Soft skills: o que são, sua importância, exemplos e como desenvolver

Soft skills são competências socioemocionais ligadas ao nosso modo de agir, pensar e nos relacionar. Nove em dez CEOs consideram as soft skills mais importante do que as hard skills

As soft skills, também conhecidas como competências socioemocionais, são as habilidades ligadas ao nosso modo de agir, tomar decisões e de nos relacionarmos com os outros. E, mesmo com o avanço da tecnologia, elas são cada vez mais desejadas pelo mercado de trabalho.

O próprio CEO do LinkedIn, a rede social onde empresas e profissionais buscam se conectar, afirmou que a capacidade mais importante que os candidatos precisam ter não é saber codificar ou programar um software. Para Jeff Weiner, o principal gap – e a principalmente demanda dos recrutadores – está nas soft skills.

“Por mais poderosa que a inteligência artificial tenha se tornado e esteja se tornando, estamos muito distantes de termos computadores capazes de replicar e substituir a interação humana e o toque humano”, afirmou Jeff Weiner.

De acordo com uma pesquisa do LinkedIn, nove em cada dez executivos entrevistados consideram as soft skills mais importante do que as hard skills.

Jeff Weiner, CEO do LinkedIn, falando sobre soft skills
Para Jeff Weiner, CEO do LinkedIn, as soft skills são mais importantes do que saber programar (Sylvain Kalache | Wikimedia Commons)

E aqui fica um alerta. Um estudo sobre o futuro do trabalho da empresa de recrutamento Monsters, feito com mais de 3 mil profissionais responsáveis por recrutamento e seleção no mundo, aponta que o gap de habilidades ficou ainda maior após a pandemia da covid-19.

Competências como “ser confiável”, “resolução de problemas” e “comunicação”, segundo a Monsters, aparecem no topo das soft skills mais procuradas pelos empregadores – e, logo, as mais importantes para se colocar no currículo.

Por isso, a necessidade de se desenvolver soft skills.

Entenda a seguir a diferença entre hard e soft skills, conheça as habilidades mais importantes e como identificá-las no processo de recrutamento e seleção.

Significado de soft skill

Soft skills ajudam na colaboração.
As soft skills são essenciais para a colaboração no trabalho (Kaleidico | Unsplash)

O conceito de soft skill surgiu entre 1968 e 1972 entre os militares americanos. Os comandantes perceberam que, apesar de as tropas passarem pelos mesmos treinamentos para operar as máquinas e os equipamentos, havia diferenças no desempenho das equipes.

O que fazia a diferença entre o grupo de melhor desempenho era a forma como os soldados eram conduzidos e levados a se comportar e interagir – algo que não estava sendo ensinado.

Logo, os militares identificaram que os soldados sabiam trabalhar com os maquinários, as tecnologias e os sistemas. Mas, para desempenharem bem sua tarefa, também precisavam de outro tipo de conhecimento: um que assegurasse todo tipo de interação que não tivesse a ver com equipamentos, mas, sim, com pessoas e situações.

As soft skills (cuja tradução seria “habilidades leves”) são essa capacidade de lidar com situações diversas, cotidianas ou inesperadas. Por isso, elas são chamadas de competências socioemocionais.

Pesquisa Future of Work Global, da Monsters: lista das soft skills e hard skills mais procuradas pelos recrutadores

Um programador de software, por exemplo. Para desempenhar bem sua tarefa, ele deve conhecer as linguagens de programação, assim como aplicativos necessários para escrever os códigos.

Mas esse programador provavelmente não trabalhará sozinho. Ele poderá fazer parte de uma equipe ou ter de lidar com clientes. Nessas horas, terá de colaborar com outros profissionais, entender a demanda, resolver os problemas e tirar dúvidas, além de lidar com prazos, imprevistos e com a pressão por resultado.

Tudo isso exige que o programador saiba se comunicar bem com os outros, gerir o tempo para dar conta das entregas e manter a calma e a motivação necessárias nos momentos difíceis. Competências como essas são chamadas de soft skills.

Soft skill e hard skill: entenda a diferença

Mulher operando um maquinário - exemplo de hard skill
Saber operar maquinários é um exemplo de hard skill (Chavenon | Pexels)

Se as soft skill são as “competências leves”, as hard skills podem ser traduzidas como as habilidades “duras”. 

As hard skills significam os conhecimentos e as habilidades técnicas. São consideradas hard skills a capacidade de saber operar uma máquina, a habilidade de escrever um planejamento estratégico ou uma reportagem, ou o conhecimento de um ou vários idiomas.

Por isso, essas habilidade são fáceis de mensurar. Geralmente, basta aplicar um teste de conhecimento para avaliar se e quanto um profissional domina determinada hard skill.

