IA em reuniões amplia riscos legais e desafia o RH

Uso de IA em reuniões aumenta a exposição a disputas jurídicas, gera novos conflitos e amplia a crise de confiança nas empresas

O uso de assistentes de inteligência artificial (IA) que gravam e transcrevem reuniões virtuais automaticamente está criando novos riscos legais e organizacionais para as empresas.

Segundo reportagem publicada pela Fortune, ferramentas conhecidas como AI notetakers têm registrado conversas informais, comentários sensíveis e até discussões confidenciais sem que os participantes percebam, gerando preocupações relacionadas à privacidade, governança e uso indevido de informações corporativas.

Advogados trabalhistas e especialistas em gestão de pessoas relatam que o problema não está apenas na gravação em si, mas na forma como essas informações são armazenadas e distribuídas. Em alguns casos, transcrições completas são compartilhadas automaticamente com equipes inteiras, incluindo trechos que nunca foram destinados a registro formal.

Com isso, comentários informais, fofocas e discussões fora da pauta passam a integrar registros formais, distribuídos automaticamente a todos os participantes da reunião – internos ou externos –, aumentando o risco de disputas legais e conflitos entre as pessoas.

O avanço da IA em reuniões reflete uma tendência de automação do trabalho intelectual, especialmente em atividades como documentação, acompanhamento de decisões e registro de reuniões.

Contudo, embora tragam ganhos claros de produtividade, os assistentes de IA exigem novas políticas de uso, definição de consentimento de informações e maior controle sobre o ciclo de vida das informações. Para o RH, isso representa um novo campo de atuação, que envolve equilibrar eficiência operacional com proteção de dados, confiança e preservação da segurança psicológica no trabalho.

Dados da pesquisa Think Work IA no RH: Maturidade, Aplicações e Perspectivas –, realizada em 2025 com 203 empresas com mais de 100 funcionários, mostram que a maior parte dos negócios ainda não tem governança estruturada sobre o uso da tecnologia.

Apenas 44% das organizações afirmam ter políticas e ferramentas de proteção já aplicadas ao uso de IA em recursos humanos, enquanto 42% estruturam diretrizes e controles. Outros 14% não iniciaram discussões sobre o tema.

Os números indicam que a adoção da inteligência artificial na gestão de recursos humanos avança mais rapidamente do que a definição de mecanismos formais de controle, ampliando a exposição a riscos operacionais e jurídicos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site is protected by reCAPTCHA and the Google Privacy Policy and Terms of Service apply.