Trabalho depois da pandemia: apenas o mínimo necessário

Pesquisa mostra que mais de um terço dos profissionais não está preocupado em superar metas no trabalho

Depois da pandemia, cada vez mais funcionários “tiraram o pé do acelerador” e estão se contentando em trabalhar para entregar o mínimo possível. Pelo menos é o que indicam dados da pesquisa CNBC|Momentive Workforce, que mostrou que cerca de 39% dos profissionais dizem estar trabalhando apenas 30 horas por semana, mesmo sendo pagos pelas tradicionais 40 horas.

Já um estudo da Gallup, de janeiro de 2022, revelou que metade dos empregados afirmavam não estar nem engajados, nem desengajados no trabalho.

Muitas vezes se aproveitando do home office, esses profissionais não deixam de realizar suas tarefas, responder a e-mails ou de participar de reuniões — mas eles não vão além do que é necessário.

Enquanto isso, aproveitam para se dedicar à vida pessoal, família ou simplesmente navegar na internet durante o expediente. Há quem diga que a escolha é especialmente útil para aqueles trabalhadores que, sofrendo com o burnout, tiveram que diminuir o ritmo. 

Assim, o trabalho deixa de ser a prioridade na vida dessas pessoas que, se não se demitem, também procuram focar em outros aspectos da vida – quase como que a outra face da moeda do Great Resignation: em vez de sair das empresas, essas pessoas vêm criando outra relação com o trabalho.

Em entrevista à BBC, Mark Bolino, diretor de gestão e negócio internacional na Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos, atribuiu à pandemia o aumento desse fenômeno. “A pandemia forçou as pessoas a pensarem sobre a vida, família e trabalho de uma forma diferente”, disse. “Muitos na força de trabalho também reavaliaram como a carreira se encaixa em suas vidas”.

Por outro lado, se o movimento pode ser interpretado como falta de engajamento, também vale se perguntar: a jornada de trabalho de 40 horas ainda faz sentido? Ou as empresas deveriam se preocupar menos com as horas trabalhadas e mais com a entrega?

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