Estudo em 103 países mostra que bem-estar aumenta com a idade

Pesquisa com dados de 103 países mostra que jovens relatam mais ansiedade, estresse e sofrimento mental do que trabalhadores mais velhos

O bem-estar dos trabalhadores aumenta com a idade. Essa é a conclusão de um estudo que analisou dados de 103 países, incluindo o Brasil.

A pesquisa foi conduzida pelos economistas David G. Blanchflower e Alex Bryson, vinculados ao National Bureau of Economic Research, e reúne informações de oito levantamentos internacionais, entre eles Gallup, World Values Survey e European Social Survey.

Os resultados apontam um padrão recorrente entre bem-estar e idade: ansiedade, estresse, depressão e sentimento de desesperança são mais elevados entre trabalhadores jovens e diminuem gradualmente nas faixas etárias mais altas.

Segundo os pesquisadores, essa tendência foi observada em 60% dos países analisados, incluindo tanto economias desenvolvidas quanto emergentes. O estudo é o primeiro a demonstrar essa relação de forma consistente em uma amostra global tão ampla.

Em uma das bases analisadas, com cerca de 950 mil respondentes de 81 países, profissionais de 18 a 24 anos registraram uma média de 36 pontos em uma escala de bem-estar psicológico. Entre trabalhadores de 65 a 74 anos, a pontuação chega a 111.

Dados da Think Work apontam um padrão semelhante no Brasil. Em pesquisa recente com mais de 600 participantes, apenas 27% dos jovens de 18 a 22 anos dizem se sentir bem todos os dias, enquanto entre pessoas com mais de 60 anos esse índice chega a 57%. O levantamento também mostra níveis mais altos de mal-estar entre as faixas etárias mais jovens.

De acordo com Blanchflower e Bryson, uma possível explicação dessa diferença está na mudança das condições de renda ao longo da vida. Com o avanço da idade, parte da população passa a contar com aposentadorias, pensões ou benefícios por incapacidade, o que reduziria pressões associadas ao trabalho.

Outra hipótese envolve a evolução das condições de trabalho. Ao longo da carreira, profissionais acumulam experiência e tendem a ocupar posições mais estáveis, o que contribuiria para níveis mais elevados de satisfação.

Os pesquisadores também tentam explicar o aumento recente do sofrimento psicológico entre os jovens. Uma interpretação possível é a queda na qualidade dos empregos, especialmente no início de carreira. Nos Estados Unidos, por exemplo, trabalhadores mais novos avaliam a qualidade do próprio trabalho de forma mais negativa do que colegas mais velhos.

Outra ideia está ligada ao avanço tecnológico. A expansão da internet, dos smartphones e das redes sociais pode ter ampliado as comparações sociais entre os jovens. Os mais novos passam a confrontar suas trajetórias com padrões extremamente elevados — incluindo celebridades, atletas ou influenciadores — o que pode gerar frustração e expectativas irreais sobre carreira e renda.

A discussão sobre bem-estar ganhou peso nas organizações nos últimos anos, impulsionada pelo aumento de licenças médicas relacionadas a casos de sofrimento psicossocial. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de 970 milhões de pessoas no mundo convivem com algum transtorno mental, e quadros de ansiedade e depressão figuram entre as principais causas de afastamento do trabalho.

Diante desse cenário, empresas têm ampliado iniciativas de apoio psicológico e programas de saúde mental no trabalho, tema que passou a ocupar posição central nas estratégias contemporâneas de gestão de pessoas.

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