Gestores ocupam funcionários com tarefas inúteis, diz estudo

Improdutividade: mais da metade do tempo de trabalho dos funcionários seria para tarefas desnecessárias

Muitos gestores enchem os funcionários com tarefas inúteis apenas para mantê-los ocupados. Segundo estudos, os profissionais passam apenas 39% do seu dia executando, de fato, tarefas estratégicas. O resto do tempo é dedicado a reuniões inúteis, elaboração de relatórios desnecessários, envio de e-mails com status de tarefas para controle dos chefes e revisão de apresentações ou materiais que já foram checados anteriormente.

De acordo com especialistas citados pela BBC, isso é fruto da cultura corporativa que acredita, ainda, que produtividade é sinônimo de horas trabalhadas, além de uma desconfiança em geral nos funcionários, que parece ter piorado com a pandemia. Uma pesquisa publicada em 2020 na Harvard Business Review mostrou que 41% dos gerentes questionavam a motivação de seus funcionários, e quase um terço duvidava que as pessoas tivessem o conhecimento certo ou as habilidades essenciais para fazer o trabalho remoto ser bem-sucedido.

Assim, esses gerentes acabam microgerenciando o trabalho de suas equipes e dando tarefas a mais apenas para evitar que fiquem ociosos.

“Os gerentes podem nem saber se o empregado já terminou sua principal tarefa, mas dão mais coisas para ele se ocupar e garantir que já não dêem o dia por acabado”, disse à BBC Barbara Larson, professora executiva de gestão na escola de negócos D’Amore-MckKim, da Universidade de Notheastern, em Massachussets. “É um trabalho que está sendo dado literalmente porque eles querem garanir que os empregados estejam trabalhando, de forma que o gerente se sinta sob controle”.

Por outro lado, estudos apontam que os empregados têm sido mais produtivos no trabalho remoto, ao contrário do que acreditariam os gerentes.

Mas não são apenas os líderes que têm essa mentalidade. Pesquisas sugerem que 41% dos profissionais também atribuem a si mesmos tarefas que poderiam ser delegadas a outras pessoas para parecerem mais ocupados e, consequentemente, mais produtivos. 

Tudo indica, portanto, que falta uma transformação cultural efetiva na forma como as pessoas entendem produtividade e comprometimento com o trabalho. O resultado: improdutividade e perda de tempo e dinheiro.

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