As pessoas confiam mais nas empresas do que nos governos
Pesquisa Barômetro de Confiança 2020 mostra que as pessoas confiam mais nas empresas do que nos governos. Acima de tudo, acreditam na ciência
Pesquisa Barômetro de Confiança 2020 mostra ainda que oito em dez profissionais teme perder o emprego para a uberização do trabalho
As pessoas confiam mais nas empresas do que no governo ou na mídia. Ao mesmo tempo, a maioria teme perder o emprego e duvida que as companhias farão algo para impedir isso. É o que mostra o Barômetro de Confiança 2020 realizado pela Edelman, com mais de 34 mil entrevistados em 28 países.
Diante da pergunta “Em quem você confia?”, 80% dos entrevistados responderam nos cientistas, 69% em pessoas da própria comunidade e 65% em cidadãos do seu país. Um pouco mais da metade (51%) acredita nos CEOs e metade, nos jornalistas. Líderes religiosos (46%), governantes (42%) e os muito ricos (36%) apareceram no fim da lista.
É curioso observar que os negócios familiares têm mais credibilidade do que as demais empresas privadas. E que, no geral, os índices caem conforme o nível de informação dos entrevistados. Entre o público mais informado, o índice chega a 65, enquanto na massa da população fica em 51.
Segundo o estudo, a confiança se baseia em competência (cumprir o prometido) e ética (fazer o certo e ajudar a melhorar a sociedade).
Especialmente nos mercados desenvolvidos, a desigualdade social causa desconforto e mais da metade dos entrevistados (56%) culpa o capitalismo por isso. Nos 22 dos 28 países pesquisados, a maioria concorda que o sistema gera mais danos que benefícios à sociedade. Em geral, os sentimentos mais comuns são de injustiça e desejo de mudança.
Para os respondentes, as instituições mais injustas são os governos, que buscam o interesse de poucos (resposta de 58%). Em seguida, aparecem as empresas (54%), a mídia (51%) e as organizações não-governamentais (42%).
Além disso, oito em cada dez entrevistados temem perder o emprego, especialmente por causa da gig economy (no Brasil, o termo usado tem sido “uberização”), da iminente recessão e da falta de treinamento ou de habilidades.
Quase 80% deles acreditam que é obrigação do empregador retreinar os funcionários afetados pela automação ou pela inovação. Contudo, apenas 30% confiam que o patrão fará isso.
A maioria dos respondentes (74%) acha que os CEOs deveriam se responsabilizar pelo impacto da automação no trabalho e capacitar os profissionais para os serviços do futuro – em vez de ficar esperando uma imposição do governo.