Dessa forma, também é mais fácil desenvolver as hard skills. Claro que a facilidade com que cada um aprende varia muito e os resultados de treinamentos nem sempre são efetivos. Mas, de maneira geral, o ensino de hard skill tende a ser mais objetivo.

Por outro lado, a capacidade de um funcionário estudar uma hard skill também está relacionada às suas soft skills. Alguns indivíduos são autodidatas, gostam de aprender, e se dedicam duramente para absorver um conteúdo. Outros, talvez por confiarem muito em si, já não têm essa preocupação.

As soft skills dependem da personalidade, experiências e cultura de cada um. E elas não são tangíveis. Como analisar, por exemplo, a capacidade de resolução de conflito de um funcionário?

Soft Skill versus Hard Skill

Aprenda as diferenças entre os dois tipos de competências

Soft skillHard skill
Relacionada a pessoasRelacionada a tecnologias/conhecimentos
Baseada em comportamentoBaseada em equipamentos e ferramentas 
Não tem uma área específicaÉ especializada em uma área
GenéricaBaseada em procedimentos e metódica
Aplicável em diversas situaçõesReplicável em contextos específicos
IntangívelTangível
Não-técnicaPrevisível

A importância das soft skills

Pessoas trabalhando em uma mesa - soft skills estão em todos os momentos
As soft skills estão presentes em todos os momentos do trabalho. (Fauxels | Pexels)

Curiosidade, resolução de problemas, inteligência emocional, flexibilidade. Com certeza você já ouviu falar da importância de algumas dessas soft skills. De acordo com as necessidades de cada época, algumas das habilidades se tornam mais ou menos relevantes – e desejadas – para as empresas. Mas todas as soft skills são fundamentais para o sucesso, tanto profissional quanto do negócio.

Um estudo da escola de negócios americana MIT, conduzido em 2017 em cinco fábricas na Índia, indica que as soft skills aumentam a produtividade dos trabalhadores, melhoram a capacidade deles resolverem tarefas complexas, e diminuem o absenteísmo.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores aplicaram um treinamento de 12 meses focado em habilidades comportamentais como comunicação, resolução de problemas, tomada de decisão, gestão do tempo e estresse e excelência de execução, além de educação financeira e direitos sociais e legais.

Após oito meses, a empresa havia conseguido um retorno sobre o investimento (ROI) de 250%. Mesmo os funcionários que não participaram do curso foram “contaminados” pelos outros e também eram capazes de executar tarefas complexas em menos tempo.

Os benefícios das soft skills foram além, com os trabalhadores sendo capazes de melhor gerenciar suas finanças pessoais, guardar dinheiro para a educação dos filhos e pedir treinamentos para desenvolver hard skills.

As soft skills são competências fundamentais para o mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo em que vivemos. Elas não só garantem a sobrevivência das empresas, como também são a chave para as pessoas se manterem empregadas.

Matriz de soft skills do MIT: 24 habilidades que os profissionais devem ter para navegar no mundo de constante mudanças

Tanto que o Fórum Econômico Mundial, no seu relatório de 2020 sobre o Futuro do Trabalho, ressaltou a importância das soft skills frente à ameaça da automação causada pelo rápido avanço da tecnologia.

Pensamento crítico, análise e resolução de problemas, autogerenciamento, resiliência, aprendizado constante, tolerância ao estresse e flexibilidade estão entre as soft skills essenciais para os novos tempos – e a pandemia parece só ter aumentado nessas necessidades.

Exemplos de soft skills

Homem meditando - saber lidar com a pressão é uma soft skill
Saber lidar com a pressão é uma das soft skills mais exigidas hoje em dia. (Surface | Unsplash)

A necessidade por soft skills pode mudar conforme a época, o setor em que a empresa atua, ou até mesmo de acordo com o departamento que o funcionário está inserido. Uma fábrica, por exemplo, pode precisar que os trabalhadores tenham mais iniciativa, enquanto para a área de vendas a persistência pode se mostrar mais relevante.

Em todo caso, há algumas soft skills que são perenes e aparecem constantemente entre as mais procuradas pelo mercado. Uma referência para as habilidades mais importantes é a lista feita pelo Fórum Econômico Mundial. No relatório sobre o futuro do trabalho, as soft skills dominam.

Das 15 competências listadas para o mundo, apenas três não são hard skills: programação, uso, monitoramento e controle de tecnologias e análise e avaliação de sistemas. Já no ranking das top 10 habilidades para o Brasil, apenas uma não é soft skill (programação).

