Além dos benefícios aos funcionários, projeto de business intelligence da Sabin também economizou cerca de 15% com planos de saúde em 2022
Por Guilherme Dearo
No final de 2020, a equipe de saúde corporativa do laboratório Sabin, ao lado do time de pessoas, foi desafiada pela alta gestão da empresa: a companhia precisava de um novo modelo de saúde.
A ideia era integrar todas as áreas com informações referentes à saúde dos trabalhadores. Segundo Eduardo Sampaio, coordenador de saúde corporativa do Sabin, os esforços da empresa precisavam ser consolidados em uma única iniciativa.
“Antes, era tudo muito pulverizado. Uma área só olhava para os planos de saúde, outra cuidava somente da terapia ocupacional. Nossa missão era integrar dados, ideias e projetos”, conta Eduardo.
O caminho
Primeiro, a empresa reestruturou a área de medicina e segurança ocupacional para que ficasse mais estratégica e assumisse outras questões: a gestão dos planos de saúde e assistência odontológica, os programas de prevenção, os atendimentos com os médicos de família e a clínica in company de atendimento primário.
Depois, foi a vez de pensar em um novo programa interno de saúde, buscando reduzir custos na área e atingir metas como prevenção de doenças, diminuição do absenteísmo e aumento da produtividade e bem-estar.
Em abril de 2021, o Sabin inaugurou o programa Saúde em Dia, focado em cinco frentes, atreladas a questões-chave: Em Dia Com Seu Peso, Em Dia Com Sua Mente, Em Dia Com Seu Coração, Em Dia Como Sua Prevenção e em Em Dia Com Sua Gestação.
“A gente foi buscar a inspiração para o novo programa no propósito da empresa, que é o de cuidar de pessoas. A ideia era mostrar o valor da companhia em relação à saúde e, ao mesmo tempo, reforçá-los”, diz Eduardo. Segundo ele, outra grande preocupação foi o contato mais próximo e humanizado. O objetivo era que os funcionários fossem promotores da saúde dentro da organização, se engajando no tema e no projeto.
Para estruturar o programa, a empresa usou ferramentas de business intelligence e análise de dados para traçar o perfil dos funcionários e seus históricos de saúde, levantando questões como principais queixas, motivos de atestados e afastamentos e dados de utilização do plano de saúde.
“Investimos em mais tecnologia e inteligência artificial para transformar os dados brutos em inteligência, cruzando informações que estavam em diferentes áreas. O que não pode ser medido, não pode ser gerido”, explica Eduardo.
Os cinco pilares atuam em várias frentes. No Em Dia Com Seu Corpo, por exemplo, a companhia investiu em programas de práticas de exercícios físicos, uso da academia interna com acompanhamento físico, psicológico e nutricional, além de eventos de corrida.
Já no Em Dia Com Sua Mente, há o Programa Acolher, com time de psicólogos de prontidão e eventos sobre saúde mental.
Em outros pilares, existem ações como gestão e acompanhamento de funcionários que podem apresentar problemas crônicos de coração; atenção ao atendimento primário, com uso da clínica interna da empresa; iniciativas específicas de prevenção para os funcionários com mais de quarenta anos; programas de check-up focados em executivos e profissionais em cargos estratégicos; e projetos voltados para a maternidade e temáticas femininas, já que quase 80% da força de trabalho da companhia é composta por mulheres.
Segundo Eduardo, o programa tem cinco objetivos estratégicos fundamentais: engajar as pessoas no cuidado com a saúde; estimular hábitos e estilo de vida saudáveis; prevenir doenças; aumentar a saúde e a produtividade das pessoas; e reduzir os custos e sinistralidade médica.
O programa da Sabin foi finalista do prêmio Think Work Flash Innovations de 2022 na categoria saúde e qualidade de vida.
Resultados
Como consequência do programa, o Sabin conseguiu diminuir o número médio de internações por pessoa em 4% e os afastamentos por motivo de doença em 6%.
A empresa calcula que economizou cerca de 15%, ou 5 milhões de reais, na renovação dos seus planos de saúde em 2022. “Mostramos às operadoras todo nosso projeto e provamos que estamos comprometidos com a prevenção e o bem-estar dos funcionários”, analisa Eduardo.
Todas as iniciativas fazem parte dos benefícios da empresa e não trazem nenhum tipo de custo aos trabalhadores.
Segundo Eduardo, a empresa recebe feedbacks positivos constantes sobre o projeto, e pequenos ajustes são feitos conforme os comentários, sem deixar de utilizar business intelligence. “Inclusive, já soubemos de pessoas que valorizam tanto esses benefícios de saúde que recusaram posições em outras empresas, mesmo com uma promessa de salário maior. O programa ajuda na retenção de talentos, funcionando como um forte atrativo adicional da Sabin”, conclui.
THINK & DO
- É preciso contar com o apoio da alta administração da empresa. Eles precisam comprar a ideia do projeto, porque ele demandará alto investimento, esforço e tempo. Sem essa sintonia, a ideia não sairá do papel.
- A empresa precisa identificar a real necessidade dos funcionários, ou seja, entender com clareza o perfil dos trabalhadores para, então, agir com estratégia e foco. Usar a base de dados e fazer análises profundas dos números é fundamental.
- É preciso investir em tecnologia de dados e trabalho com business intelligence. Além de ajustar processos, contar com tecnologia e profissionais de alta capacidade técnica é essencial para esse tipo de projeto.
