Skeelo cria trilha de carreira inspirada no universo ‘Star Wars’

Com o projeto, RH da Skeelo conseguiu criar trilha de carreira de maneira lúdica e mapear a evolução e sucessão para todas as posições da empresa

Por Simone Costa

Lançada em 2019, no seu terceiro ano de vida a produtora de livros digitais Skeelo entendeu que era hora de criar um plano de desenvolvimento para seus quase 100 funcionários, uma necessidade sentida pelo RH em avaliações e pesquisa de clima. Sem uma trilha de carreira estruturada e um plano de cargos e salários bem definido, a empresa se arriscava a perder talentos, principalmente na área de tecnologia, onde estão os profissionais mais demandados do mercado nos últimos tempos. 

“As pessoas não sabiam que novos passos poderiam dar. Tinham a impressão de que precisavam esperar que alguém deixasse a empresa para mudar de posição, o que gerava insegurança”, diz Lucas Mariano, especialista em remuneração, que chegou ao RH da Skeelo no ano passado. “Os funcionários chegavam atraídos pelo pacote de benefícios, mas não sabiam se podiam crescer dentro da produtora.” 

Caminho

O ano de 2022 serviu, então, para a estruturação de um projeto com vistas à retenção de pessoas. A primeira etapa foi montar um plano de remuneração, com a descrição dos cargos. Depois, o RH se ocupou em dar visibilidade e transparência às informações, para que cada funcionário pudesse enxergar todo o cenário e planejar seu caminho.

A fase seguinte foi desenhar a trilha de carreira. O desafio era fazer com que os trabalhadores fossem fisgados pela ideia e se animassem, de fato, a se desenvolver dentro da empresa. Para isso, era preciso falar a língua do time, que tem em média 31 anos e está inserido no mundo geek, com gosto por jogos eletrônicos, HQs e ficção científica. 

Uma pesquisa interna revelou que o universo da saga Star Wars era o mais próximo da maioria, familiar para 65% dos funcionários. Assim, nasceu “I’m Skeeler”, projeto que conta com referências à série, como o nome dado às grades salariais, batizadas de “Grades Jedi”. 

Ainda que tenha sido criado de maneira coletiva, o projeto é personalizado: o acompanhamento da trilha de carreira mostra as possibilidades de cada um, como o de uma peça sobre um tabuleiro divertido, com links para jogos eletrônicos, histórias em quadrinho, ficção científica etc. 

Hoje, quando alguém é contratado pela Skeelo, recebe um verdadeiro mapa ao chegar à empresa. A carta detalha a trilha, que é o organograma com cada posição existente e a descrição dos cargos com o escopo de atividades por senioridade, definidas em conjunto com a gestão e o RH. Com o mapa em mãos, o funcionário sabe onde está e aonde pode chegar, além de conhecer seus papéis e responsabilidades. 

Logo ao concluir a trilha de onboarding, o profissional aprende a montar um plano de desenvolvimento individual, contando com a ajuda da sua liderança e do RH. Dessa forma, ele mapeia seus objetivos.

A diferenciação de níveis dos cargos de cada trilha é feita pelas Grades Jedi, as faixas salariais existentes no plano de remuneração da produtora. Desse modo, cria-se de forma lúdica uma conexão entre a senioridade na função, o valor agregado e a estratégia de posicionamento salarial para cada cargo. 

Conforme avançam dentro dos diversos caminhos, os funcionários sobem no ranking da “Ordem Jedi”, e recebem um pin. Nomeado de “Nuts”, esse pin ganhou o formato de uma noz, fazendo uma brincadeira com o animal esquilo, símbolo da empresa. É um símbolo de reconhecimento pelos resultados gerados e pela conquista de senioridade. 

Resultados 

O projeto “I’m Skeeler” foi apresentado aos funcionários em um evento no final do ano passado. Três meses depois, uma pesquisa apontou que o RH estava no caminho certo. “Isso foi importante porque surgiram outros projetos. Por exemplo, o programa de estagiários e o de capacitação de lideranças”, conta Lucas. 

Em agosto, a empresa fez a segunda rodada da avaliação de desempenho (a primeira foi em fevereiro) para seguir observando a evolução das pessoas. O objetivo do RH agora é dar ainda mais suporte para que elas se desenvolvam internamente. 

“Vamos estruturar a nossa universidade corporativa, criar um programa de multiplicadores internos e pensar até em política de subsídios para que todos possam crescer”, diz Lucas. “O projeto deu base para calibrar as avaliações de desempenho. Recebi feedbacks de funcionários de que agora, no ‘one-on-one’, conseguem dizer o cargo que almejam, o que falta para chegar lá e a quem podem suceder, já que a trilha permite um mapeamento da sucessão para todas as posições da empresa”.

A seguir, confira as dicas da Skeelo para as empresas que queiram criar um projeto como I’m Skeeler – Trilhando Carreiras:

THINK & DO

  • Planeje a comunicação do projeto. O funcionário precisa sentir, já de cara, que o projeto foi pensado para ele. “Já vi muitos programas de remuneração bacanas que, na hora de serem divulgados, não eram cascateados de forma clara”, diz Lucas, que vê na comunicação a chave para que a ideia dê certo

  • Atrele carreira a treinamento. Dessa forma, a empresa se torna promotora do desenvolvimento e não deixa somente nas mãos dos funcionários a responsabilidade por buscá-lo. O ideal é que o RH desenhe os dois projetos, tanto o de carreira quanto o de treinamento e desenvolvimento, junto com todas as áreas e níveis da companhia

  • Elabore bem a estrutura organizacional e de cargos. “Não dê início a uma trilha de carreira sem fazer isso antes, senão vai gerar confusão”, aconselha Lucas, que salienta a importância de pensar as nomenclaturas com a colaboração das pessoas, que vão dizer se os títulos fazem sentido ou não