 Exemplos de soft skills, segundo o Fórum Econômico Mundial

As habilidades mais importantes – mundoAs habilidades mais importantes – Brasil
1. Pensamento analítico e inovaçãoLiderança e influência social
2. Aprendizagem ativa e estratégias de aprendizadoPensamento analítico e inovação
3. Resolução de problemasAprendizado ativo e estratégias de aprendizado
4. Pensamento críticoPensamento crítico
5. Criatividade, originalidade e iniciativaDesenho de tecnologias e programação
6. Liderança e influência socialSer orientado a servir o cliente 
7. Uso, monitoramento e controle de tecnologiasRaciocínio e resolução de problemas
8. ProgramaçãoGestão de pessoal
9. Resiliência, tolerância ao estresse e flexibilidadeCriatividade, originalidade e iniciativa
10. Raciocínio lógico e resolução de problemasResiliência, tolerância ao estresse e flexibilidade
11. Inteligência emocional
12. Experiência do usuário
13. Ser orientado a servir o cliente
14. Análise e avaliação de sistemas
15. Persuasão e negociação

Como desenvolver soft skills

Homem usando óculos de realidade virtual - tecnologia que ajuda a desenvolver soft skills
As tecnologias usadas em jogos, como realidade virtual, também garantem uma experiência de aprendizagem de soft skills (Foto Maurizio Pesce | Licença Creative Commons)

Uma pesquisa global do Gartner, com mais de 500 líderes de RH, aponta que o maior desafio da gestão de pessoas é desenvolver as habilidades críticas para o negócio. Essa é uma prioridade para quase 60% dos RHs entrevistados.

Apesar de não ser tão fácil mensurar o resultado dos treinamentos de soft skills, há algumas maneiras efetivas para se transmitir esse conhecimento para os funcionários.

Primeiro, é preciso ter em mente que muitas das soft skills são relacionais. Isso significa que elas têm a ver com a forma como interagimos com pessoas e situações. Assim, a interação dirigida entre os membros de um grupo é uma ótima forma de desenvolver essas competências.

Relatório Workplace Learning, do Linkedin: veja as soft skills prioritárias nos programas de desenvolvimento 

Veja dicas para treinamento e desenvolvimento de soft skill

Mentoria

Normalmente, a mentoria consiste em uma pessoa com mais experiência (o mentor) e uma pessoa com menos experiência (o mentorado). No entanto, a troca é mútua: nesse relacionamento mais próximo, as duas partes podem aprender e ganhar experiências valiosas.

O mentorado pode procurar o mentor para ter conselhos, entender o que é mais apropriado ou não e como lidar com situações específicas e difíceis. Já o mentor consegue exercer a empatia e compreender como é estar em outro cargo ou área.

Muitas empresas utilizam também a mentoria reversa – quando um profissional mais jovem deve ajudar um mais experiente a se adaptar a, por exemplo, um estilo de trabalho diferente do que conheceu na maior parte de sua carreira. 

É indicado que o mentor seja de outra área ou equipe para que ambas as partes fiquem à vontade e sem medo de retaliações ou de mal-entendidos no dia a dia do trabalho.

Coaching

No coaching, um profissional qualificado prepara o “coachee” para lidar com questões pessoais e profissionais. Nesse processo, que tem duração específica, os dois estabelecem juntos os principais objetivos a serem alcançados.

Em uma conversa, o coach ajuda o profissional a identificar seus maiores desafios e suas fortalezas. E, depois de traçado um plano de ação, os dois realizam conversas periódicas a fim de atingirem os resultados.

Normalmente, por se tratar de algo mais caro, as empresas direcionam o coaching para funcionários em cargos estratégicos, como a liderança, ou para casos em que problemas pontuais foram percebidos na avaliação de desempenho.

Workshops

Para grupos maiores, uma alternativa para desenvolver soft skills são os workshops, ou oficinas. Um profissional capacitado conduz o grupo para uma conversa sobre um tema, como inteligência emocional ou decisões difíceis.

Uma boa prática para isso é propor um problema para os participantes do treinamento, que devem colocar a mão na massa para chegar a uma solução. Depois, a experiência é avaliada e discutida, muitas vezes trazendo insights valiosos para os profissionais.

Pode-se também replicar cenários encontrados no dia a dia do trabalho. Por exemplo, simular o que acontece quando um cliente está insatisfeito e nervoso, dando a chance de o time praticar como lidar com a situação em um ambiente seguro e com feedback.

Interação com colegas

Promover conversas e discussões entre os funcionários pode ser outra forma de exercitar soft skills, além de ajudar no engajamento e senso de equipe. A ideia é que, com a troca de experiências, as pessoas aprendam umas com as outras.

