Neon se estrutura para manter trabalho remoto como opção permanente

Como a fintech Neon superou desafios e adotou o trabalho remoto com sucesso. Decisão foi resultado de pesquisa interna que ouviu os funcionários

Todos se lembram bem como os acontecimentos de março de 2020 obrigaram as organizações a se adaptarem frente à pandemia de covid-19. Na fintech Neon não foi diferente. Naquele momento, todos os cerca de 1.800 empregados – hoje o número passa de 2.000 – tiveram de trabalhar remotamente.

“Naquela época, a Neon tinha dois escritórios na cidade de São Paulo e o trabalho era no formato presencial, como na maioria dos lugares”, diz Lígia Shimizu, gerente de People Engagement & Experience da Neon. “Fomos uma das primeiras empresas a conseguir colocar todo mundo 100% em home office quando chegou a pandemia.”

No final de 2021, a pandemia ainda não tinha acabado, mas a Neon já havia percebido que era hora de pensar no futuro. “Queríamos decidir qual era o melhor modelo de trabalho para nós”, lembra Lígia.

O caminho

O caminho escolhido pelo banco digital para tomar essa decisão foi ouvir os mais interessados no tema: os “neowners”, como são chamados os funcionários da Neon. “Com isso, entendemos que o formato remoto estava funcionando”, diz a gerente. Assim, em dezembro de 2021, nasceu o Neon Em Todo Canto, o formato de trabalho 100% remoto do banco digital.

De acordo com Lígia, o modelo levou em conta três premissas:

  • Na Neon, todos valorizam seu tempo e sua atenção;
  • Os Neowners fazem tudo com a cara da Neon;
  • Eles cuidam das relações e do negócio.

Além da importância da pesquisa interna, a gerente ressalta o cuidado com a escolha do nome para o novo formato de trabalho. “O próprio nome reforça a segunda regra, que diz que ‘fazemos tudo com a cara da Neon’. Ou seja, é um desenho de trabalho remoto que possibilita ter um brasileiro trabalhando do exterior ou que possibilita contratar estrangeiros em outros países”, explica Lígia. “Com o remoto internacional, estamos cada vez mais potencializando o fato de a Neon ser uma empresa global.”

Uma pesquisa da Think Work com a Atlas apontava que, em 2023, mais da metade das empresas entrevistadas já haviam perdido funcionários para trabalhar em uma organização de fora do Brasil. Entre essas, 41% reconheciam que esse tipo de movimentação ocorria com alguma frequência.

Assim, a Neon manteve o escritório em São Paulo para quem quiser encontrar o time de forma voluntária. E também fechou parcerias com coworkings em todo o país, caso o funcionário deseje trabalhar fora de casa em alguns dias da semana.

Para manter a cultura organizacional, a Neon criou alguns rituais que aproximam as áreas, mesmo que elas estejam fisicamente longe uma das outras. Por exemplo, toda segunda-feira acontece o Think Neon, uma reunião online com a alta liderança. Tem também a Think de Pessoas, que reúne as lideranças das áreas para falar sobre os números relacionados aos funcionários.

O RH ainda estimula que uma vez por mês os profissionais se encontrem presencialmente para um momento de descontração. É o Tamo Junto. “Acredito que nosso time conseguiu influenciar nessa questão de rituais para que dessem certo, já que eles fazem com que as pessoas se juntem e não se sintam isoladas”, diz Lígia.

Há ainda estratégias de comunicação. Uma delas, por exemplo, acontece toda segunda-feira, quando os funcionários recebem uma newsletter chamada Giro Neon com todas as novidades. Há uma versão em português e outra em inglês.

Resultados

Para se adequar ao trabalho remoto, a Neon também fez algumas adaptações em um aspecto valioso para os profissionais: a carteira de benefícios. Eles se tornaram flexíveis e hoje podem ser distribuídos entre vale-alimentação ou refeição, auxílio mobilidade, melhoria na categoria do plano de saúde e cursos.

A política de home office foi resultado de uma análise interna e é bem avaliada pelos funcionários da Neon. Todo mês, a pesquisa de pulso da empresa, que tem adesão na casa dos 75%, mostra o trabalho remoto com nota entre 9,4 e 9,6. em uma escala de 10.

Além da satisfação dos funcionários, a Neon conseguiu superar outro desafio corporativo comumente relacionado ao home office: o dano à cultura organizacional. “Conseguimos manter o formato de trabalho em 100% remoto sem perder nada em termos de cultura. Isso é um excelente resultado”, comemora Lígia.

O desenho de jornada imposto pela empresa tem relação direta com a satisfação do funcionário em trabalhar lá e pode influenciar até na sua produtividade, como mostra uma pesquisa de 2024 da Think Work. Entre as pessoas insatisfeitas com seu modelo de trabalho (remoto, presencial ou híbrido), 57% pensam em mudar de emprego e 63% afirmam que a condição prejudica a execução de suas tarefas. Os que concordam com o arranjo estipulado pela companhia são mais engajados, gostam mais da empresa e produzem mais e melhor.

THINK & DO

Dicas da Neon para adotar uma política de trabalho remoto:

  • Ouça os principais interessados. Uma pesquisa interna pode ser o melhor caminho para indicar qual o modelo de trabalho a ser adotado. “Na Neon, fizemos tudo com base numa pesquisa interna. Buscamos entender com as pessoas qual era o modelo de trabalho que melhor funcionava para elas e, a partir daí, fizemos as adaptações”, conta Lígia.
  • Crie rituais. Reuniões virtuais mensais de todas as lideranças e semanais de cada time separadamente podem garantir a manutenção da cultura organizacional. Vale também estimular encontros presenciais entre os funcionários que estão em uma mesma cidade.
  • Capriche na comunicação. Produza formatos com conteúdos para contar as novidades a todos os times periodicamente. “Isso garante que as pessoas estejam alinhadas e sempre evoluindo junto com a cultura da empresa”, afirma Lígia.