O impacto – positivo – da renda mínima na economia

Após um experimento conduzido na África, pesquisadores do MIT descobriram que o salário social evitaria, inclusive, a depressão

Qual o custo da fome, da pobreza e do desemprego para uma economia? A distribuição de uma renda mínima, que dê aos indivíduos dinheiro suficiente para sobreviver, poderia ajudar as pessoas a resistir a crises?

Ainda nem sonhávamos com a pandemia de covid-19 quando um grupo de pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) quis medir o impacto da renda mínima na economia de um país.

Em 2017, eles iniciaram um projeto piloto nos povoados de Siaya e Bomet, no Quênia. Dividiram a população em quatro grupos: 5 mil pessoas receberiam 75 centavos de dólares por dia, por 12 anos. O valor era o suficiente para cobrir alimentos e algumas despesas básicas de saúde e educação. Outro grupo, de 9 mil quenianos, ganharia esse montante por dois anos. Um terceiro grupo, com outros 9 mil, teria 500 dólares de uma única vez. O grupo de controle não receberia nada.

Os pesquisadores concluíram que a maioria das pessoas que recebeu o dinheiro (mensal ou de uma única vez) passou menos fome, ficou menos doente e teve menos depressão.

Os benefícios foram comprovados tanto antes quanto depois de o país impor restrições em função da pandemia da covid-19.

À medida que os casos de coronavírus começaram a aumentar em todo o mundo, o governo do Quênia restringe a mobilidade e as reuniões de grupos, para evitar a propagação do vírus. As medidas tiveram um efeito negativo na economia do país e nos membros mais pobres da sociedade, principalmente porque as restrições foram impostas durante a época de escassez agrícola do país, quando os alimentos ficam mais raros e caros.

Contudo, os dois povoados envolvidos no experimento tiveram um número de casos de coronavírus extremamente baixo (menos de uma dúzia). Isso mostra que quaisquer efeitos não se devem à doença, mas, sim, às respostas políticas à pandemia e suas interações com a estação de escassez.

Quase 70% das pessoas no grupo de controle relataram passar fome nos 30 dias anteriores à pesquisa, durante a estação de escassez. Os beneficiários da renda mínima, porém, relataram entre 7% e 16% menos probabilidade de passar fome. Eles tiveram entre 9% e 14% menos chance de ficar doentes e também eram menos deprimidos.

Além disso, o dinheiro distribuído encorajou as pessoas a abrirem negócios antes da pandemia, estimulando a tomada de riscos e o investimento no futuro. Quando o governo instituiu restrições, esses empreendedores continuaram no mercado. Apesar de perdas nos lucros, eles ainda foram capazes de sustentar melhorias na segurança alimentar em relação ao grupo de controle. 

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