preciso ouvir as pessoas que serão impactadas por ele, sejam elas da organização ou não. Por isso, não tenha receio de ouvir o que elas têm a dizer. Você pode até não ouvir coisas boas, mas é justamente para resolvê-las que os projetos existem.
  • Estimule a participação da liderança: Ter lideranças que participam ativamente de uma iniciativa é muito importante para que tenha adesão com o restante da empresa. Principalmente, se estamos falando de projetos em torno da cultura de respeito e valorização das diferenças.
  • Avalie os resultados constantemente: Os impactos e resultados de um projeto não devem ser avaliados apenas no fim dele, mas a todo momento. Só assim é possível realizar eventuais ajustes de rota e identificar oportunidades de melhoria ainda na mesma edição.