Três quartos dos funcionários se dizem produtivos e 87%, engajados. Veja como a Braskem agiu na pandemia para assegurar os índices elevados
Mariana Amaro
Quando a pandemia da covid-19 foi declarada, em março de 2020, a Braskem, companhia petroquímica que produz plásticos usados em canudos a face shield, precisou manter as fábricas funcionando e assegurar a produtividade. “Continuamos operando, porque alguns dos nossos produtos são necessários no combate à pandemia”, diz Marcelo Arantes de Carvalho, vice-presidente de gente, comunicação, marketing e desenvolvimento sustentável. Mesmo assim, a empresa reduziu a presença nas operações a 60%.
Paralelamente, a organização de 13.000 trabalhadores teve de colocar todo o time administrativo em home office. Isso não deveria ser um problema, já que desde 2018 a Braskem adotava o Flex Office, que permitia ao funcionário atuar alguns dias remotamente, fosse em casa, na sede ou em uma das fábricas. Mas não foi bem assim.
Quando ficou claro que o período de restrição imposto pela covid-19 ultrapassaria duas semanas, o ânimo dos profissionais começou a cair. “Conforme o tempo foi passando, junto com aquela primeira adaptação, as pessoas foram ficando cansadas do trabalho, da rotina e da incerteza que o momento trazia.”
Foi quando o time de RH iniciou uma série de iniciativas para manter alta a moral e assegurar a produtividade dos empregados. As medidas incluíam um check-in diário da liderança, um programa de apoio psicológico e o Termômetro do Bem-Estar.
Meio do caminho
O check-in era uma recomendação para que os líderes perguntassem, diariamente, como os funcionários estavam se sentindo, deixando-os à vontade para falar sobre questões além do serviço. “Sempre tivemos o diálogo de segurança nas fábricas, então trouxemos essa prática para o home office para que os líderes proporcionassem um ambiente de conforto”, afirma Marcelo.
Na segunda frente, a empresa criou o programa Cuidando da Gente. Contratou um parceiro para oferecer apoio psicológico a funcionários e familiares por meio de um atendimento gratuito e sigiloso por telefone, além de realizar uma série de palestras e cartilhas educacionais sobre como trabalhar remotamente. Desde o início do projeto foram feitas mais de 850 interações com o fornecedor.
O terceiro pilar, do Termômetro do Bem-Estar, surgiu da necessidade de entender como os trabalhadores estavam passando por todas essas transformações. O Termômetro nada mais é do que uma pesquisa anônima realizada a cada quatro meses. Em 15 a 20 perguntas, as pessoas respondem como estão se sentindo e se recebem apoio da companhia; também conseguem compartilhar críticas, elogios ou sugestões. As respostas têm contribuído para a evolução das práticas de recursos humanos na Braskem.
“A primeira pesquisa mostrou que os funcionários estavam trabalhando de maneira improvisada dentro de casa e que sofriam com isso”, lembra Marcelo. Imediatamente, a organização enviou kits ergonômicos, com cadeiras e acessórios de informática, para a residência dos empregados. As entregas ocorreram em uma semana.
A segunda avaliação, em setembro de 2020, revelou o cansaço dos profissionais com o excesso de reuniões. Após isso, o RH adotou uma série de critérios: os encontros deveriam durar até 50 minutos, para que as pessoas tivessem um intervalo entre um compromisso e outro; e reuniões entre 11h30 e 13h30 e após às 18hs estavam proibidas.
Além disso, a Braskem estipulou que as manhãs de terça-feira e as tardes de sexta-feira estariam livres de compromissos. “Isso ajuda a baixar a carga de encontros durante a semana”, afirma Marcelo Arantes.
Somando-se às medidas, o RH também elaborou cartilhas para orientar sobre o trabalho remoto, recomendando pausas e alongamentos frequentes.
Resultados
A empresa conseguiu assegurar a produtividade e a motivação em alta. Na pesquisa mais recente, 75% dos funcionários se consideraram produtivos, contra 76% na primeira; e 87% se disseram engajados com o trabalho (eram 86%). A sensação de serem respeitados pela organização passou de 81% para 80%.
“Subir os indicadores seria bom, mas, dentro do contexto que estamos vivendo, manter a estabilidade também é bem aceitável”, afirma o vice-presidente de RH. Segundo ele, a Braskem manteve a rotatividade em 2,5% ao ano.
As mudanças devem continuar acontecendo a cada novo resultado de pesquisa. Agora, por exemplo, a companhia percebeu que a possibilidade de retorno aos escritórios poderia causar um novo impacto na produtividade ou aumentar a ansiedade nos funcionários.
Por isso, o RH se antecipou: o ambiente corporativo foi reformado e está 20% menor. “Só temos espaço para 42% das pessoas que trabalham na Braskem”, afirma Marcelo. “Ampliamos as áreas colaborativas para que as pessoas possam vir e interagir – porque achamos importante −, mas isso não é uma convocação.”
Segundo o executivo, a volta só está liberada para voluntários. “Estamos abertos para quem tiver tomado as duas doses da vacina, usar máscara, mantiver a distância de dois metros de outras pessoas e, claro, quiser vir.”
Think & Do
Pontos essenciais para manter a produtividade
- Faça pesquisas constantes e anônimas. Já diz o jargão corporativo: “O que não se mede, não se conhece”;
- Facilite a execução do serviço. Pesquisas indicam que os trabalhadores perdem eficiência porque não têm as ferramentas certas para realizar as tarefas ou porque perdem tempo com burocracias;
- Ofereça apoio emocional, de preferência com um fornecedor terceiro, para que os funcionários se sintam à vontade para compartilhar suas questões;
- Prepare a liderança para estar próxima, mas respeitar os intervalos e a qualidade de vida do time.
