Nosso futuro pode estar na soft economy

Das pessoas mais sutis nascem organizações flexíveis e leves, que proporcionam novos meios de os profissionais viverem seus talentos e seus propósitos

O termo “economia leve” ou “sutil” veio do livro Economia da Consciência, de Amit Goswami [Editora Aleph, 272 págs.], para fazer contraponto à hard economy, o modelo mais duro, tradicional. Enquanto a última é produto das três primeiras Revoluções Industriais, a soft economy seria o resultado da 4ª Revolução [termo criado por Klaus Schwab, presidente do Fórum Econômico Mundial, em 2011]. No Voicers, consideramos soft economy o conjunto de novas economias aceleradas por tecnologias emergentes.

Na ânsia de chegarmos rápido ao futuro, tendemos crer que a passagem de uma para a outra seria uma linha reta. Há dois anos e meio, quando lançamos a metodologia e a pesquisa sobre o conceito de hard e soft economy, também éramos influenciados pelos repertórios sobre as novas economias e idealizávamos esse mapa de transição igual ao movimento das antigas revoluções − do duro para o leve.

Ao longo dos anos, percebemos que ir do hard para o soft significava uma inovação.

Nossas pesquisas indicaram que das pessoas mais sutis nasciam organizações mais flexíveis e leves, proporcionando novos meios de viverem seus talentos e propósitos. Surgiam novos paradigmas, novos negócios, novos ecossistemas − que eram consequências de novas consciências pessoais.

O último ano mostrou que a passagem do soft para o hard também exige inovação. A diferença está na consciência em que os movimentos acontecem. Ficar preso em padrões antigos por comodismo ou medo é um atraso. Porém, existe muita coisa bem desenvolvida nas economias clássicas que pode − e deve − ser usada no processo de trazer o novo. Devemos entender a importância dos paradigmas que promoveram progresso até aqui. E compreender que eles não serão capazes de responder sozinhos aos desafios do novo século.

Nessas primeiras décadas, quando transições das mais diversas naturezas estão acontecendo, realidades mais flexíveis, leves e sutis despontam como tendência. Não é por isso que precisamos destruir as pontes sólidas que foram construídas no passado. Pontes são sempre vias de idas e vindas.

Foi nesse movimento que aprendemos que classificar o hard somente como duro e pesado não traduzia o todo. Hard também é sinônimo de sólido. E solidez é, muitas vezes, indispensável em tempos de mudanças tão rápidas. Já o soft, como algo flexível, representa uma característica importante para produzir mapas de Futuros Saudáveis, termo lançado na reunião do Fórum Econômico Mundial em 2021.

A famosa transformação digital, repetida como mantra desde 2015, se tornou uma realidade imposta em 2020. Aqueles que tinham seus mapas conseguiram se adaptar rapidamente, mas para uma parte significativa de pessoas e organizações o processo foi dolorido.

Teremos 20 anos até estarmos convivendo com tecnologias infinitamente mais poderosas que videoconferências ou plataformas de e-commerce. Continuaremos sendo bombardeados com informações sobre o futuro de todas as coisas; discussões infinitas sobre como a inteligência artificial, a robótica, as realidades imersivas, a internet das coisas, o blockchain e a poderosa computação quântica transformarão a nossa sociedade, até elas estarem maduras, em duas décadas.

Esse é um tempo suficiente para termos consciências sobre Futuros, à medida que desenvolvemos autoconsciência de nossas melhores versões. Versões mais flexíveis, leves e sutis, que trarão solidez quando necessárias.

Termino deixando a seguinte reflexão:

Com a grande velocidade das mudanças,
Com a dificuldade de resolver desafios com os antigos paradigmas,
Com a variável de verdades e necessidades humanas emergindo,
Com a grande potência das máquinas,
Muitos mapas!
Ligia Zotini
Ligia Zotini

É pesquisadora de cenários futuros e fundadora do Voicers, um ecossistema de pesquisa, educação e experiências sobre cenários futuros. Escreve sobre soft economy para a Think Work.

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