Relatório aponta que escassez de liderança moral afeta engajamento, autonomia e intenção de permanência nas empresas
Apenas 6% dos CEOs e 9% dos gestores atingem o nível mais alto nos critérios de liderança moral definidos por pesquisadores, apesar de a demanda por esse perfil nunca ter sido tão alta.
O dado consta no relatório The State of Moral Leadership in Business 2026, elaborado pelo HOW Institute for Society, com base em uma pesquisa realizada em 2025 com 2.511 trabalhadores nos Estados Unidos. Segundo o levantamento, 94% dos profissionais consideram esse tipo de conduta mais urgente do que nunca, enquanto a presença de executivos que atendem plenamente aos parâmetros avaliados permanece praticamente inalterada nos últimos anos.
No estudo, liderança moral é caracterizada como a capacidade de alinhar valores, decisões e comportamentos de forma consistente, promovendo confiança, responsabilidade e respeito no ambiente corporativo. Os resultados indicam um descompasso entre as expectativas dos trabalhadores e o dia a dia nas organizações.
A ausência desse perfil impacta diretamente o engajamento e a retenção de talentos. Entre profissionais subordinados a gestores classificados no nível mais baixo, 30% afirmam estar ativamente em busca de outro emprego. Já sob chefias situadas no nível mais alto, esse índice recua para 10%. A recomendação da empresa como um bom lugar para trabalhar também varia de forma significativa: 95% entre equipes lideradas por gestores bem avaliados, ante 64% nos demais casos.
Os efeitos se estendem à gestão do trabalho e à autonomia dos times. O relatório mostra que, em organizações lideradas por CEOs classificados no nível mais alto, os profissionais são três vezes mais propensos a afirmar que conseguem desempenhar suas funções sem supervisão excessiva ou microgestão. Também são cinco vezes mais inclinados a dizer que conseguem concluir tarefas sem passar por múltiplos níveis de aprovação e seis vezes mais propensos a afirmar que têm autonomia para estruturar o próprio trabalho da forma que consideram mais adequada.
Além disso, entre funcionários sob liderança de alto nível moral, 94% afirmam que a carga de trabalho é organizada de forma a prevenir burnout, enquanto apenas 3% dos liderados por gestores no nível mais baixo relatam a mesma percepção.
O relatório não traz recortes específicos para o Brasil ou para a América Latina. Ainda assim, os achados dialogam com discussões globais sobre confiança nas lideranças, saúde mental e intenção de permanência no emprego – temas cada vez mais presentes também no mercado de trabalho local.
Dados da pesquisa Empresas Conscientes, realizada pela Think Work em 2025 com 404 respondentes, indicam que os desafios relacionados à liderança ética também estão presentes no Brasil. Segundo o levantamento, 59% dos profissionais afirmam que seus gestores diretos agem de forma ética e justa, enquanto 33% avaliam essa atuação apenas parcialmente.
A sensação de segurança para denunciar irregularidades é ainda mais limitada: apenas 42% dos respondentes afirmam poder relatar práticas antiéticas sem medo de retaliação, o que indica fragilidades na construção de ambientes baseados em confiança.

