Para facilitar a transição ao home office devido à pandemia, Supergasbras lançou o programa Cultura Remota, com treinamentos, palestras e campanhas de engajamento
Por Patrícia Roque
Manter os funcionários motivados é um desafio que as empresas enfrentam diariamente, não importa o ramo de atuação. A Supergasbras, do setor de petróleo e gás, viu esta questão se tornar ainda maior após o período mais crítico da pandemia de covid-19. Na ocasião, 100% dos trabalhadores apontaram em pesquisa interna que preferiam trabalhar no regime de home office.
Perguntados sobre a frequência de dias que gostariam de trabalhar em casa, 45% afirmaram que trabalhariam entre 3 e 4 vezes por semana; 32% entre 1 e 2 vezes; 20% todos os dias da semana e 3%, quando houvesse necessidade.
“A empresa decidiu então, manter a estrutura de trabalho híbrido de forma livre. O funcionário decide os dias em que vai ao escritório. Não há obrigatoriedade mínima, salvo quando há um pedido do líder”, explica a coordenadora de Recursos Humanos, Gestão de Mudança e Comunicação, Aini Roque de Souza.
Para atender a demanda, a Supergasbras, que pertence ao grupo holandês SHU Energy, manteve a estrutura física da empresa para atender a todos, com exceção dos operadores de atendimento, que passaram para o home office definitivo.
Resolvida a questão do trabalho híbrido, surgiu a dúvida sobre como manter as equipes motivadas, como engajar novos contratados e até a forma como a cultura organizacional da companhia seria transmitida. Surgiu também a preocupação sobre temas relacionados à segurança psicológica dos times frente não só aos momentos de pandemia, como com questões diárias entre líderes e liderados, por exemplo.
“Com este cenário novo e desconhecido para funcionários e líderes, criamos o programa Cultura Remota para capacitar nossos trabalhadores e promover a melhor adaptação a essa nova forma de trabalhar remotamente”, explica Aini.
Ela pontua que o modelo foi desenvolvido por uma equipe multidisciplinar composta pelas áreas de RH, negócios, operações, finanças, jurídico, transformação digital, entre outras.
O caminho
O programa foi iniciado com a reformulação do processo de onboarding, que passou a ser online para os novos contratados. “Criamos uma trilha de ações, iniciando pelas boas-vindas e apresentação da empresa, passando pelo ciclo de treinamento até chegar às rodas de conversas com os integrantes do time ao qual fazem parte”, explica Bárbara Louise da Silva Braga, analista sênior de Recursos Humanos – Gestão de Mudança e Comunicação.
A companhia também realizou treinamentos para capacitar os funcionários sobre o novo modelo de trabalho e promover uma melhor adaptação à cultura da empresa. Bárbara explica que a proposta foi apresentar as evoluções da forma de se trabalhar, saindo do ambiente fechado dos escritórios para o trabalho remoto. A ideia era mostrar como é possível que o profissional usufrua da possibilidade do trabalho híbrido sem perder a conexão com a equipe e a empresa.
Uma consultoria foi contratada para ministrar palestras abordando as quatro “alavancas e freios” da adesão ao trabalho remoto: da gestão de cadeiras para a gestão de resultados, produtividade e alinhamento, acompanhar e celebrar as conquistas e falar sobre performance.
Além da capacitação, a Supergasbras adotou medidas para manter o engajamento no home office, usando vídeos com depoimentos de funcionários e o envio de e-mails curtos – como pílulas de informação – para ajudar. Campanhas como a #BoasPráticasqueviralizam, abordaram o bom uso de ferramentas como e-mails, por exemplo; e a #SuperPráticas são comunicações criadas de forma colaborativa com dicas dos próprios trabalhadores.
Eventos online interativos, como happy hour com líderes, lives comemorativas, encontros virtuais de celebração de datas importantes, webinários de inovação/projetos, rodas de conversa com psicólogos do programa Conte Com a Super e cafés virtuais complementam as ações.
Resultados
“Claro que nem tudo é tão simples. Houve resistência especialmente das lideranças. Foi um trabalho bastante desafiador fazê-los virar a chave para dar autonomia para os liderados”, diz Aini.
Houve também “uma grande evolução” na colaboração entre as áreas e unidades espalhadas pelo Brasil. “Temos uma capilaridade muito grande no país e o trabalho remoto melhorou a assertividade dos projetos, trazendo inovação nos processos e mais agilidade nas entregas dos times”, diz a coordenadora de RH.
A empresa não fala em números, mas pontua que os gastos externos foram praticamente com a contratação da consultoria. “De resto, buscamos exemplos no mercado e fomos adaptando o processo dentro dos diversos times que atuam na Supergasbras”, finaliza
THINK & DO
- Tenha paciência para mudar. Toda nova realidade traz desafios que às vezes parecem intransponíveis. Por isso ter paciência é o primeiro passo para a transformação, que não ocorre de uma hora para outra.
- Ouça o funcionário. É ele que mostra as necessidades que precisam ser atendidas e te dá insights de como solucionar.
- Diversifique as áreas na elaboração. Isso garante que a mesma mensagem alcance diferentes públicos.
