Pesquisa da Think Work com 260 organizações mostra descompasso entre a importância atribuída à tecnologia e o treinamento em IA oferecido aos trabalhadores
Quase nove de cada dez empresas brasileiras (87%) consideram conhecimentos em tecnologias emergentes, como inteligência artificial (IA), automação e computação em nuvem, importantes ou muito importantes para o negócio. Apesar disso, menos de um terço oferece treinamento específico sobre o uso de IA aos funcionários.
Os dados são da pesquisa Think Work | Desenvolvimento Profissional nas Empresas, realizada com 260 companhias. No levantamento, 42% classificam essas competências como muito relevantes e 45% como de relevância média para suas operações.
Mesmo assim, menos de 30% das organizações oferecem cursos específicos sobre inteligência artificial aos empregados. Cerca de 55% afirmam que a capacitação está em planejamento, enquanto 18% dizem não ter previsão de implantá-la.
Entre as companhias que já treinam funcionários em IA, 41% tornam o programa obrigatório para todos os trabalhadores e 30% exigem apenas para áreas específicas, como tecnologia, RH ou jurídico. Somente 1% afirma ter desenvolvido cursos voltados exclusivamente à liderança.
A análise também indica que a inteligência artificial deve influenciar fortemente a área de Treinamento e Desenvolvimento. Quase 70% das empresas acreditam que nos próximos dois anos a tecnologia irá impactar a maneira como formam os talentos.
A pesquisa reuniu empresas de diferentes portes e setores. Embora o Sudeste concentre 59% das respostas, participaram organizações de todas as regiões do país, com presença mais frequente de companhias de tecnologia, varejo e educação.
IA e outras mudanças no treinamento de talentos
Além da inteligência artificial generativa, as empresas apontam outras transformações que devem influenciar os programas de aprendizagem corporativa nos próximos anos.
Entre as principais tendências citadas estão:
- Integração entre desenvolvimento, gestão de desempenho e people analytics — 42%
- Personalização das trilhas de aprendizagem — 40%
- Maior foco em competências socioemocionais — 33%
- Redução de treinamentos presenciais — 22%
- Expansão do microlearning e aprendizado sob demanda — 17%
Quase 10% das organizações afirmam não acompanhar tendências relacionadas ao futuro do desenvolvimento profissional.

