Multinacionais se unem para recolocar demitidos da Ceitec, fabricante de chips liquidada pelo governo

Em meio a uma crise global de chips, o governo brasileiro determinou a extinção da única empresa da América Latina a produzir totalmente semicondutores. A ação caiu como uma luva para multinacionais ávidas por talentos especializados na tecnologia

Em 21 de junho, a Volkswagen e a General Motors paralisaram suas unidades no ABC Paulista por falta de chips. Sem essas pequenas peças, é impossível para as montadoras criarem veículos com sistemas de GPS inteligentes, de gerenciamento de combustível, telas sensíveis ao toque e, a grande a aposta das empresas, os carros autônomos. Especialistas estimam que a escassez global de chips, que já dura há alguns meses, pode fazer a indústria automotiva global perder mais de US$ 110 bilhões em 2021.

Mas elas não estão sozinhas: empresas de todos os segmentos no mundo inteiro estão interrompendo ou diminuindo suas produções devido à falta de chips. Isso porque, enquanto a demanda por eletrônicos aumentava com o isolamento, os semicondutores, presentes desde celulares até aviões, começaram a sumir ainda no ano passado, devido às restrições de produção por conta do coronavírus. A escassez é tão grande que tem até gente falando em “Armagedom dos chips”, algo que, inclusive, pode afetar a recuperação das economias após a pandemia da Covid-19.

Mas, enquanto o mundo todo se estapeia pelas minúscula peças, o Brasil resolveu extinguir a única empresa da América Latina a produzir totalmente microprocessadores com silício.

Em dezembro , o governo de Jair Bolsonaro anunciou o processo de liquidação do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), estatal brasileira referência na fabricação de chips, localizada em Porto Alegre. Os funcionários da companhia criaram uma associação, batizada de ACCEITEC, e várias ações estão sendo movidas judicialmente para barrar a decisão. Entretanto, além da formalização da extinção da empresa, em abril deste ano, a Ceitec demitiu 34 funcionários da empresa.

A demissão em massa das dezenas de profissionais especializados caiu como uma luva para outras empresas e organizações do mundo todo, que se uniram para realocar os profissionais. A EnSilica, do Reino Unido, foi uma delas. A companhia, que está montando operações na cidade gaúcha, já contratou 12 ex-funcionários da Ceitec e vai antecipar o plano de três anos de chegar a 30 profissionais no país.

Ao decretar a extinção da Ceitec e ir na contramão do mundo inteiro, o governo brasileiro contribui para a chamada “fuga de cérebros” − que, acentuada durante a pandemia, já fez o Brasil cair oito posições e ficar em 80º lugar no ranking de competitividade global.

Com informações do site Convergência Digital.

Comments on Multinacionais se unem para recolocar demitidos da Ceitec, fabricante de chips liquidada pelo governo

  1. Albino Tonin disse:

    Só um ser despreparado incompetente,estelionatário e corrupto com o sr jair com sua equipe de picaretas para fazer uma idiotice dessas .

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