Pmweb aposta no Instagram para trabalhar employer branding

Embora o LinkedIn seja mais associado ao employer branding, o público da empresa é afeito à rede, que se mostrou a plataforma ideal

Por Guilherme Dearo

Em 2020, com o início da pandemia da Covid-19 e a quarentena que obrigou a maioria das pessoas a trabalhar de casa, a Pmweb, assim como outras organizações, começou a se preocupar com a união de sua equipe. A empresa de tecnologia e serviços para marketing e CRM (Customer Relationship Management) temia que a falta de proximidade entre os funcionários prejudicasse os negócios. 

“Sempre nos enxergamos como uma empresa com cultura de união e colaboração, com as pessoas sempre unidas. Era comum que elas se encontrassem para atividades fora do horário de trabalho. Com a pandemia, isso estava em risco”, conta Renata Strogulsky, analista de marketing da Pmweb.

A solução da área de recursos humanos foi criar um novo perfil no Instagram, o Pmwebers, fechado apenas para os funcionários, onde o time de endomarketing postava coisas do dia a dia das mais diversas áreas e conteúdos sobre home office. 

“Para além dos emails internos e da newsletter, esse perfil era um canal para as pessoas se informarem sobre a companhia e estarem mais juntas. Foi um sucesso”, conta Luiza Simão, analista de social media da Pmweb.

De 2020 a 2021, o @Pmwebers permaneceu restrito ao público interno. Mas, diante do recuo da pandemia e do trabalho remoto, que começou a migrar para o formato híbrido, passou a ter o seu propósito revisto. 

À época, a empresa crescia de maneira acelerada e precisava contratar. Por isso, discutia como reforçar sua marca empregadora – sua estratégia para se tornar atraente aos talentos no mercado. Foi aí que a área de pessoas teve o clique.

O caminho

De um lado, a Pmweb mais que dobrava de tamanho com a contratação de ao menos 200 pessoas. Posto o desafio de manter todos, antigos e novos funcionários, alinhados com a cultura e os valores da companhia, o RH entendeu que necessitava trabalhar o que significa ser um “pmweber”. 

De outro lado, a empresa havia contratado um hub de employer branding e marketing de recrutamento, ILoveMyJob, em busca de soluções para atração, engajamento e retenção de talentos, e também para a construção de seu primeiro Employee Value Proposition (EVP). A proposta de valor do funcionário é parte da estratégia de atrair as habilidades e pessoas desejadas e mantê-las engajadas.

Nesse cenário, pareceu natural fazer da conta @Pmwebers, que havia cumprido a sua função interna na pandemia, uma plataforma para trabalhar a marca empregadora, abrindo-a para o público externo no início de 2022. 

“Diferente do perfil @Pmweb, que é mais comercial e voltado para a divulgação de serviços, o @Pmwebers tem um conteúdo leve e informativo, e busca falar com potenciais novos funcionários”, explica Luiza.

A conta traz fotos e vídeos com os bastidores da empresa e, principalmente, as pessoas que nela trabalham. A cada duas semanas, um post apresenta funcionários da empresa, que falam como é trabalhar ali dentro.

Há conteúdos de diversidade (sobre como evitar falas capacitistas e expressões preconceituosas), de saúde mental (yoga, meditação) e de gênero (sobre as mulheres no mercado de tecnologia).

E há posts sobre valores da empresa, como visão sistêmica, visão estratégica e comunicação não-violenta, além de publicações com dicas para os seguidores, como “planeje suas férias e finanças”, “saiba dizer não” e “seja você mesmo”.

Resultados

Há quase dois anos aberto ao público e com cerca de 1.200 seguidores, a companhia entende que o @Pmwebers dá resultado. Primeiro, por perceber que pessoas contratadas já conheciam o perfil antes de ter contato com ele no onboarding, e que por isso chegavam mais informadas sobre a empresa. 

Segundo, pelos comentários dos seguidores. Há aqueles que sempre interagem com o perfil, avisando que sonham em ser um Pmweber ou que estão se preparando para trabalhar lá. Houve, inclusive, um caso de um seguidor que sempre interagia com o perfil e acabou contratado. 

“Foi um acerto criar um perfil exclusivo no Instagram para trabalhar a marca empregadora. Poucas empresas têm essa estratégia e geralmente elas acham que somente no LinkedIn é possível fazer isso”, diz Luiza.  

“Mas pesquisas mostram que o Instagram é importante. Segundo estudo da Gupy, 74% das pessoas pesquisam sobre a companhia antes de se candidatar a uma vaga e citam o Instagram nesse processo, não só o LinkedIn e o Glassdoor”, analisa Luiza. 

Para 2024, o plano é manter o perfil e produzir mais conteúdos voltados para o EVP da companhia. Alinhar o perfil e os valores da empresa é fundamental para crescer de maneira orgânica, não forçada, dizem as profissionais. Para isso, afirma, cada empresa deve encontrar seu tom de voz, que no caso da Pmewb é leve, informativo e valoriza o lado humano da empresa.

A seguir, as dicas da Pmweb para quem deseja criar um projeto semelhante de employer branding e construir uma marca empregadora nas redes sociais.

THINK & DO

  • Pesquise o seu público. É preciso entender quem são as pessoas que a empresa procura, com quais habilidades, e onde elas estão. A partir dessas informações, a companhia pode escolher a melhor rede social para o projeto
  • Planeje-se. Antes de criar um perfil na rede social, faça um planejamento detalhado do conteúdo e da forma, definindo tom de voz, formatos e objetivos. Não poste qualquer coisa, apenas por postar
  • Não esqueça das métricas. Nas redes sociais, o trabalho não acaba com a publicação. Ele continua com a coleta de dados, a análise de métricas e a reflexão sobre posts e resultados, para ajustar estratégia e ação. Compilar comentários, o social listening, também é fundamental
  • Volte ao EVP. Durante o projeto, consulte sempre o Employer Value Proposition (EVP) criado pela empresa e veja como os posts contribuem ou não com ele e o que pode ser feito se for preciso reajustar