Com as restrições impostas pela pandemia, talentos consideram a “mobilidade virtual”

Mais da metade dos profissionais estão dispostos a atuar a distância – para uma empresa que não tenha presença física em seu país

O número de pessoas dispostas a se mudar para o exterior a trabalho caiu em 2020 e os Estados Unidos perderam o status de destino mais popular do mundo. Estas são algumas das conclusões da pesquisa Decoding Global Talent 2021, realizada há oito anos pela consultoria Boston Consulting Group (BCG).

O estudo, que teve a participação de 209 mil pessoas em 190 países, mostrou que a forma como os governos lidaram com a pandemia influenciou a escolha das pessoas por locais onde gostariam de viver e trabalhar. Singapura (8º lugar) e Nova Zelândia (10º lugar) apareceram pela primeira vez entre os dez países mais cobiçados pelos entrevistados. O Japão subiu da décima para a sexta posição. Já a Itália e a Espanha simplesmente desapareceram da lista.

O Canadá, que ocupa a primeira posição no ranking, também é a primeira escolha daqueles com mestrado ou doutorado, daqueles com treinamento ou especialização digital e com menos de 30 anos de idade.

A covid-19, porém, frustrou o sonho de morar fora de muita gente: metade (50,4%) dos entrevistados deseja se mudar do país, uma queda de 13 pontos percentuais em relação a 2014.

Apesar da diminuição do número de pessoas que desejam trabalhar fora, um novo modelo de mobilidade surgiu, relacionado ao trabalho remoto. Cinquenta e sete por cento dos entrevistados dizem que estão dispostos a atuar a distância para uma empresa que não tenha presença física em seu país.

Nessa abertura para a “mobilidade virtual”, os brasileiros se destacam em segundo lugar, atrás apenas dos mexicanos. E os Estados Unidos, destino preferido para se viver e trabalhar até 2018, volta a ser a opção número 1 – sugerindo que o emprego americano ainda mantém muito apelo, eliminados os riscos políticos e sociais da vida no país.

A mobilidade virtual pode ser interessante para as companhias, especialmente aquelas que lutam para preencher vagas nas áreas digital e de TI. No entanto, fica o alerta da BCG: o emprego internacional remoto traz desafios para o RH, como integração cultural e administração de salários em regiões com diferentes custos de vida.

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