Pular de uma reunião para outra aumenta o estresse, diz estudo da Microsoft

Pesquisa realizada pela gigante de tecnologia apontou que fazer pausas entre as videoconferências ajuda o cérebro a “reiniciar” e ser mais produtivo

Um estudo publicado pela Microsoft na última semana mostrou algo que a gente já desconfiava: pular de uma reunião online para outra é extremamente estressante. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores pediram que 14 indivíduos participassem de duas maratonas de videoconferências utilizando equipamentos de eletroencefalograma (EEG), que mede a atividade cerebral.

No primeiro dia, as pessoas tinham de participar de quatro reuniões consecutivas. Além de serem sequenciais, em cada encontro os participantes teriam de se dedicar a desafios diferentes: projetar um layout de um escritório ou criar um plano de marketing, por exemplo.

Já no segundo dia, os profissionais deveriam realizar os mesmos quatro encontros, mas intercalá-los com intervalos de 10 minutos. Cada pausa era composta por uma sessão de meditação guiada utilizando um aplicativo específico para a prática.

O resultado? A falta de pausas entre as reuniões resultou em picos de ondas betas na mente, aquelas associadas ao estresse. Quando haviam momentos de descanso, porém, essas mesmas ondas cerebrais diminuíam permitindo que o cérebro conseguisse “reiniciar” e se envolver nas reuniões de forma mais produtiva. 

“Nossas pesquisas mostram que os intervalos são importantes, não apenas para nos deixar menos exaustos até o final do dia, mas para realmente melhorar nossa capacidade de concentração e engajamento com essas reuniões”, declarou Michael Bohan, diretor sênior do grupo de Engenharia de Fatores Humanos da Microsoft, que supervisionou o projeto. 

Desde que o home office se tornou regra, muitas organizações triplicaram o número de reuniões.

Porém, especialistas têm alertado para o fato de os encontros remotos exigirem mais dos participantes, tanto física quanto emocionalmente. E esse estresse gerado pelas videoconferências ganhou até nome: fadiga de zoom.

De olho no prejuízo, empresas estão às voltas para minimizar os danos que o excesso de interações online causam aos funcionários. Algumas proíbem encontros em sequência, já outras são mais radicais: em alguns dias simplesmente não é permitido fazer nenhuma reunião online. É o caso do Citibank que, em março, enviou um comunicado para os 210 mil funcionários banindo videoconferências internas às sextas-feiras.

A CEO da instituição, Jane Fraser, reconheceu que a pandemia de covid-19 e o isolamento social exauriu a todos, além de confundir os limites entre casa e trabalho, o que, para ela, é insustentável. “Quando nosso trabalho regularmente transborda para as noites, muito cedo pela manhã e fins de semana, pode nos impedir de recarregar totalmente, o que não é bom para você nem, em última análise, para o Citi”, diz o memorando que incentiva os funcionários a parar de agendar reuniões e ligações fora do horário comercial.

No Brasil, a farmacêutica Sanofi é outra que foi no mesmo caminho. Por lá, o dia para banir o Zoom acontece às quinta-feiras.

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