Precisamos olhar para a saúde mental e o bem-estar nas empresas

Danilca Galdini escreve para a Today sobre como as empresas podem promover o bem-estar dos funcionários

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Nos últimos anos, a ansiedade, a depressão e o estresse agudo passaram a afetar uma parcela maior da população mundial. Não se trata de uma surpresa, visto que em 2018 a Organização Mundial da Saúde (OMS) já sinalizava que estávamos prestes a viver uma crise de saúde mental.

A entidade projetou um aumento de 25% nos casos de ansiedade e depressão no ano de 2020, o que assusta, principalmente quando considerados dados de outros estudos, como os do Fórum Econômico Mundial, que mostram que quase metade dos funcionários ainda sentem uma enorme sobrecarga mental e 49% acreditam estar em risco de esgotamento devido à carga mental profissional ou pessoal.

A situação do Brasil não é diferente da vivida pelo resto do mundo. Pelo contrário, é ainda mais severa, já que somos:

  • O país mais ansioso do mundo: 9,3% da população brasileira sofre de transtorno de ansiedade, quase o triplo da média mundial;
  • O segundo país do mundo com o maior número de pessoas afetadas pelo estresse agudo (burnout): 72% das pessoas que estão no mercado de trabalho sofrem alguma sequela ocasionada pelo estresse. Desse total, 32% sofrem burnout;
  • O quinto país do mundo com mais incidência de depressão: 5,8% dos brasileiros. Se considerarmos apenas os países da América Latina, passamos a ocupar o primeiro lugar.

Um levantamento realizado em 2021 pelo Grupo Cia de Talentos com 98.335 pessoas identificou que 58% de jovens universitários ou formados, 50% de pessoas que ocupam cargo de média gestão e 49% de pessoas que ocupam cargos de alta liderança têm ou tiveram algum transtorno emocional. 

Já a pesquisa Carreira dos Sonhos 2022, que contou com 117.693 participantes no Brasil, mostrou que a sensação de sobrecarga e exaustão piorou neste último ano. 

(Imagem: Arquivo Danilca Galdini)

Como se não bastassem os dados mostrados até aqui, um olhar específico para o público jovem torna tudo ainda mais preocupante.

(Imagem: Arquivo Danilca Galdini)

Um acompanhamento realizado junto ao público jovem de universitários e recém-formados apontou que eles estão sentindo com alta frequência emoções como ansiedade, preocupação, cansaço e apatia. 

A ansiedade e a preocupação não são necessariamente ruins. Ansiedade, por exemplo, é um mecanismo do nosso cérebro que serve para nos alertar em situações adversas e desconhecidas. Ela nos deixa em alerta e nos dá aquela “descarga de adrenalina” para enfrentar situações inesperadas. Mas a ansiedade em excesso pode ter efeito contrário e, simplesmente, paralisar uma pessoa.

No trabalho, essa paralisação pode aparecer como presenteísmo, fenômeno de se estar de corpo presente no ambiente profissional, mas não conseguir ser produtivo ou estar mentalmente distante das tarefas. O curioso, é que ele custa três vezes mais (em perdas de dias produtivos) para as organizações do que o absenteísmo (períodos de ausência de um funcionário de seu ambiente de trabalho). 

Mas afinal, o que todos estes dados significam para as organizações? Até pouco tempo atrás, o bem-estar nas organizações estava restrito a segurança no local do trabalho ou um escritório com academia, cápsulas de sono e espaço de descompressão. 

Claro que segurança é fundamental, mas é apenas um ponto de partida. É preciso compreender que bem-estar envolve: segurança no local de trabalho, bem-estar das pessoas, trabalho saudável e organização saudável.

E por onde começar?

1. Faça uma análise da cultura organizacional da empresa e mude o que for preciso

De acordo com a corretora e consultora de risco Mercer Marsh, as principais situações que desencadeiam ansiedade e preocupação em excesso estão relacionadas ao ambiente de trabalho. São elas: 

  • Carga de trabalho elevada, que exige desempenho além do possível;
  • Tarefas inadequadas às competências do trabalhador;
  • Falta de clareza na definição das funções e objetivos organizacionais;
  • Comunicação ineficaz e falta de apoio das lideranças;
  • Má gestão nas mudanças organizacionais;
  • Assédio psicológico e bullying.

2. Prepare a liderança para a discussão sobre saúde mental

Para que uma cultura organizacional seja saudável, é preciso que exista confiança para lidar com questões relacionadas com saúde mental e todos os estigmas que ainda acompanham o tema. A preparação da liderança envolve:

  • Reforçar que antes de olhar para o time, é preciso olhar para si e garantir que seu próprio bem-estar esteja assegurado;
  • Apoiar a construção de ações e comportamentos que promovam bem-estar e previnam impacto negativo na saúde mental;
  • Ensinar como identificar sinais de estresse emocional e a lidar com situações de crise, bem como melhores maneiras de abordar o tema com a pessoa e com o time. 

3. Compreender que o bem-estar precisa fazer parte da estratégia da organização

Para a construção de uma organização saudável é preciso ter:

  • Metas claras e possíveis de serem acompanhadas e medidas;
  • Políticas e benefícios inclusivos e aderentes às metas definidas;
  • Práticas diárias e normas de trabalho que favoreçam o bem-estar; 
  • Compreensão da liderança sobre a relevância do tema.

4. Ações que desmistifiquem o tema 

Políticas voltadas para bem-estar e benefícios que apoiam a saúde mental podem ajudar as pessoas a fazerem mudanças significativas em suas vidas. Mas isso acontece apenas se elas aproveitarem os programas oferecidos, o que é difícil para muitas pessoas devido ao estigma de admitir que precisam de ajuda. É preciso ter ações constantes que contribuam para a desconstrução desta barreira. 

Após ler todo este conteúdo, como você percebe a maturidade de sua organização?

Ela tem pouco foco no bem-estar, tem alguns recursos interessantes que promovem bem-estar ou é um local que valoriza o bem-estar a ponto de fazer parte da estratégia da empresa?

E independentemente da maturidade dela para o tema, qual é o próximo passo necessário?

Se está apenas começando, quais serão os próximos passos? Se a organização é líder em estratégia de bem-estar, o que pode fazer para inovar ainda mais?

<strong>Danilca Galdini</strong>
Danilca Galdini

Head de Pesquisa na Cia de Talentos e jurada na primeira edição do Think Work Flash Innovations.

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