Violência doméstica entra na mira do Bradesco

Bradesco cria projeto para ajudar funcionários a identificarem e denunciarem situações de agressão e violência, enquanto oferece apoio jurídico, psicológico e social

Por Marina Dayrell 

Foi-se o tempo em que havia barreiras rígidas entre vida pessoal e profissional. Se, de um lado, a tecnologia levou o trabalho cada vez mais para dentro de casa, por outro as empresas passaram a lidar com questões antes consideradas de esfera íntima no cuidado com os funcionários, como saúde mental, em um posicionamento em que assumem que o seu papel na vida dos trabalhadores vai além daquilo que acontece dentro da empresa. 

O Bradesco é uma das organizações que chamou para si a responsabilidade de lidar com um problema ainda grave na sociedade brasileira, e ainda um tabu para muitas pessoas e organizações: a violência contra a mulher. Foi assim que, em 2019, a organização criou o programa “Violência contra a Mulher é Da Nossa Conta”, para auxiliar funcionárias e familiares que passam por situações de agressão em casa.

“Por se tratar de uma questão que muitas vezes se manifesta fora das fronteiras corporativas, é comum que as empresas não assumam papel de protagonismo em sua solução”, diz Julia Carneiro, analista de recursos humanos do Bradesco. “Mas há movimentos sociais há anos nessa luta e entendemos que ela é de responsabilidade também das empresas.”

O caminho

O primeiro passo foi, ainda em 2019, a entrada do Bradesco para a Coalizão Empresarial pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas. Na época, o projeto ainda era um embrião do que é hoje: um evento que acabaria se tornando um programa contínuo.

Um ano depois, o Bradesco criou, por meio do seu programa de qualidade de vida, saúde e bem-estar, uma linha exclusiva para amparar vítimas de violência contra a mulher. Ao buscar ajuda, a pessoa tem acesso a diversos profissionais, com orientações especializadas: psicológicas, sociais, jurídicas e outras. Caso seja necessário, também há a possibilidade de acompanhamento da vítima até sua casa, ao hospital ou delegacias. 

O canal fica disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, para todo o time do Bradesco e seu núcleo familiar. 

Depois, o projeto ganharia outra ferramenta: a trilha de conhecimento e sensibilização “Violência contra a Mulher é da Nossa Conta”. Disponível na plataforma de RH da empresa, ela conta com cartilha, vídeos, podcasts e outros conteúdos que tratam de temas como violência, os tipos e o ciclo da agressão doméstica, maneiras de buscar uma rede de apoio dentro e fora da organização e formas de denúncia. 

Já em 2021, a empresa lançou a campanha “Novas Respostas da Bia contra o Assédio”. A Bia é a assistente virtual do Bradesco. Aqui, as respostas da inteligência artificial foram atualizadas para posicionamentos mais firmes sobre abordagens abusivas e assédio. “Nossos times de atendimento foram capacitados no assunto e os protocolos, atualizados”, conta Julia. “A ideia é fazer com que todos repensem o modo de se dirigir às mulheres.”

Por fim, em 2022, o Bradesco criou o curso “Assédio é da Nossa Conta”, para conscientizar os funcionários e divulgar canais corporativos para denúncia. Neste ano, o curso se tornou obrigatório para todos os trabalhadores. 

Segundo Julia, um grande desafio foi compreender o papel da companhia em questões que, muitas vezes, se manifestam dentro da casa das pessoas. “Nesse sentido, estar ao lado de outras empresas em movimentos como a Coalizão Empresarial pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas fez toda a diferença”, afirma.

Para que o programa siga em progresso contínuo, foram envolvidos os times de: Diversidade, Equidade e Inclusão, Unibrad, Saúde, Cultura e Bem-estar; Comunicação Interna, Consultoria Interna de Recursos Humanos e Relações Sindicais, Marketing, Atendimento e Operações Canais e Compliance e Conduta Ética. O grupo de afinidade de gênero da empresa também participa do projeto, dando consultoria. Os membros do grupo receberam capacitação específica no tema.

Resultados

As iniciativas de educação corporativa sobre o combate à violência doméstica criadas pelo Bradesco somam mais de 30.000 participações e quase 25.000 funcionários capacitados. Já nas iniciativas de assédio, o número de participantes passa de 126.000, com quase 85.000 funcionários “formandos”. 

E o nível de satisfação dos funcionários com as capacitações é alto. Em relação à trilha de conhecimento “Violência contra a Mulher é da Nossa Conta”, a nota média é 4.9, de zero a 5.

Julia chama a atenção para a presença constante do Bradesco em rankings, processos de reconhecimento, levantamentos e estudos nos últimos anos, que segundo ela, demonstram que a empresa está no caminho certo.

“O banco foi reconhecido dentre as 10 empresas da América Latina mais bem classificadas, segundo o Índice Bloomberg de Igualdade de Gênero. E seguimos como uma das Melhores Empresas para a Mulher Trabalhar, segundo o levantamento do Great Place to Work, além do primeiro lugar dentre as Melhores Empresas na categoria Gestão Saudável”, conta ela. 

THINK & DO

  • Crie projetos que tenham a ver com o propósito. Quando uma iniciativa é movida pelo propósito da organização, o seu potencial de transformação é catalisado e ela tem mais chances de obter aderência entre os funcionários.

  • Saiba fazer conexões. O mercado está cheio de empresas que passam pelos mesmos desafios que você, principalmente aqueles que são de ordem social. Então, mantenha proximidade com essas organizações e troque experiências.
  • Pense em complementaridade. Dificilmente, um projeto já nasce pronto para resolver todos os problemas relacionados ao seu tema. Não tenha receio de criar novas ferramentas para complementá-lo ao longo da execução.