Pesquisa da Think Work mostra que empresas conscientes apresentam maior engajamento, bem-estar e retenção, mas ainda são minoria no mercado brasileiro
A maioria dos profissionais brasileiros prefere trabalhar em organizações que conciliam resultados financeiros com responsabilidade social e ambiental. É o que mostra a pesquisa Empresas Conscientes, realizada pela Think Work em setembro de 2025 com 404 respondentes.
Segundo o levantamento, 81% dos respondentes consideram muito ou totalmente importante atuar em uma companhia comprometida com pessoas, comunidade e sustentabilidade. Para 37%, esse compromisso é essencial, e a ausência desse cuidado seria um fator de rejeição na escolha do empregador.
Apesar dessa expectativa, a percepção sobre as empresas ainda revela um descompasso entre discurso e prática. Apenas 19% dos entrevistados afirmam que suas organizações colocam esses princípios no centro das decisões, enquanto 38% consideram que esse cuidado é consistente, mas não prioritário.
Na outra ponta, 14% dizem que o empregador demonstra pouca ou nenhuma atenção ao tema, o que sugere que o modelo de gestão ainda é predominantemente orientado por resultados financeiros de curto prazo.

Mas o que define, na prática, uma organização consciente?
A pesquisa da Think Work mapeou nove pilares que ajudam a medir esse grau de maturidade. Eles incluem remuneração justa, transparência nas decisões, equidade nas oportunidades de carreira, promoção da saúde mental no trabalho, respeito à diversidade, ética nas relações internas e externas e compromisso com a sustentabilidade ambiental e financeira. Esses elementos formam a base de uma cultura corporativa que busca equilibrar desempenho econômico com impacto positivo e relações de trabalho mais justas.
Os dados indicam que esse modelo está associado a melhores indicadores de gestão e experiência do trabalhador.
Entre os profissionais que atuam em organizações consideradas mais conscientes, 59% acreditam receber remuneração adequada, ante 35% nas menos comprometidas. A clareza sobre critérios salariais também é maior, chegando a 64%, contra uma média geral de 45%. Além disso, 64% classificam o ambiente como muito positivo, e 83% percebem ações consistentes de diversidade e inclusão.
Os efeitos também aparecem em métricas diretamente ligadas à produtividade e à retenção de talentos. Entre os profissionais que atuam em organizações conscientes, 67% afirmam se sentir bem todos ou na maioria dos dias, quase o dobro dos 35% registrados nas companhias menos comprometidas.
A felicidade no trabalho segue o mesmo padrão: nas organizações mais maduras, 37% relatam se sentir felizes todos os dias, percentual significativamente superior ao observado nas demais. O engajamento acompanha essa tendência: 70% dos trabalhadores nessas empresas relatam alta motivação, enquanto apenas 29% demonstram o mesmo nível nas companhias menos responsáveis.
Esse diferencial impacta diretamente a permanência dos profissionais. Quase 40% dos trabalhadores em organizações conscientes afirmam que gostariam de se aposentar no atual emprego, enquanto, nas companhias menos comprometidas, 59% planejam sair em até um ano. A busca ativa por novas oportunidades também é menor: 17% entre os que atuam em organizações conscientes, contra 35% nas demais
Para a Think Work, os dados indicam que a consciência organizacional deixou de ser apenas uma agenda reputacional e passou a se consolidar como uma estratégia de negócio, com impacto mensurável sobre engajamento, retenção e sustentabilidade no longo prazo.

