Gigantes da tecnologia assistem ao ressurgimento dos sindicatos

Funcionários de empresas como Tik Tok e Tesla estão se organizando para exigirem melhores condições de trabalho, salários ou benefícios

A guerra entre sindicatos e patrões, com greves, piquetes e ânimos exaltados, nos faz lembrar do contexto laboral da Europa nos anos 1970 e 1980. Mas é em pleno 2022, na cidade de Berlim, que essa tendência está começando a voltar à tona. Um movimento crescente de trabalhadores está se organizando para representar seus interesses junto a seus empregadores, que novamente, resistem às reivindicações.

Invés de fábricas e indústrias, gigantes da tecnologia estão na berlinda. No lugar de reuniões às escondidas em locais pouco iluminados, os encontros agora acontecem em bairros badalados da capital alemã, onde ficam os escritórios de companhias como Tik Tok, Tesla e das empresas de entrega por aplicativo Flink e Gorillas.

O modelo dessas organizações sendo formadas na Alemanha é um pouco diferente. Os conselhos, como são chamados, não representam uma classe inteira de trabalhadores, mas funcionários de uma organização específica. 

O Tik Tok, acusado de não dar condições dignas de trabalho aos moderadores de conteúdo da plataforma e de congelar os salários dos trabalhadores mesmo aumentando a carga de trabalho, torceu o nariz quando um grupo de insatisfeitos criou o primeiro conselho de profissionais da empresa.

A companhia conseguiu barrar algumas tentativas iniciais dos trabalhadores com manobras na Justiça alemã, mas os profissionais acabaram vencendo.

Já Elon Musk, conhecido desafeto de movimentos sindicais, não fez nada para impedir que os conselhos se formassem na Tesla Gigafactory (Fábrica gigante, em inglês), em Berlim. A tática do executivo foi outra: fez de tudo para que as eleições para membros e dirigentes do conselho favorecessem alguns de seus trabalhadores “favoritos”, ou seja, que não causariam problemas a montadora de automóveis.

Mas, as tentativas de sufocamento do movimento sindical não estão acontecendo sem serem vistas pelas autoridades. O ministro do trabalho alemão, Hubertus Heil, declarou em 2022 que “é evidente que pessoas que estão tentando formar conselhos em suas empresas estão sendo assediadas”, além de garantir que aqueles que obstruem a formação destes conselhos serão punidos pela lei alemã.

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