Siderúrgica adota IA para apoiar decisões salariais, reduzir vieses e tornar os ciclos de reajuste mais orientados por dados e governança
A Gerdau, multinacional brasileira do setor siderúrgico, passou a usar inteligência artificial para apoiar decisões salariais e reduzir distorções nos ciclos anuais de reajuste.
A iniciativa surgiu após a empresa identificar que, mesmo com acesso a dados consolidados de desempenho, histórico profissional e faixas salariais, parte das lideranças ainda optava por aumentos lineares – estratégia que simplificava o processo, mas nem sempre refletia mérito, criticidade das posições ou trajetórias individuais, comprometendo a equidade salarial.
Para enfrentar o problema, a companhia estruturou um modelo de recomendação salarial baseado em IA, com o objetivo de tornar as decisões mais justas, consistentes e orientadas por dados. A ferramenta analisa múltiplas variáveis e sugere ajustes individualizados, mantendo a decisão final sob responsabilidade do gestor. A proposta foi reduzir vieses, qualificar as conversas sobre remuneração e otimizar o uso do orçamento aprovado anualmente pelo conselho.
O projeto foi viabilizado após um trabalho prévio de organização e integração de dados, etapa fundamental em iniciativas de People Analytics. Em 2023, a Gerdau aprimorou sua plataforma de remuneração, reunindo informações como avaliação de desempenho, sucessão, tempo na função, histórico de reajustes e posicionamento nas faixas salariais. Em 2024, o algoritmo foi integrado ao sistema com apoio de um parceiro externo e passou a considerar, além desses fatores, critérios de diversidade para evitar discrepâncias. O piloto envolveu 10% da liderança e, ao final do ano, o modelo foi aplicado a mais de 2.700 líderes.
Um dos diferenciais do modelo adotado pela Gerdau é o mecanismo de responsabilização embutido na ferramenta. Sempre que o gestor opta por não seguir integralmente a recomendação da IA, é necessário registrar uma justificativa formal no sistema. Segundo a empresa, esse processo amplia a consciência sobre vieses individuais, fortalece a governança das decisões salariais e alimenta o próprio modelo com dados reais, contribuindo para o aprimoramento contínuo do algoritmo.
Os resultados do primeiro ciclo indicaram alta adesão ao sistema. Cerca de 37% das recomendações foram aceitas integralmente. No mesmo período, o uso de aumentos lineares caiu de 45% para 25%, sinalizando uma mudança relevante no padrão decisório.
A empresa também observou melhora na retenção de talentos entre os líderes contemplados e redução na demanda por suporte operacional do RH, liberando o time para atividades mais estratégicas.
Além dos impactos imediatos, a companhia já planeja a expansão da iniciativa. A partir de 2026, o modelo de recomendação salarial baseado em inteligência artificial deve ser levado para as operações da Gerdau no México, nos Estados Unidos e no Canadá, ampliando o uso da solução em escala internacional.
O projeto é um dos cases participantes do Prêmio Think Work Innovations 2025, que reconhece iniciativas de impacto em gestão de pessoas, tecnologia e inovação no trabalho. Mais informações sobre o prêmio estão disponíveis em:
👉 https://thinkworklab.com/innovations

