Uso de software para vigiar funcionários aumentou 50% durante pandemia de Covid-19

Falta de confiança nos profissionais em home office está fazendo com que surjam diversas empresas especializadas apenas em oferecer tecnologias que monitoram os trabalhadores — até sem eles saber

O uso de software de vigilância por parte de empresas aumentou 50% desde o início da pandemia, segundo uma pesquisa do site Top10VPN, focado em privacidade virtual. Alguns dos sistemas utilizados permitem até que os líderes ativem as câmeras e os microfones dos notebooks dos funcionários remotamente ou, pior ainda, que monitorem as teclas digitadas.

De acordo o levantamento, a frase “como monitorar funcionários em home office” foi a segunda mais buscada na internet desde março de 2020, o que mostra o desespero e o despreparo das empresas com a mudança abrupta para o trabalho remoto. 

Há pouco tempo atrás, o escritório da Canon na China adotou uma medida um tanto quanto inusitada para garantir a satisfação dos seus funcionários: instalou câmeras com tecnologia de “reconhecimento de sorriso”. As ferramentas colocadas nas portas das salas de conferência utilizam inteligência artificial para  permitir a entrada ou o agendamento de reuniões apenas dos empregados sorridentes.

Segundo especialistas, a prática distópica da Canon é mais um exemplo de como o uso de ferramentas de vigilância invasivas estão se tornando comuns nas empresas. Com isso, aplicativos e empresas especializadas em patrulhar os funcionários começam a se proliferar mundo afora.

Softwares como StaffCop e Clever Control, por exemplo, permitem o controle remoto de webcams e microfones. Outros medem as teclas digitadas, capturam senhas em sites e outros programas, monitoram mensagens privadas em bate-papos de mídia social ou tiram printscreens aleatórios do desktop para garantir que uma pessoa não assista à Netflix ao invés de trabalhar. Um aplicativo, NetVizor, afirma que opera “inteiramente furtivo, invisível para o consumidor”.

Que as empresas espionam e-mails e redes sociais corporativas não é novidade, mas a vigilância invasiva realizada dentro da casa dos trabalhadores leva a graves questionamentos. Como ficam a privacidade das pessoas e a segurança das senhas? Isso não seria um desvio moral e ético das organizações?

No Brasil, práticas de vigilância como essas poderiam se enquadrar como assédio moral, segundo a legislação trabalhista. Além disso, as empresas precisam buscar um equilíbrio. Ter informação é bom, mas em um contexto em que tanto se fala em protagonismo e accountability, a hipervigilância faz sentido?

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