Estrutura molecular inspira organograma da Elephant Skin

Novo organograma da Elephant Skin, que surgiu a partir de estudos da CEO sobre o DNA, reorganiza as equipes e melhora a atração da empresa

Por Diorela Kelles

A Elephant Skin surgiu em 2017, com o objetivo de atender campanhas para o mercado imobiliário. É uma agência de design estratégico que pensa desde a elaboração do conceito até a entrega dos materiais de divulgação.

Após crescer mais de 150% em 2021, precisou repensar sua apresentação para o mercado. Era sentida a necessidade de tornar gráfico o pensamento estrutural, para que todos os funcionários e stakeholders entendessem a cultura da empresa.

Giovana Driessen, na época COO da empresa, hoje CEO, chegou a conclusão que a questão exigia um primeiro passo básico: estudar. Mas não estudar o que já faziam e como faziam. Ela precisava beber de fontes diferentes. E foi quando se voltou para livros de biologia.

Nos estudos da CEO sobre biologia e estruturas moleculares, algo parecia fazer muito sentido: os funcionamentos eram fluidos. A partir disso, Giovana construiu uma estrutura para a empresa que combinasse com o que havia aprendido com a natureza.

O caminho

Partindo da ideia de que o DNA possui 4 bases: Adenina (A), Guanina (G), Citosina (C) e Timina (T), a Elephant Skin também foi em busca de suas próprias bases. Da analogia da estrutura celular foi possível chegar à sua estrutura organizacional. A empresa desenvolveu as suas quatro bases, de acordo com a cultura do home office: inteligência criativa, pessoas, processos e clientes. Estava definido o “DNA” de como a empresa trabalha.

“A empresa adotou uma estrutura horizontal em vez de uma vertical, que acabou se tornando tridimensional”, revela. Em busca de proporcionar autonomia e crescimento para seus funcionários, a liderança é descentralizada, e existe uma cultura antifrágil de crescimento. 

Mas as interpretações não ficaram apenas na base. A forma de trabalhar também passou por transformações. Ao estudar a estabilidade entre elétrons, Giovana chegou ao conceito de ligação covalente.

Os livros de Biologia a descrevem bem: trata-se do tipo de ligação química estabelecida via compartilhamento de um ou mais pares de elétrons entre dois átomos, de forma que atinjam a estabilidade.

Este conceito não ficou somente para as questões de vestibular. Adentrou as portas da companhia e chegou até as duplas criativas. “Uma pessoa com perfil criativo e uma com perfil de coordenação formam uma ligação equilibrada”, observa a CEO. 

Assim foram definidas as lideranças segundo o novo organograma da Elephant Skin, o que fez com que toda a empresa pudesse entender o conceito de hunter e farmer. “Dentro das duplas, tem aquele que tem um perfil mais desbravador e outro que tem um perfil mais de entrega, e esses dois perfis na liderança dão resultados muito mais eficientes”, garante Giovana.

As células, a partir do momento em que começam a se inflar, podem ser divididas. Novamente, livros de Biologia vêm à mente, mas também, como se pode imaginar, uma analogia seria feita para a gestão. “Por exemplo, quando mais pessoas dentro de um time já absorveram a cultura e estão aptas a se transformarem, é possível criar uma célula autônoma, que se quebra no meio”, comenta Giovana.

Ela trata da “meiose”. Mais um conceito que, para quem não se lembra, é o processo de divisão celular em que uma célula origina quatro células-filhas com metade do número de cromossomos da célula que as originou. 

“De vários processos que acontecem na natureza e no DNA conseguimos fazer analogia de como a gente trabalha e como a gente cresce e mantém a qualidade do que a gente entrega”, pontua Giovana.

Resultados

A empresa nasceu remota e estabeleceu uma cultura assíncrona que permite explorar a maior produtividade e capacidade das pessoas, sem limitá-las a um horário específico. Assim, a empresa proporciona liberdade aos seus funcionários, o que gera uma melhor entrega de trabalho do que o esperado.

Ao adotar uma estrutura de organograma inovadora e se inspirar em analogias moleculares para sua organização, a Elephant Skin conseguiu melhorar a fluidez de seu trabalho, zerou entregas em atraso e manteve uma equipe bem alinhada. No formato criativo, a empresa também conseguiu uma boa métrica de atração, tendo crescido de 5 para 130 pessoas, em mais de 30 cidades em diferentes países, em apenas 5 anos. 

THINK & DO

  • Pense fora da caixa. Uma empresa de marketing, que trabalha com mercado imobiliário e arquitetura poderia pensar em inovar buscando o universo do marketing, mercado imobiliário e arquitetura, certo? Pois foram os livros de biologia e química que trouxeram as respostas e a inovação que a empresa precisava.
  • Entendimento da própria cultura. De nada adiantaria criar um belo grafismo de estrutura corporativa se a cultura da empresa não estivesse muito bem compreendida e assimilada. Mesmo num universo remoto, a Elephant Skin investiu em desenvolver e criar condições para que todos pudessem aprimorar e usufruir de sua cultura.
  • Inovar também é entender. A Elephant Skin buscou entender que as pessoas que trabalhavam para ela poderiam ter perfis diferentes e complementares. A ideia do hunter e do farmer faz com que as pessoas se sintam muito mais à vontade em suas próprias peles e possam realizar as entregas para as quais são realmente boas.