DEIcast, o podcast da Liberty, trata de temas de diversidade, equidade e inclusão, que os próprios trabalhadores discutiam por conta própria em grupos abraçados pela empresa
Por Guilherme Dearo
No começo de 2022, a Liberty Seguros via seus funcionários se reunir em grupos, voluntariamente, para debater ideias e organizar iniciativas. Havia pautas diversas, em todos os sentidos, como equidade de gênero, afrodescendência e outras origens étnicas, comunidade LGBTQIAP+, PcDs (pessoas com deficiência), trocas entre pessoas 50+ e jovens da Geração Z, entre outros. Essas turmas, que podem ser chamadas de ERG (sigla em inglês para Employee Resource Group, algo como grupo de recursos ou passatempo dos empregados), estavam no radar do RH, que as admirava e incentivava.
Vanessa Zani, gerente de talento e responsável por diversidade, equidade e inclusão na Liberty Brasil, conta que, em reunião, a fala emocionada de um funcionário sobre sua sexualidade, seguida pelo apoio do líder, foi tão marcante que deixou claro como a empresa tinha histórias inspiradoras para compartilhar. “Ali, pensei em como levar essas conversas e histórias às pessoas e chegamos à conclusão de que um podcast seria perfeito”, diz Vanessa.
O caminho
Assim nasceu o DEIcast, um podcast em vídeo cujo nome vem de diversidade, equidade e inclusão. O formato audiovisual era importante para alcançar também os surdos, que, se não captam o áudio, podem ler as legendas ou acompanhar a tradução em libras. Também era importante que os vídeos tivessem no máximo 10 minutos: a equipe se baseou em um estudo do Google, segundo o qual 59% dos usuários consomem vídeos curtos para descobrir novos assuntos e depois se aprofundar com vídeos mais longos.
“Não sabia, agora sei” é o slogan do projeto, feito com o apoio do time de comunicação da empresa no Brasil e no exterior. O videocast contou com a aprovação e a adesão das lideranças de cada grupo ERG, que ajudaram a definir os temas dos programas.
Resultados
A primeira temporada, lançada em junho de 2022, foi gravada ao longo de seis meses. Os seis episódios falaram de PcD, LGBTQIAP+, Gênero, Etnias, Gerações e um híbrido entre diversidade e mundo do trabalho, pensado com uma abordagem interseccional. A cada encontro, a empresa contou com uma consultoria e convidados. “De olho no lugar de fala, fizemos parcerias em busca de assertividade e profundidade”, diz Vanessa.
No total, o DEIcast teve 750 ouvintes na primeira temporada: 60% escutaram ao menos um episódio e 39% maratonaram no mínimo três. Os programas ficam armazenados em uma plataforma interna da empresa. Como há espaço para comentários e abertura para feedbacks, a Liberty agora avalia a recepção e estuda se, na próxima temporada, abrirá o conteúdo para o público externo, por meio de uma plataforma como o Spotify.
As amostras colhidas pela área de pessoas são promissoras nesse sentido. Foram registradas, por exemplo, exibições dos episódios em reuniões para promover debates. “Como são programas curtos, são perfeitos para abrir discussões”, analisa Vanessa, para quem os funcionários, cada vez mais diversos, se sentem representados pelo programa.
Para a segunda temporada, que teve início em 2023 e já está no quarto episódio, a Liberty fechou parceria com a Fundação Dorina Nowill, referência na inclusão de pessoas com deficiência visual. Os episódios, todos interseccionais, promovem debates sobre cultura e letramento em diversidade. Todos os programas têm tradução para libras e legendas.
“Aprendemos muito nessas duas primeiras temporadas. No início, fazíamos um episódio por mês, o que deixou tudo muito corrido, mas foi necessário porque tínhamos de ouvir os comentários no processo e ir testando a novidade. Na segunda temporada, já gravamos os seis episódios de antemão, e estamos divulgando com calma a cada mês. Para a terceira temporada, em 2024, vamos aprender com as experiências de 2022 e 2023 e buscar um novo parceiro que nos ajude a seguir falando de diversidade”, conclui Vanessa.
THINK & DO
- Conheça o seu propósito. Nenhum programa sobre diversidade vai para frente se as pessoas envolvidas não tiverem o interesse genuíno de falar sobre o assunto e causar um impacto real e positivo no mundo.
- Não faça nada sozinho. Trabalhe em grupo, em processo colaborativo, ouvindo diferentes perspectivas e ideias. Principalmente, escute o público-alvo do projeto, inclua a todos no processo e respeite os seus lugares de fala.
- Abra espaço e escute o público. Receba comentários e ajuste o projeto no caminho, se preciso, mantendo lugar para a crítica e as melhorias.
