Projeto da Leroy Merlin capacita jovens vulneráveis em marcenaria e varejo e oferece oportunidades de trabalho, na própria empresa ou em parceiros
Por Marina Dayrell
Há não muito tempo, as organizações passaram a considerar em suas agendas um papel de responsabilidade social. Com isso, tornou-se mais comum que elas criem iniciativas que vão além dos benefícios para a própria empresa e provocam ganhos para a sociedade no geral.
Uma dessas ações foi feita pela Leroy Merlin em 2003, quando a organização criou o “Projeto Formar”, cujo foco é na capacitação profissional de jovens vulneráveis para que eles consigam ingressar no mercado de trabalho. Além de trabalhar a marca empregadora e desenvolver talentos para a empresa, o programa ajuda a melhorar o índice educacional das comunidades em que a Leroy Merlin atua.
“Possibilitar capacitação e, com isso, oferecer empregabilidade para a população do entorno de nossas lojas é colocar em prática tudo o que acreditamos. Temos consciência de que a educação é a principal ferramenta para mudança de vida e é nossa obrigação, como empresa, possibilitar essa oportunidade”, conta Andressa Borba, diretora de Impacto Positivo da Leroy Merlin.
Caminho
O “Projeto Formar” nasceu com o objetivo de reduzir o impacto social da falta de acesso à educação e fazer a ponte dessas pessoas com o mercado de trabalho. Para isso, a empresa fez uma parceria com o ESPRO, instituição especializada em ensino profissionalizante.
Os alunos são recrutados pelas duas empresas e recebem aulas de formação humana, social e técnica para o mercado de trabalho. Além dos especialistas do ESPRO, a turma de professores é formada por funcionários da Leroy Merlin, que se voluntariam para dar aulas e compartilhar suas experiências profissionais com os participantes.
Dentro dessa dinâmica, não existem times fixos que participam do projeto, mas os voluntários se candidatam de acordo com cada edição. Até hoje, 30 pessoas já se disponibilizaram para o programa.
Até 2021, o foco principal era capacitar os alunos na marcenaria. O projeto era sempre realizado na unidade da rede localizada na Marginal Tietê, em São Paulo. Mas no ano passado, o projeto passou por uma reformulação, e passou a oferecer também a formação dentro do mercado varejista. Dessa vez, A Leroy Merlin resolveu focar em jovens da Brasilândia, uma das regiões mais economicamente vulneráveis da capital paulista.
Após a reformulação, foi desenvolvido um novo currículo, que é em formato híbrido e apresenta 152 horas de conteúdo, entre conhecimentos específicos do segmento do varejo, soft skills (como inteligência emocional, comunicação eficaz, resolução de problemas, resiliência, empatia e colaboração) e noções de empreendedorismo. Além da parte teórica, os alunos têm a oportunidade de atuar na prática, em uma unidade da empresa.
“Pensando nos programas de entrada da empresa, assim como nas vagas, entendemos que há uma relação mais direta entre o “Projeto Formar” e a nossa oferta de trabalho. É aí onde identificamos maior potencial de gerar impacto positivo”, explica Andressa Borba.
Depois da capacitação, a empresa faz uma ponte para que os alunos consigam um emprego, seja na própria Leroy Merlin ou em empresas parceiras.
Resultados
Na última edição concluída, a de 2022, 60 alunos participaram do curso e 48 o concluíram. Desses, 41% conseguiram um emprego formal, sendo 63% deles na própria Leroy Merlin.
Andressa aponta que esses números são importantes principalmente porque estamos falando de pessoas, e consequentemente, de famílias, em situação de vulnerabilidade social e econômica. Entre os alunos desta última turma, 75% se encontravam em situação de vulnerabilidade aguda. Dos jovens contratados, 4 duplicaram a renda familiar e 13 tiveram suas rendas aumentadas em 50%.
Um projeto assim também acaba mirando em outros grupos minorizados, como mulheres e pessoas negras. Segundo Andressa, 48% dos alunos formados em 2022 são pessoas negras e 60% são mulheres. Entre os contratados, 74% são mulheres e 73% delas estavam em situação de vulnerabilidade alta e altíssima.
A novidade para 2023 é que, na edição atual, o projeto foi expandido para 7 lojas e alcançou 145 alunos em várias partes do Brasil.
“Essa iniciativa está alinhada com as diretrizes da nossa estratégia global, que é ‘We Make It Positive’, que guia as ações ESG da empresa, além de contribuir para construção de uma Leroy Merlin como marca empregadora”, explica Andressa.
THINK & DO
- Ações e valores em foco. É importante que ações e projetos que a empresa se proponha a fazer estejam alinhadas aos valores dela, pois dessa forma, o processo é mais genuíno e tem mais chance de dar certo. Para isso, também é essencial que haja compromisso com os seus resultados, podendo até estar atrelado a outras metas, como bônus.
- Parcerias são essenciais. Uma empresa sozinha tem um potencial grande de influência, mas quando ela está em um ecossistema, o impacto para a sociedade é muito maior, então esteja aberto a parcerias positivas com outras organizações que compartilhem dos mesmos valores que a sua.
- Responsabilidade social é dever. Seja qual for o setor de atuação, as empresas têm um papel importantíssimo de gerar oportunidades que contribuam para a melhoria da qualidade de vida da comunidade em que está inserida. Por isso, é importante ter ações que, podem e devem trazer retornos para a empresa em si, mas cujo foco principal seja impactar a sociedade.
