Levantamento com 648 empresas mostra que saúde mental, competitividade de custos e atração de talentos lideram a agenda do RH no 2º semestre de 2025
O RH inicia o segundo semestre de 2025 em meio a uma equação complexa: combinar pressão por eficiência, necessidade de engajamento e adaptação constante a um cenário de mudanças aceleradas.
É o que aponta a pesquisa Desafios do RH para o 2º semestre, realizada pela Think Work em parceria com o iFood Benefícios, que ouviu 648 organizações em todo o país para mapear as prioridades da área.
O estudo revela que quatro temas se consolidam como desafios universais para os RHs, independentemente do porte da empresa ou do nível de maturidade da área: saúde mental, competitividade de custos, atração de talentos e gestão da política de remuneração e benefícios.
Essa combinação mostra o dilema que a área terá de enfrentar: como cortar custos e conter gastos com salários sem sobrecarregar ainda mais equipes já fragilizadas emocionalmente? Para responder essa pergunta, a tendência é que as companhias precisarão investir em escuta, inovação e muita transparência.
Veja, a seguir, a tabela com as 10 principais metas do RH nos próximos meses:
Apoiar os funcionários no cuidado com a saúde mental | 40% |
Ajudar a melhorar a competitividade de custos | 30% |
Atrair talentos | 27% |
Administrar/adequar a política de remuneração e benefícios | 24% |
Alterar a cultura organizacional | 20% |
Atingir metas de diversidade e inclusão | 17% |
Aumentar a produtividade | 17% |
Desenvolver futuros líderes | 11% |
Inserir IA na rotina do RH | 10% |
Reduzir/balancear turnover e headcount | 10% |
Prioridades em alta e em baixa
O levantamento da Think Work mostra mudanças em relação ao ano passado.
Saúde mental, por exemplo, que em 2024 ocupava a 16ª posição com apenas 9% das respostas, saltou para a liderança absoluta neste ano, primeiro com 34% no início do ano e agora com 40% das empresas apontando o tema como central. A nova NR-1, implementada com abordagem educativa neste ano, pode ser um dos motivos para esse movimento.
Outro assunto que ganhou força, e que pode ser uma resposta a um cenário de instabilidade política e econômica em todo o mundo, foi ajudar a melhorar a competitividade de custos, que passou da 7ª posição em 2024 para a 2ª em 2025.
Além disso, a inserção de inteligência artificial na rotina do RH vem avançando. Embora ainda apareça em 9º lugar, com 10% das respostas, o tema evoluiu rapidamente: no ano passado estava na 23ª posição.
E enquanto algumas frentes ganham força, outras perdem espaço na agenda. Fortalecer a cultura organizacional, por exemplo, que já foi foco em 2024, com 38% das respostas, despencou para a 15ª posição em 2025, com apenas 7% das organizações. O mesmo aconteceu com desenvolver líderes atuais, que passou da 4ª colocação no ano passado para 19ª.
Os dados podem apontar uma substituição de iniciativas estruturantes por ações mais imediatas. Nesse sentido, o desafio para os próximos meses será equilibrar urgência e estratégia, sem perder de vista o impacto humano das decisões.
Mais do que nunca, o RH precisará mostrar que resultados rápidos e sustentabilidade do negócio podem caminhar juntos, desde que as pessoas permaneçam no centro das escolhas.