A urgência da educação para as empresas

“Quais têm sido as contribuições da educação formal no preparo dos profissionais para o mercado de trabalho?” Essa é a provocação de Gabriela Nemirovsky, líder de transformação de negócios na Seeding

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O Brasil ocupa o 53º lugar na lista de 65 países analisados pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), que a cada três anos mede as habilidades e conhecimentos adquiridos por alunos de 15 anos de idade. No último resultado, referente a 2018 e divulgado no final de 2019, 43% dos estudantes pontuaram abaixo do nível mínimo de proficiência em português, matemática e ciência. A média é de 13% entre as nações da OCDE.

O que isso tem a ver com recursos humanos e as organizações?

O Fórum Econômico Mundial, no seu último relatório The Future of Jobs, alertou para a tendência de um aumento significativo da desigualdade social devido ao rápido avanço da tecnologia e ao impacto da pandemia da covid-19, afetando principalmente aqueles em cargos iniciais, as mulheres e os jovens. A instituição destaca que, para se manter relevante, as competências mais importantes até 2025 serão o pensamento crítico e análise, a resolução de problemas e a autogestão – essa última manifestada em resiliência, tolerância ao estresse, flexibilidade e aprendizagem ativa.

Considerando esse cenário, as oportunidades para que as empresas promovam o upskilling e o reskilling (termos cunhados pelo próprio Fórum para se referir a esse aprendizado contínuo) da mão de obra estão cada vez mais escassas. E qualquer funcionário, estando ou não em risco no trabalho, tem de assumir uma postura proativa de aprendizado para se manter relevante.

Aí começa o problema. Quais têm sido as contribuições da educação formal no preparo efetivo dos profissionais para o mercado de trabalho? E, se não há paralelo na formação técnica efetiva, como se dá em termos de competências socioemocionais?

A escolarização deveria ser capaz de lidar com essas transformações de outra maneira. Deveria, aliás, aproveitar as características inatas das crianças, como a velocidade e a criatividade, assim como outras competências que acabam sendo, em sua maioria, aniquiladas pelo modelo educacional vigente.

O IMD World Competitiveness Center aponta que a educação no Brasil deveria se voltar para práticas capazes de formar habilidades e capacidades para trabalho. Isso significa ter políticas que promovam a empregabilidade inclusiva, com foco no treinamento e retreinamento que se ajuste à economia digital, além de aproveitar investimentos públicos e privados para desenvolver ecossistemas nacionais de ciências, tecnologia e inovação.

E as empresas, o que estão fazendo em relação à mão de obra para garantir a sustentabilidade dos negócios?

Gigantes como Ambev, iFood e Google, por exemplo, investem na formação profissional com disponibilidade imediata, para acompanhar o crescimento e suportar o apagão de profissionais qualificados, inclusive vinculando a capacitação a uma vaga de trabalho. Essa solução, além de garantir funcionários em pouco tempo (em média seis meses), também traz diversidade para as companhias – o que resolve outra lacuna do ensino formal.

Uma vez dentro do mercado, cabe aos profissionais se manterem atualizados. Com o extenso volume de informações disponíveis na internet, pareceria simples fazer isso por conta própria. Porém, o que vemos são pessoas perdidas, com dificuldade de manter o foco na questão desejada. Está claro que a curadoria de conteúdo ganha importância.

Surgem, assim, HR Techs prontas para oferecer experiências de aprendizado digital, customizando os conteúdos por grupos de pessoas e em trilhas, visando atender diversas demandas, com custo adaptável aos variados perfis de negócios. Essa pode ser uma boa solução para corporações cujos funcionários estão acostumados a um modelo mão na massa, sem perder de vista as métricas desejadas.

Uma coisa é certa: a educação precisa urgentemente de transformação. E somente o papel do Estado não será suficiente para suprir essa demanda.

Ainda faltam respostas para essa equação complexa. Qual é o atual papel da escola e a relevância da formação superior nesse novo e urgente contexto de demanda profissional? Além das competências socioemocionais, quais outras deveriam ser ensinadas na sala de aula? E como ter sucesso nessa empreitada? Finalmente, qual o papel das organizações para acelerar essa transformação?

Penso que as empresas têm grande poder de influência e transformação social. Talvez existam outros aspectos mais urgentes para ação no momento, mas o da educação não deve ser deixado de lado.

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Gabriela Nemirovsky
Gabriela Nemirovsky

Líder de transformação de negócios na Seeding

Comments on A urgência da educação para as empresas

  1. REGIANE ZANATTA disse:

    Sensacional. Vou compartilhar porque é exigido muito dos profissionais e pouco investido na formação deles. Parabéns pela abordagem do tema.

  2. Fernanda Marques disse:

    Texto claro e pertinente nessa época de tantos problemas enfrentados pelas pessoas que estão excluídas do processo profissional. O caminho é a educação mas precisamos sempre questionar: qual o modelo, quais as vias e qual o resultado que queremos. Excelente provocação Gabi Nemitovsky! Vamos colocar a mão na massa?

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