Banco do Brasil amplia inclusão com serviço de intérprete em Libras

Entre outubro de 2023 e dezembro de 2024, o BB Libras somou 220 horas de uso por parte dos funcionários com deficiência auditiva

A surdez afeta mais de 10 milhões de brasileiros, segundo o IBGE. Dentre eles, cerca de 2,7 milhões vivem com surdez total, o que torna a Língua Brasileira de Sinais (Libras) essencial para sua comunicação no dia a dia. 

Apesar de dispositivos legais como a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e o reconhecimento da Libras (Lei nº 10.436/2002), barreiras de comunicação em ambientes corporativos ainda são comuns.

Para enfrentar esse desafio, o Banco do Brasil desenvolveu uma iniciativa que começou voltada aos clientes com deficiência auditiva e evoluiu para beneficiar também seus funcionários.

O caminho

A ideia, batizada de BB em Libras, surgiu em 2022, quando a Unidade Atendimento e Canais (UAC) da instituição iniciou estudos para adaptar os serviços aos públicos com deficiência auditiva e de fala. Em abril, o banco contratou a Associação Amigos Metroviários dos Excepcionais (AME), entidade sem fins lucrativos especializada em interpretação de Libras, para prestar atendimento presencial e remoto a clientes por meio de videochamadas.

Os 87 mil funcionários receberam o anúncio do BB em Libras com entusiasmo. Logo, surgiu a sugestão de estender o serviço aos colegas com deficiência auditiva. Em novembro de 2022, o banco lançou um projeto-piloto para testar como intérpretes facilitariam a comunicação em reuniões presenciais e via Microsoft Teams.

“O principal objetivo foi proporcionar aos funcionários com deficiência auditiva uma comunicação mais eficaz e inclusiva durante as reuniões, assegurando que todos pudessem contribuir e entender plenamente as discussões e decisões”, conta Céssia Freitas de Figueiredo, gerente executiva na Diretoria de Gestão da Cultura e de Pessoas do Banco do Brasil.

Intérpretes qualificados da AME receberam treinamento específico sobre a cultura e o vocabulário do Banco do Brasil para garantir fluidez nas interações. As necessidades dos usuários foram mapeadas em entrevistas, e ajustes técnicos, como integração com a plataforma Teams, também foram realizados.

Dezembro de 2022 e janeiro de 2023 marcaram a fase de testes, incluindo a presença de intérprete na triangulação da comunicação entre funcionário e palestrante em evento, participação em reuniões via Teams e atendimento instantâneo por via QR Code pelo celular. 

Ao longo do período, o banco acompanhou a adoção da tecnologia e promoveu correções. Ao ouvir os usuários, garantiu que todos estivessem bem treinados quanto ao uso das novas ferramentas. Uma pesquisa ao final do processo apontou que a maioria dos participantes considerou o serviço positivo e eficiente. 

“Sensibilizamos e treinamos os demais funcionários, destacando a importância da inclusão e como colaborar com intérpretes de Libras,” explica Céssia. Segundo relatos, a presença dos intérpretes aumentou a autonomia no trabalho e reforçou a valorização dos funcionários.

As áreas envolvidas incluíram, além da UAC, a Diretoria de Gestão da Cultura e de Pessoas (Dipes) e a Gerência Estratégia Rede Gepes e Saúde e Segurança no Trabalho.

Resultados

Em setembro de 2023, o projeto foi oficialmente implementado com a colaboração da UAC, a Diretoria de Gestão da Cultura e de Pessoas (Dipes) e outras áreas. Os dados mostram a eficácia: de setembro a dezembro de 2023, foram 250 chamadas instantâneas, somando 21 horas de uso. Em 2024, foram 290 chamadas instantâneas e houve um crescimento significativo das horas agendadas, que chegaram a 199. A demanda veio, sobretudo, de reuniões internas e eventos.

Segundo Céssia, os funcionários aprovaram a solução. Em interações nos canais de comunicação interna eles compartilharam centenas de experiências positivas. “Mostramos que a responsabilidade social não é apenas um conceito, mas de fato uma premissa que permeia a cultura do banco”, afirma. 

O BB em Libras ainda impulsionou outros projetos. Houve o lançamento de um curso de Libras lançado pela UniBB, a universidade corporativa do banco, visando ampliar a familiaridade dos funcionários com a língua. A expectativa é que, com mais pessoas sensibilizadas e capacitadas, a comunicação com colegas surdos se torne mais natural e eficiente.

THINK & DO

As dicas do Banco do Brasil para as empresas que desejam buscar soluções semelhantes em acessibilidade:

  • Entenda as necessidades do seu público-alvo. Antes de iniciar o projeto, realize um levantamento detalhado das expectativas das pessoas com deficiência auditiva.
  • Estabeleça parcerias com empresas especializadas. Entidades como a AME podem fornecer intérpretes qualificados e certificados em Libras, além das ferramentas necessárias. Isso é crucial para garantir a qualidade do serviço de interpretação. 
  • Conscientize para incluir. A inclusão não se limita à disponibilização de intérpretes. Promova a conscientização sobre a cultura surda e a importância da Libras entre todos os funcionários. Isso vai ajudar a criar um ambiente verdadeiramente inclusivo e colaborativo.