A solução para o excesso de trabalho está no deep work?

“O excesso de comunicação e de contato prejudica o ritmo, a qualidade e a produtividade do trabalho”, escreve Argentino Oliveira, CHRO da Suzano, em artigo para a Think Work Today sobre deep work

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Imagine a seguinte situação. Você está trabalhando e sabe que está atrasado com uma entrega. De repente, se sentindo ameaçado em receber aquela mensagem ou ligação do superior, tira o status online dos aplicativos de comunicação; Discord, Whatsapp, Slack, qualquer um deles. Ou, olhando de outro ponto de vista: Você é um gestor e, no instante em que envia a mensagem para alguém de seu time, o sinal de online desaparece.

A comunicação instantânea, um dos principais atrativos do mundo digital, se transformou em uma das maiores armas de pressão e ansiedade no meio profissional. Algo que se converte em prejuízo para organização, liderança e colaboradores. O problema é que, como é mais rápido nos comunicarmos hoje do que há 30 anos, nos comunicamos mais do que há 30 anos. 

Esse fenômeno é definido na academia como Paradoxo de Jevons, uma referência ao economista inglês William Stanley Jevons. Toda vez que algo é criado para melhorar nossa eficiência, a melhoria proporcionada acaba gerando mais gasto do que economia. O exemplo clássico é o carvão: as máquinas a vapor foram capazes de produzir a mesma energia usando menos quantidade de carvão. Mas, em vez disso significar uma queda no consumo do carvão, levou a um aumento na demanda e causou uma maior necessidade de carvão no mundo. Vale o mesmo para a comunicação via internet: ela facilitou nossas tarefas, mas perdemos mais tempo executando mais tarefas.

De fato, uma pessoa que trabalha em um escritório, presencial ou remotamente, gasta pelo menos 80% do seu dia trocando mensagem com os outros. Isso transforma sua rotina em algo menos produtivo do que poderia ser – apesar desse excesso de comunicação ser relacionado ao trabalho que ele ou ela está desempenhando.

Parte da impressão de que devemos estar constantemente em contato vem do trabalho presencial.

No escritório, durante o expediente, estamos disponíveis para tratar de qualquer questão, já que só temos aquele espaço de tempo para trabalhar. Transferindo para o mundo virtual, a sensação é que temos de continuar conectados para checar se a demanda está sendo executada. Ver alguém online, com um pontinho verde ao lado do nome, é uma maneira de sabermos se nosso colaborador está trabalhando.

Porém, que tipo de trabalho está sendo desempenhado?

O deep work é uma alternativa?

Uma alternativa para esse modus operandi estaria no deep work, o ato de se desconectar do trabalho.

O empresário Jason Fried, fundador e CEO da Basecamp, recomenda um experimento: Durante o expediente, tente ficar três horas disponível, com o pontinho verde, e três horas desconectado. Perceba em qual desses momentos você faz mais serviço. “O que disponível e offline significam de verdade?”, pergunta Fried. “As definições oficiais não importam, porque o que elas significam é isso: ‘disponível’ é ‘disponível para ser incomodado’ e ‘offline’ é ‘estou fugindo da internet para poder trabalhar um pouco’.” Talvez seja um exagero, mas o fato é que o excesso de comunicação e de contato prejudica o ritmo, a qualidade e a produtividade do trabalho e das entregas.

Uma pesquisa feita pela Universidade da Califórnia mostrou que, ao tirar o acesso ao e-mail de um grupo de funcionários públicos por cinco dias, não apenas eles se acalmaram como passaram a trabalhar melhor. Por quê? Porque eles começaram a ter controle sobre quanto tempo dedicar a cada ação. Apesar de realizar menos tarefas por dia, a entrega era melhor, diminuindo, assim, a quantidade de retrabalho.

Além disso, os funcionários queixaram menos de estresse, se sentindo mais confortáveis e engajados em suas tarefas. E, como é de conhecimento geral, trabalhadores felizes trabalham melhor. É exatamente essa a vantagem do deep work: felicidade, produtividade e foco.

Creio que todos nós já quisemos um momento, principalmente quando estávamos no trabalho presencial, em que parássemos de ter tantas reuniões e de ouvir tanto barulho de teclados e celulares, e pudéssemos simplesmente nos concentrar.

Estamos em um ponto em que isso é possível. Trabalhar com concentração e qualidade. Porém, estamos perdendo essa oportunidade para um mar de e-mails e mensagens rápidas. Afinal, muitos líderes ainda pensam no que a companhia está perdendo – e não no que o funcionário está ganhando.

É bom dar dois passos para trás. Quando você desiste de estar em contato direto com o colaborador, você dá a ele uma vantagem poderosa: o deep work.

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<strong>Argentino Oliveira Neto</strong>
Argentino Oliveira Neto

Chief Human Resources Officer na Suzano.

Comments on A solução para o excesso de trabalho está no deep work?

  1. Parabéns
    Concordo com este posicionamento 👏👏👏
    Quando existe o excesso isso nos prejudica principalmente te a nossa Saúde Mental.
    Obrigada Ana Cris Wolff

    1. Think Work disse:

      Não é, Ana Cristina? Também acreditamos na conexão saudável por aqui: é preciso trabalhar melhor, para ter tempo para outras esferas importantes da vida.

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