Klabin lança trilha de formação em análise de dados

Projeto capacita analistas e engenheiros em analytics e os incentiva a criar iniciativas que melhorem os resultados da empresa

Os dados são a palavra de ordem dentro das organizações. Mas, se por um lado, as empresas têm se tornado especialistas em coletá-los, por outro, saber analisá-los não é simples e exige habilidades ainda pouco presentes no mercado. Para se ter uma ideia, cerca de 60% dos dados industriais coletados atualmente não são utilizados, de acordo com dados da consultoria Gartner. 

“A quantidade de dados disponíveis e as técnicas de análise evoluíram rapidamente nos últimos anos. Mas há um descompasso entre as pessoas que dominam analytics e o seu uso efetivo para resolver problemas”, afirma Jaqueline Pizzitola, analista de Gente e Gestão da gigante de celulose Klabin.

Para preencher essa lacuna, a empresa, que soma 18 mil funcionários, criou o Trilha Analytics. O projeto visa ampliar a cultura de dados na companhia para a tomada de decisões preditivas, assim como a realização de análises mais profundas como forma de apoiar a estratégia do negócio, gerando melhoria de processos, otimização de tempo e de orçamento.

O caminho

O projeto é um programa de aprendizagem online para desenvolver analistas e engenheiros em temas relacionados ao analytics avançado. Para isso, a empresa investiu em treinamentos de Power BI, Excel, Estatística, Data Science, Machine Learning, VBA e Storytelling

Na primeira edição, realizada entre 2021 e 2022, profissionais não apenas aprofundaram conceitos teóricos, como também aplicaram o aprendizado na prática, desenvolvendo projetos a partir da análise de dados, voltados à otimização de resultados para a Klabin. 

“O tema era livre, porém, era imprescindível que envolvesse analytics. Por exemplo, projetos referentes à análise de dados, geração de indicadores, dashboards, desenvolvimento de processos ou outra melhoria aplicável na área de atuação dos participantes”, explica o consultor do time de projetos analíticos da Klabin, Juliano Santos. 

O desenho do projeto foi feito por um grupo de trabalho formado por funcionários da Escola de Negócios Klabin e dos times de projetos analíticos, informações analíticas e projetos de inovação. Quanto ao público-alvo, foram os funcionários que já atuavam com análise de dados, geração de indicadores, dashboards, análises, assim como desenvolvimento de processos e que também tinham perfil para propagar o conhecimento em analytics. Eles foram indicados pelos times de RH e pelas gerências da Klabin.

Para a primeira turma, a empresa contratou fornecedores externos para ministrar os treinamentos teóricos, disponíveis em uma plataforma assíncrona. Já para a segunda, em 2023, a Klabin utilizou instrutores internos para dar as aulas, realizadas de forma síncrona. 

Jaqueline explica que alinhar os participantes do projeto foi um dos maiores desafios. “Dada a abrangência do trabalho em termos de áreas e pessoas envolvidas, um grande desafio foi deixar todos na mesma página. Por isso, o trabalho prévio de planejamento e alinhamento foi bastante complexo. Foram necessárias várias reuniões, apresentações e análises”, conta.

Juliano acrescenta que a transparência foi fundamental. “Uma das principais preocupações durante o planejamento da trilha foi garantir o engajamento dos envolvidos – gestores, áreas de apoio e instrutores. Procuramos fazer tudo com máxima clareza, envolvendo as pessoas, mostrando objetivos e resultados esperados”, diz. 

Os resultados 

A primeira edição do projeto capacitou 43 funcionários. A segunda, outras 31 pessoas. 

Além do aprendizado de métodos e ferramentas que proporcionam a cultura da tomada de decisões baseada em dados na empresa, Jaqueline e Juliano consideram que um dos principais resultados do Trilha Analytics seja a identificação de oportunidades para o aumento de agilidade e eficiência, bem como a aplicação da teoria aprendida em projetos na área em que o funcionário atua.

Como exemplo, eles citam o projeto Otimização da Silvicultura (ciência dedicada ao cultivo de florestas), criado durante as aulas. O objetivo foi desenvolver uma ferramenta automatizada para minimizar o custo total e garantir a produtividade na silvicultura. O projeto trouxe como resultado a maximização da produtividade, a minimização da ociosidade nas áreas produtivas e uma economia estimada em 10,6 milhões de reais. 

“Vale ressaltar que a área de projetos analíticos da Klabin estima internamente um ganho de pelo menos 40 milhões de reais anuais na empresa em otimização de recursos e melhor tomada de decisão por meio de métodos analíticos em geral. Ou seja, o resultado evidencia a importância de trilhas como essa, que investem no desenvolvimento de profissionais preparados para lidar com o tema”, afirma Jaqueline. 

Para o futuro, a empresa planeja ampliar o público participante. “Pretendemos elaborar e aplicar uma trilha para o time de gestão (gerentes e coordenadores). A ideia é que apresentem estudos de caso, conceitos e oportunidades com o uso de advanced analytics, benchmarking de mercado. Dessa forma, vão contribuir para geração de insights acerca do uso dos métodos e ferramentas relacionados”, explica Juliano. 

Think & Do:

Veja dicas da Klabin para implantar um projeto como este:

  • Invista no lifelong learning. O aprendizado precisa ser um trabalho contínuo nas organizações, e não uma ação pontual e isolada. A ciência e a tecnologia evoluem, as empresas e pessoas mudam, novos desafios surgem frequentemente. Dessa forma, o aprendizado precisa se adaptar.
  • Conheça a empresa. Conhecer profundamente os negócios e processos da empresa é a chave para direcionar ações de forma eficiente e colocar energia naquilo que realmente faz sentido. Isso ajuda, por exemplo, a definir quais temas devem entrar no escopo da trilha.
  • Encontre apoio: Busque apoio e patrocínio não apenas financeiros, mas também em forma de respaldo, confiança e envolvimento da gestão e dos clientes. Isso garante alinhamento com os objetivos e resultados esperados.