Muitas vezes, as pessoas replicam no seu comportamento as atitudes que enxergam nos outros. Dessa forma, quando são expostas a outras formas de pensar e agir, elas desenvolvem outras habilidades que até então desconheciam.

Para essa conversa coletiva, o gestor de pessoas pode sugerir um tema e, a partir daí, estimular que o grupo troque histórias e pontos de vista relacionados ao assunto. Um facilitador pode ajudar os mais tímidos a participar, além de mediar possíveis conflitos ou discordâncias e de controlar o tempo.

Outro modelo é indicar um filme ou um livro e depois chamar a equipe para uma roda de conversa, a fim de discutir o que foi visto ou ouvido.

Esse é um exemplo de treinamento com custo relativamente baixo para a empresa e que pode trazer bom retorno.

Aulas virtuais

Com a tecnologia, simular situações e cenários para o desenvolvimento de habilidades na prática é uma possibilidade cada vez mais acessível. Muitas vezes, as empresas desenvolvem jogos pelos quais os funcionários vão passando por uma trilha de conhecimento.

Alguns treinamentos utilizam óculos de realidade virtual (Virtual Reality, VR) para deixar a experiência ainda mais realista para os participantes. A ferramenta pode ser usada, por exemplo, para desenvolver a capacidade de se falar em público – sem que o funcionário precise, de fato, encarar uma platéia.

A tecnologia permite um treinamento prático, ao mesmo tempo em que proporciona uma experiência moderna e diferente. Assim, contribui para um maior engajamento dos alunos.

Soft skills no recrutamento e seleção

Recrutadora entrevistando candidato - dificuldade é identificar soft skills
Um dos maiores desafios para o RH é saber identificar as soft skills (Alex Green | Pexels)

Além de capacitar os funcionários para as habilidades de hoje e do futuro, outro desafio para as empresas é selecionar e contratar os candidatos com as competências certas para a empresa.

As hard skills são fáceis de avaliar. Mas como medir, em uma entrevista de emprego, se um profissional tem as soft skills desejadas?

Os recrutadores não conseguem dizer se um candidato tem inteligência emocional só de olhar para o seu currículo, por exemplo. E, mesmo durante a entrevista, a leitura pode ser equivocada.

Por isso, uma das maiores preocupações das organizações tem sido saber identificar e avaliar as soft skills no momento do recrutamento. E o RH vem criando ferramentas para melhorar essa seleção.

Antes disso, contudo, é essencial que a companhia saiba quais são as competências que, de fato, tal posição precisa. Ter claro quais demandas o profissional terá no dia a dia aumenta a chance de uma contratação assertiva.

Conheça as ferramentas que facilitam a avaliação das soft skills

Assessments comportamentais

Baseados em conhecimentos da Psicologia, os assessments mapeiam o perfil de comportamento e valores dos candidatos e podem servir para fazer uma triagem dos perfis mais adequados para cada vaga.

Existem assessments para todos os tamanhos de bolso. Os mais em conta são oferecidos por plataformas de recrutamento, eletronicamente. Mas nada impede que o próprio RH aplique ele mesmo o questionário.

Dinâmicas de grupo

Esse recurso pode ser valioso para observar as pessoas em ação umas com as outras. Nele, os candidatos se reúnem para realizar uma tarefa ou desafio e mostram, na prática, como agem no trabalho em equipe.

É possível identificar como um candidato contribui com a realização da tarefa:se assume a liderança, traz ideias diferentes ou age de forma mais mediadora.

No entanto, o RH deve levar em conta o nervosismo dos candidatos no processo seletivo, além de se atentar para não excluir as pessoas tímidas.

Perguntas específicas na entrevista

No momento da entrevista, é possível pedir para o candidato explicar como agiria em determinada situação, ou ainda compartilhar aprendizados e experiências que teve na carreira. O recrutador pode, inclusive, ser mais direto e perguntar qual a habilidade comportamental mais importante para a pessoa e por quê.

As respostas darão boas pistas sobre como o profissional age no dia a dia e o que ele valoriza, assim como seu nível de maturidade para o cargo.

Observe o comportamento

O comportamento do candidato ao chegar e sair da empresa ou durante a interação com outros candidatos e com o RH, seja por e-mail seja presencialmente, também revela suas soft skills.

O recrutador consegue analisar desde se o candidato comparece no horário correto até se ele se comunica bem, se mostra impaciente ou toma a iniciativa de fazer perguntas.

As soft skills são essenciais tanto para os candidatos quanto para as empresas que querem se destacar em um mercado cada vez mais competitivo e desafiador.

Com a popularização de novas tecnologias, são as pessoas – e o jeito como se portam – que fazem a diferença para os negócios.

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