Projeto prevê licença paternidade estendida para 30 dias e capacitação online para funcionários que são pais
Para melhorar a experiência do funcionário e fortalecer os pilares de diversidade, equidade e inclusão, a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein investe há bastante tempo em benefícios voltados à parentalidade. As creches para filhos e filhas de funcionárias, por exemplo, são oferecidas há 40 anos.
No entanto, a entidade, que soma 20.850 funcionários, identificou que benefícios que miram somente a maternidade não são o suficiente. Isto é, eles não impulsionam a equidade de gênero. Para se ter uma ideia, no Brasil, as mulheres gastam o dobro do tempo dos homens nos cuidados com a casa e a família, segundo o IBGE.
Além disso, havia uma demanda dos funcionários do Einstein, que se manifestaram por meio dos grupos internos de afinidade e pesquisas de clima. Pensando nisso, a instituição criou o projeto Proteção à Parentalidade na Primeira Infância, cujo foco principal é incentivar a paternidade presente. O projeto estimula os funcionários a se envolver mais nas tarefas domésticas e na criação dos filhos.
“O Einstein precisou se adaptar não apenas à temática de gênero, mas também às diferentes necessidades decorrentes das configurações familiares, dos interesses individuais e do aumento da percepção de valor. O projeto tem como premissa apoiar e incentivar o vínculo familiar. Isto é, promover uma relação sensível e atenta entre bebês e suas famílias por meio dos cuidados necessários para o sentimento de pertencimento e segurança afetiva”, explica Andrea Gomes, gerente de Serviços de RH.
O caminho
O alvo do projeto é a primeira infância, período que vai desde a gestação até os dois anos de idade do bebê. Estudos mostram que essa é a fase de ouro do desenvolvimento da criança e, para que tudo corra bem, é preciso do envolvimento tanto da mãe quanto do pai.
“Um dos nossos desafios é estimular a participação ativa da figura paterna durante os primeiros dias da criança no lar, de forma integral e prolongada. Por isso, o projeto tem como meta fortalecer o vínculo paterno e apoiar a mãe no puerpério, reforçando a mensagem de equidade de gênero na criação das crianças”, conta Andrea.
Diante disso, o projeto estendeu a licença-paternidade para os funcionários, ampliando o período de cinco dias previsto em lei para 30 dias remunerados. Assim, os pais têm mais tempo para conviver com os bebês e fortalecer o vínculo nesse período inicial.
Por ser uma organização filantrópica, o Einstein não pode fazer parte do Programa Empresa Cidadã, portanto, a licença-paternidade é paga pela própria instituição.
O segundo passo do projeto foi a criação de uma plataforma online para fornecer formação e capacitação em torno da paternidade e da primeira infância. Por lá, os funcionários encontram conteúdos sobre o protagonismo paterno, seus impactos no desenvolvimento dos bebês, a importância da primeira infância, dicas práticas para cuidar das crianças, entre outros.
Além do programa Proteção à Parentalidade na Primeira Infância e a oferta de creches, a instituição oferece outros benefícios ligados à parentalidade. Por exemplo, o auxílio financeiro para funcionários com filhos com deficiência e o programa de cuidado pré-natal para gestantes que trabalham na organização ou que sejam companheiras de funcionários.
Todas essas iniciativas do Einstein, voltadas para a maternidade e a paternidade, são geridas pelos times de Recursos Humanos e Diversidade e Inclusão.
Os resultados
Entre o início da iniciativa, em 2020, e meados de 2023, a assistente virtual do Einstein respondeu a 202 perguntas sobre a licença-paternidade para cerca de 100 funcionários. Isso demonstra o interesse interno em participar do programa Proteção à Parentalidade na Primeira Infância.
Nesse mesmo período, 75 pais, de 20 áreas e unidades diferentes, usufruíram da licença-paternidade estendida. Outras 42 licenças estavam programadas para os meses seguintes.
Segundo Andrea, após a liberação do acesso dos funcionários à capacitação online, a organização obteve um NPS de 9,9 na pesquisa de satisfação.
Think & Do:
Dicas do Einstein para elaborar um programa de parentalidade :
- Escute os funcionários: Em tempos de desafios na atração e retenção de talentos, torna-se ainda mais importante ouvir quem irá usufruir dos benefícios que a empresa quer criar. Isso garante maior adesão e impulsiona o engajamento e a motivação das pessoas.
- Convença a liderança: Como toda estratégia de uma organização, as iniciativas de diversidade e inclusão também precisam da adesão da liderança. É ela quem ajuda a permear a cultura da empresa. Esse movimento é sempre de cima para baixo. Por isso, sensibilize as lideranças antes de implementar um novo projeto.
- Entenda as mudanças: com novos paradigmas e configurações de famílias se tornando cada vez mais comuns, é preciso compreender essas diferenças para criar benefícios que atendam a todas as pessoas em suas particularidades.
