Acidentes graves na Klabin caem 23% com treinamento de segurança

Com projeto Bloqueio de Energia, Klabin leva 8 horas de capacitação padronizada e unificada para diversas unidades

A Klabin, uma empresa do setor de celulose com quase 19 mil funcionários, identificou em 2021 a necessidade de inovar em relação à segurança no trabalho. A empresa percebeu que o bloqueio de energias perigosas, ou seja, a aplicação de técnicas para garantir que um equipamento atinja o estado de energia zero, era crucial para evitar acidentes graves.

Com o objetivo de minimizar ocorrências relacionadas à falta de bloqueio de energia e padronizar a execução desse procedimento, a Klabin decidiu educar seus funcionários de forma abrangente e escalável.

Assim, foi implementada uma política de Proteção à Vida, com diretrizes unificadas para todas as unidades, visando fortalecer as práticas seguras e a qualidade de vida dentro da companhia.

O caminho

Foi então que surgiu o projeto Bloqueio de Energia, um treinamento em modelo EAD, com 8 horas de duração, que ajuda o trabalhador a entender os requisitos e as condições mínimas para executar o bloqueio de forma adequada, sem causar problemas para a sua integridade física. “O Bloqueio de Energia é um dos principais pilares para manter o nosso ambiente seguro e a integridade dos nossos funcionários”, explica Maelly Barski Ortiz, responsável pelo setor de Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional da Klabin.

O projeto começou a ser elaborado em 2021 e ficou disponível para os trabalhadores a partir de setembro de 2022. Ele foi desenvolvido pela equipe da Klabin em parceria com as consultorias Una Criatividade e Ittus.

Uma das principais adaptações pelas quais o projeto Bloqueio de Energia passou foi a migração para o modelo híbrido. Em 2022, a Klabin identificou um alto número de faltas no treinamento devido à dificuldade em retirar cerca de 20 operadores simultaneamente das máquinas, impactando na segurança e no risco de paradas. Assim, parte do curso passou a ser ofertada presencial e outra, online.

Na parte online, são trabalhadas as principais premissas que impedem o acionamento inesperado do equipamento ou a liberação acidental de energia perigosa. Já a parte presencial é prática, com a simulação da aplicabilidade dos conceitos em locais seguros e controlados. Nesse formato, é possível testar os conhecimentos dos funcionários por meio de simulações, maquetes, checklists na própria máquina, entre outros. “Para ser facilmente adaptável à nossa realidade, o treinamento conceitual foi personalizado para o público operacional da Klabin, traduzindo suas experiências de forma lúdica e com exemplos e aplicações práticas”, explica Maelly.

O maior desafio do Bloqueio de Energia, segundo ela, é também um dos obstáculos mais comuns a qualquer iniciativa corporativa: a dificuldade de conciliar agendas. No caso da Klabin, o problema principal foi no conflito de calendário das equipes que ajudaram a criar o projeto e a disponibilidade das unidades físicas para o apoio nas gravações de cenas para os treinamentos.

Resultados

O treinamento tem gerado bons aprendizados e diminuído ocorrências envolvendo o bloqueio de energias. O principal ponto de satisfação dos trabalhadores tem sido o formato híbrido, mesmo com a resistência inicial a treinamentos online. “Os funcionários reagiram muito bem ao treinamento. Nós recebemos mais de 100 comentários positivos”, conta Maelly.

Além disso, o Bloqueio de Energia influenciou significativamente a frequência de acidentes dos empregados diretos (por milhão de horas trabalhadas) da Klabin, reduzindo em 23% a taxa de acidentes com afastamento em comparação com o ano de 2021.

A ferramenta de people analytics mostra que, em 2023, o treinamento tinha mais de 7.262 acessos online e 4.647, presenciais. Com a adaptação ao modelo híbrido, a empresa conseguiu reduzir o orçamento destinado ao treinamento em 500 mil reais, além de aumentar a eficiência operacional, sem perder a qualidade.

Para o futuro, a Klabin planeja consolidar a parte prática do treinamento, atualizar o conteúdo conforme as necessidades e criar encontros de sustentação para sanar dúvidas e fortalecer a rede de apoio em relação à segurança do trabalho.

Think & Do

Dicas da Klabin para desenvolver um projeto de segurança

  • Certifique-se da padronização: Desenvolver um projeto que envolve diversas áreas de uma grande empresa, com múltiplas unidades, requer um alto nível de padronização, especialmente em temas de segurança. É fundamental garantir que os processos sejam uniformes e que todos os funcionários recebam o mesmo treinamento. Somente assim é possível aumentar a segurança no trabalho e evitar acidentes;
  • Trabalhe diretamente com os funcionários: Se o seu projeto é interno, é essencial ouvir as necessidades do seu público-alvo. Cada área e equipe (assim como cada indivíduo) terá suas especificidades e, para obter adesão, é necessário encontrar um denominador comum que promova o engajamento e alcance os objetivos do projeto;
  • Saiba criar pontes: Muitas vezes, a expertise necessária para desenvolver um projeto está dentro da própria empresa. No entanto, em diversas situações, será preciso contar com parceiros externos. Por isso, é importante identificar os pontos fortes internos e os aspectos que podem ser melhor atendidos por colaboradores externos, economizando tempo e recursos da empresa e dos funcionários.